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Physical | Primeiras impressões: Rose Byrne em busca do sucesso através da ginástica

“Bem-vindos aos anos 80…. Tudo é colorido. E você pode tudo.” Não, não estamos em Mulher-Maravilha 1984, e sim, na nova produção da AppleTV+ com 10 episódios chamada Physical.

So… Let’s getPhysical. Aqui temos a história de uma dona de casa que vai malhar seu caminho até o sucesso e ser um fenômeno do mundo das aeróbicas, e das fitas em VHS de exercícios, que fizeram muito sucesso na época. Mas a jornada de Sheila (Rose Byrne, incrível) parece que vai ser mto mais árdua que imaginamos: uma marcada por pensamentos depreciativos sobre si mesma, um marido encostado que suga toda sua energia, e claro uma boa quantidade de hambúrgueres, milkshakes e uma estadia em um motel barato.

Foto: AppleTV+

Foram liberados 3 episódios iniciais de Physical e acho que fazem um bom combo para entendermos e compreendermos como funciona a dinâmica da série de uma maneira geral e como essa história deve se encaminhar. Para mim, Physical faz uma viagem deliciosa dentro da mente da protagonista de Rose Byrne. A série é meio estranha, meio excêntrica, mas vai te deixar completamente obcecado com a história contada, com esses personagens e a forma como tudo é apresentado.

Conhecemos esse mundo em pleno movimento, não só no contexto da série, mas também na própria vida dos personagens, onde Sheila, seu marido Danny (Rory Scovel) e sua filha Maya (Grace Kelly Quigley) vivem em uma comunidade litorânea que vê o avanço da modernidade nos anos 80, e o avanço dos shoppings centers, acabarem com a tranquilidade da região. Mas isso não é tudo que aflige Sheila… a dona de casa sente o peso da idade, do seu relacionamento, e de não poder falar tudo aquilo que ela gostaria para as pessoas. Principalmente o marido.

Assim, tudo que Sheila pensa, ela guarda para ela, mas acaba por falar o que pensa de verdade para nós os espectadores. Vemos que Sheila guarda tudo para ela, e desconta tudo em idas ao drive-thru e paradas em um motel chinfrim para comer tudo, nua na cama, e depois vomitar. “É a última vez!”, diz ela.

O fato que Physical lida com o fato de ter uma protagonista super falha e com distúrbios alimentares é uma questão bem interessante para a composição da história e da trama de maneira geral, e que aqui Bryne consegue tirar de letra essa complexidade que a personagem se apresenta nesses primeiros episódios.

Ao cruzar com uma instrutora pirada chamada Bunny (Della Saba, ótima) durante uma das suas recaídas, Sheila descobre o fascinante mundo das polainas, movimentos aeróbicos e claro, das músicas agitadas para liberar endorfinas. E com isso Physical entrega além de boas atuações, uma trilha sonora marcante e bem característica da época. E assim, sabemos que lá no futuro, Sheila será uma mega star dos exercícios físicos: mas o que a levou até lá? Qual foram os passos que fizeram Sheila malhar seu corpo rumo ao sucesso? É isso que Physical vai contar nesse primeiro ano.

E se depender desses três primeiros episódios, veremos que a personagem vai ter que malhar muito para desviar dos obstáculos que a vida vai apresentar, seja a candidatura do marido para o cargo de vereador, do mega empresário John Breem (Paul Sparks) ou ainda de Greta (Dierdre Friel) uma mãe da escola que quer fazer amizade com Shiela de qualquer forma.

Foto: Apple TV+

O diretor Craig Gillespie continua com sua assinatura única aqui (colocar atrizes conhecidas para falar com a câmera ao som de música marcante) e comanda o primeiro episódio da série (1×01 – Let’s Do This Thing) que é o mais dinâmico entre os três, sem dúvida.  Já o 1×02 – Let’s Get Political serve para estabelecer a relação de Sheila nessa comunidade e desenvolver mais as questões que a levaram para o seu distúrbio e como isso afeta sua vida. Tem direção de Liza Johnson. E no 1×03 – Let’s Get Down to Business a trama dá uma virada onde Shiela precisa fazer de tudo para não ser descoberta (ela tem tirado dinheiro da poupança há anos) e precisa se virar para ajudar o marido na campanha, e tudo mais. É o começo da virada para Sheila. Tem a direção Stephanie Laing e talvez faça o mais legal dos três. 

No final, Physical se mostra uma nova produção com o selo Apple Original, aquelas mais robustas, onde conta uma história mais intensa que não caberia na TV hoje. Talvez somente na HBO. Com um elenco afiado, e liderado pela sensacional Rose Byrne, a série é uma que promete ser a nova queridinha na próxima temporada de premiações. Direita, soco, esquerda, pula.

Physical exibe seus episódios todas às sextas-feiras.

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