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Tom & Jerry – O Filme | Crítica: Deve agradar crianças com as peripécias animadas, já os adultos…

Os divertidos Tom & Jerry, uma das duplas mais queridas da TV estão de volta, agora nos cinemas, com um visual repaginado, com gráficos de animação atualizados e apoiados na tecnologia super moderna que temos à disposição atualmente.

Mas ao mesmo tempo que Tom & Jerry: O Filme (2021) coloca a dupla nos anos 2021, o filme acabar por soar tão anos 90. A versão que mistura animação e live-action me pareceu como uma ideia que ter vindo de forma tímida de algum executivo lá no fundo de uma grande sala de discussões no meio da Warner Bros., numa época, onde poderíamos ir para os escritórios e que reuniões eram presenciais e não feitas por zoom, lembram?

Parece que rolou um: Ah, temos uma vasta quantidade de personagens animados para usar aqui…. O que vamos fazer? Vamos aprovar uma animação como Scooby-Doo (2020) ? Vamos fazer um filme em live-action como a Paramount Pictures tentou com Sonic – O Filme (2020)? Aí alguém no canto da sala deve ter falado: Que tal uma mistura dos dois? E assim, nasceu Tom & Jerry: O Filme.

A ideia não é nova certamente, mas unir uma das duplas de inimigos/amigos mais conhecidos da história, parece só ser boa no papel? Claro, afinal as peripécias do gato Tom e do ratinho Jerry estão no imaginário popular tem mais de 50 anos, rendem inúmeros gifs, memes, e principalmente acordos de reprise para os seus inúmeros episódios, e claro, o que importa né? Os cobiçados acordos de venda de merchandising.

Para as crianças, o público alvo do filme, com certeza, Tom & Jerry: O Filme deve ser um estouro, afinal, é sim divertido acompanhar a disputa para ver quem ficará hospedado no grande e luxuoso Hotel onde a trama se passa. Mas para os adultos? A única perseguição vista aqui no filme, o único jogo de gato & rato, que temos aqui é encontrar a risada que parece fugir a cada momento que a trama se passa. Estou velho?

Tom & Jerry – O Filme – Crítica
Foto: Warner Bros. Pictures

Acho que o Tom & Jerry: O Filme tem seus momentos sim, o timing cômico de Michael Peña continua afiado e é um dos pontos positivos do filme – o ator está realmente muito muito bem como Terrance, um dos gerentes do Hotel – e acaba por ser dos destaques do filme. Já a atriz Chloë Grace Moretz, como Keyla, uma jovem que é pura lábia e que consegue um trabalho no hotel para ajudar no dia-a-dia do local, parece que realmente viu uma oportunidade de se divertir, e aqui, realmente faz isso e nada mais. Sua personagem tem pouco desenvolvimento, e no final, Moretz realmente parece que está ali apenas por estar.

Por mais que a parte em live-action soe bobinha e descompromissada, realmente é o que movimenta a trama, e que coloca Tom & Jerry na história, onde no longa, é lá no badalado Hotel que descobrimos ser o local que vai receber um casal de influenciadores, Dwayne (Colin Jost que é ótimo no humorístico Saturday Night Live, já aqui… ) e Preeta (Pallavi Sharda), uma coisa meio Nick Jones e Priyanka Chopra, para o casamento do século, um mega evento que promete atrair os olhares do mundo, e dos inúmeros seguidores dos pombinhos, onde que claro tudo precisa sair perfeito. Mas entra na equação Tom & Jerry que prometem causar muitas confusões. Até já veria que essa seria a chamada do filme na Sessão da Tarde se o filme passasse na época que os produtores ficaram parados no tempo.

O problema é que a mistura de live-action e animação deveria funcionar com um conjunto, onde essas partes deveriam se unir para criar um filme só – vimos isso dar certo em Uma Cilada Para Roger Rabbit (1988) e em Space Jam: O Jogo do Século (1996) que a Warner Bros. também lança em 2021 uma nova versão –  mas aqui, toda vez que o filme focava, por exemplo, só na animação, até que era bacana de acompanhar, afinal, remetia para o desenho antigo, com os velhos personagens, além de Tom, Jerry, temos também a gata sedutora, o buldogue com cara de bravo, e a gangue de gatos. Essa parte da história se concentra na trama em que Tom consegue um cargo no Hotel para caçar o Rato Jerry, e Jerry está na busca por criar sua casinha em uma toca no hotel, onde um acaba por criar armadilhas para pegar o outro. Nesse momento Tom & Jerry: O Filme se sobressai, é engraçado, e dá para dar umas poucas risadinhas tímidas, mas ao mesmo tempo, quando essa parte se junta com a parte dos atores reais, tudo soa muito artificial e realmente uma bagunça.

Tom & Jerry – O Filme – Crítica
Foto: Warner Bros. Pictures

Pessoalmente, é como se o nosso cérebro não conseguisse colocar Tom, Jerry, e todos os outros animais que são apresentados em animação juntos na trama de uma forma orgânica, e que soasse natural. Em Tom & Jerry: O Filme as coisas não se conectam, não dão liga, as músicas não casam com o que vemos na tela, é como se fosse uma coisa separada de todo o restante, e o roteiro de Kevin Costello gasta tanto tempo na parte animada que esquece de desenvolver a trama dos adultos, e a mensagem família e que união que a história quer passar para os pequenos, e assim prolonga o longa por mais tempo que deveria.

No final, Tom & Jerry: O Filme faz o que a dupla sempre soube fazer… tentar dominar o mundo.. não pera esse é outro desenho. Entregar boas risadas e momentos dos mais surreais possíveis. Eles estão presentes, sem dúvidas, aqui, mas o filme falha ao precisar ter que lidar também com a parte que envolve os atores, e que convenhamos, não é lá grande coisa por mais que tenhamos nomes conhecidos no elenco. 

Ps: O filme tem uma cena pós-crédito.

Avaliação: 2 de 5.

Tom & Jerry: O Filme chega em 18 de fevereiro nos cinemas com sessões antecipadas já no dia 11 pela Warner Bros. Pictures.

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