Influencer de Mentira | Crítica: Longa com Zoey Deutch faz olhar satírico sobre o maluco mundo on-line

“Esse filme tem uma protagonista feminina não agradável.” É com essas palavras mostradas em tela logo no começo de Influencer de Mentira (Not Okay, 2022) que fica claro como Quinn Shephard vai nos apresentar para essa história por essas próximas 1 hora e 40 minutos que vem a seguir.

Com um tom de sátira, um humor mais carregado para o non-sense e que serve para ilustrar e amplificar situações, a diretora conta aqui uma história de mentiras, photoshops e artigos que viralizam para passar uma mensagem bem clara e que deveria estar estampada para qualquer um antes de acessar a internet: parem de fazer pessoas idiotas famosas.

E leva-se um tempo para sacarmos qual é de Influencer de Mentira.

Dylan O’Brien e Zoey Deutch em cena de Influencer de Mentira
Foto: © 2021 20th Century Studios

A princípio, o longa soa como uma comédia bobinha dessas da Netflix…. um filme sobre uma jovem desajeitada que trabalha numa revista no setor de tratamento de imagens e que deseja ser uma escritora. Danni (uma incrivelmente boa Zoey Deutch) é praticamente invisível na revista, tipo uma Andy de O Diabo Veste Prada (que inclusive foi lançado por uma produtora parente da Searchlight na época quando tudo era FOX) antes da transformação, é odiada pela chefe (que de longe não tem o carisma da Miranda de Meryl Streep, afinal, Meryl é Meryl), pelos colegas de trabalho (aqui troca-se as modeletes por um pessoal descolado, de minorias, meio hipsters), e principalmente pelo boyzinho com pinta de bad-boy que trabalha por lá e que nossa protagonista tem uma quedinha violenta.

E a vida de Danni passa e ela fica sentada na janela até que um dia, Colin (Dylan O’Brien) chega com seu cigarro eletrônico e seu cabelo platinado, e ele e a jovem tem mais uma inusitada interação dessas típicas de comédia romântica. Mas ai que tá, Influencer de Mentira não é uma comédia romântica e isso só vai por ficar claro quando o filme vai por apresentar seus personagens e sua trama.

E na ânsia de impressionar o jovem influenciador, Danni tem uma brilhante ideia: e se ela fingir que foi para Paris participar de um retiro para escritores e bombar seu feed do instagram com fotos falsas? Algumas cenas aqui e ali, e puf, Dannie monta uns cenários, e com sua habilidade de edição, separa algumas fotos e faz os cálculos do fuso horário para suas postagens e tudo isso do conforto do seu lar. O que a jovem não esperava era que a cidade Luz fosse inundada por diversos ataques terroristas no mesmo dia que sua viagem “de mentira” aconteceria. O que deixa toda rede de contatos dela de cabelo em pé. Inclusive do crush do trabalho que finalmente presta atenção nela. Vitórias? A mentira valeu a pena?

A confusão está armada de Danni vê a oportunidade de ganhar atenção de todos, seja dos seus pais, dos colegas de trabalho e tudo mais. Mas manter essa mentira vai deixar também a jovem suando bastante para manter tudo isso. E essa é a parte comercial, vendível de Influencer de Mentira para o grande público. A parte realmente interessante fica no pós mentira de Influencer de Mentira.

É quando nossa protagonista vai atrás de um grupo de apoio para pessoas que sofreram acidentes de verdade e usam o lugar para compartilhar seus tramas e medos. É aqui que você espera que o texto de Quinn Shephard derrape, mas Influencer de Mentira se segura e te garante para te apresentar o outro lado o filme tem: o da sua crítica ao adoidado mundo on-line.

Na medida que Danni descobre que sua colega de grupo de apoio Rowan (Mia Isaac) é uma grande Influencer, e que fala sobre suas experiências em ter sobrevivido a um atentado em sua escola para milhares de seguidores, é que o longa ganha outro tom. Claro, o texto de Influencer de Mentira nunca se aprofunda muito em algumas questões, algumas dúvidas que temos, e parece apenas pincelar toda essa crítica que quer fazer, mas não deixa de levantar esse pontos. Mesmo que bem superficialmente. É como se estivéssemos em uma versão de thread no twitter sobre o assunto em vez de um grande texto explicativo, mas dá para tirar alguns pontos interessantes na medida que Danni começa a “roubar” detalhes da história de Rowan e suas experiências e capitalizar em cima delas com um texto na revista que ela trabalha, entrevistas para programas de TV, e ganhar milhares de seguidores.

Kirk White, Zoey Deutch e Mia Isaac em cena de Influencer de Mentira
Foto: © 2021 20th Century Studios

Ao criticar esse mundo, Influencer de Mentira deixa o longa com um tom um pouco mais galhofa do que deveria para tratar desse tema. Claro que é preciso ver nas entrelinhas, e talvez, conhecer um pouco desse mundo para saber onde a diretora/roteirista queria chegar com essa maluca história. Afinal, Influencer de Mentira assume, sem medo de querer ser feliz, que Danni é uma personagem imperfeita e que não teremos um arco de redenção para ela. Ela fez aquilo que fez e não vai tirar uma lição sobre isso, ou talvez vá, fora do recorte que o longa se propõe a mostrar e isso acaba por soar um pouco desleixado da parte do time de produção, como se faltasse um pedaço do filme. Danni Sanders é cancelada, mas e aí? Nada de stories chorando, pedindo desculpas, ou feed com mensagem preta, e “hum vou desativar por alguns dias?”….

As reviravoltas, o cancelamento, as descobertas soam muito apressadas para contar essa história, mas como falamos, metade dessa história não é contada, apenas vemos Danni causar no seu mundo on-line e também na vida real. No final, Influencer de Mentira até conta uma boa história, Dutch realmente serve como um bom veículo para essa história, mas alguns arcos são desenvolvidos super rápidos e não tem aquele tempo de tela para maturar um pouco. Talvez seja a velocidade como a diretora quis contar essa história e a forma como as coisas escalonam on-line ultimamente.

Avaliação: 3 de 5.


Influencer de Mentira disponível no Star

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