Trem-Bala | Crítica: Visual estiloso e elenco gigante fazem do filme um dos mais legais do ano

Ao colocarmos uma variedade de personagens para adentrarem o mesmo local, aqui no caso, um Trem-Bala, até poderia ser o início de uma piada de gosto duvidoso, mas não é. Pelo contrário, o que temos com essa premissa é, definitivamente, um dos filmes mais legais do ano. Sem dúvidas.

Trem-Bala (Bullet Train, 2022) te convida para embarcar numa maluca e divertida aventura, ao colocar um grupo de assassinos a bordo de um trem de alta velocidade, onde todos eles têm seus motivos ocultos para estarem lá, e todos eles parecem que estão atrás da mesma coisa, ou das mesmas pessoas.

Brad Pitt em cena de Trem-Bala
Foto: Scott Garfield – © Sony Pictures/2022 CTMG. All Rights Reserved.

O filme consegue entregar uma empolgante trama de mistério com um elenco de chamar atenção. É como se tivéssemos uma trama ah lá Agatha Christie, com um mangá japonês, e um tom de John Wick, onde o elenco certo, escolhido a dedo por David Leitch, se unisse numa explosão de cores e uma edição moderninha que passa para o filme um ar descoladinho e de videoclipe dos anos 90 e 2000.

Visualmente estiloso e cheio luzes neon e cores chamativas, Trem-Bala se beneficia das excentricidades para ajudar a contar essa história, seja nos letreiros luminosos, nos assassinos guerreiros de máfia, ou ainda no boneco de pelúcia gigante que anda pelos corredores do trem.

Cercados de assassinos das mais diferentes formas e estilos, Trem-Bala conta uma história de mistério, que envolve crianças no hospital, uma cobra roubada e uma maleta misteriosa, em que a cada estação vai por adicionar mais uma camada para essa trama que se desenvolve na mesma velocidade que o trem se movimenta pelos trilhos. A cada reviravolta, a cada plot twist que o roteiro de Zak Olkewicz (baseado na obra de Kôtarô Isaka) entrega, o longa é marcado por divertidas atuações (incrivelmente todos os atores tem uma veia cômica bem explorada aqui), algum rosto conhecido de Hollywood que vai por surgir, e cenas de ação e de lutas mão a mão que apenas deixam o filme com um aspecto completamente único do que foi apresentado no ano até então.


Joey King em cena de Trem-Bala
Foto: © Sony Pictures/2022 CTMG. All Rights Reserved.

Trem-Bala é o filme do gênero mais empolgante desde que Keanu Reeves andou de cavalo pelas ruas de Nova York em John Wick, Charlize Theron quebrou tudo como uma espiã alemã em Atômica, ou que Samara Weaving precisou fugir dos parentes doidos por jogos em Casamento Sangrento. E aqui, o que dá muito certo, além do olhar afiado de David Leitch na direção para cenas de ação, é que todos os personagens são malucos por naturezas, excêntricos em sua própria forma, e isso só deixa Trem-Bala ser melhor do que parece ser em sua proposta. 

Na medida que vemos o assassino de aluguel (codinome) Ladybug (Brad Pitt, comprovando seu título de um dos últimos super stars de Hollywood) trocar palavras com uma operadora misteriosa (voz de Sandra Bullock), receber uma missão e embarcar no tal trem temos a certeza que boa parte de quem embarcou nele não vai sair com vida.

 Ele cruza com diversas figuras ao longo do trem, e boa parte delas você não suspeitaria ser um assassino treinado. Seja a dupla Tangerine (Aaron Taylor-Johnson, muito bem), Lemon (Brian Tyree Henry, super engraçado), ou até mesmo um jovem (Logan Lerman) sentado perto deles. E muito menos de uma jovem garota (Joey King, perversamente ótima) delicada e com aparência angelical algumas fileiras para frente. Mas o trem parte para seu destino, Ladybug percebe que alguma coisa não está certa, quando as pessoas começam a morrer entre as estações e membros (Andrew Koji) de um clã mafiosos aparecem no lugar. Assim, ao mesmo tempo que ele reclama de não ter sorte em nada, Ladybug precisa tentar descobrir o que a maleta que ele carrega significa e por que esse bando de pessoas estão ali, e por que estão ali.  

Assim, colocar esse grupo de personagens, num espaço confinado, dá chance para Leitch entregar boas passagens, e curiosas e violentas cenas de ação. As coreografias das lutas é sensacional, principalmente uma que envolve o personagem de Pitt e Taylor Johnson no vagão de comidas é incrível.

Brad Pitt e Benito A Martínez Ocasiom, o Bad Bunny cena de Trem-Bala
Foto: Scott Garfield – © 2022 CTMG. All Rights Reserved.

E realmente Leitch se aproveita do espaço confinado para dar um sentimento de perigo e imprevisibilidade muito grande para o longa. Afinal, é um mistério para saber quem é o assassino principal, e num filme desses sempre é alguém que menos esperamos, e sempre tem uma reviravolta nos esperando no final da linha. 

O filme é ágil, é dinâmico e a trama nos prende durante sua duração e fica ainda mais interessante ao vermos esses atores carismáticos juntos. Particularmente os destaques ficam, claro, com Pitt, ótimo aqui. King, Johnson, Henry e o cantor Bad Bunny que tem cenas bem curiosas e que movimentam a trama.

No final, Trem-Bala empolga ao nos apresentar para esse novo mundo, e essa possível nova franquia de ação, nos faz esquecer do que aconteceria se isso tudo acontecesse na vida real, e o quão surreal se acontecesse, e diverte num filme de ação caprichado e que realmente entrega aquilo que promete muitas porradas e um tom de comédia muito inspirado.


Avaliação: 3.5 de 5.

Trem-Bala chega nos cinemas nacionais em 4 de agosto pela Sony Pictures.

One Reply to “Trem-Bala | Crítica: Visual estiloso e elenco gigante fazem do filme um dos mais legais do ano”

Deixe um comentário