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Pânico | Crítica: Slasher presta homenagem para a franquia ao mesmo tempo que diverte e assusta

Vocês gostam de filmes de terror? A gente sim, e pelo visto o time de roteiristas do novo Pânico (Scream, 2022) formado pela dupla James Vanderbilt e Guy Busick também. Afinal, com essa nova empreitada na franquia, o quinto filme, o que temos não só é um senhor filme de terror sanguinário e cheio de mortes bacanas de se ver em tela, mas um que presta homenagem para toda franquia, sua história e personagens, ao mesmo tempo que diverte, tira sarro de si mesmo, e não deixa de apresentar um mistério “Quem é o assassino?” delicioso de se acompanhar.

No novo Pânico, estamos de volta para Woodsboro, onde um novo assassino mascarado surge e claro todo mundo conectado com o ataque da jovem Tara (Jenna Ortega, incrível) parece ser suspeito. A introdução dos novos personagens nessa história é um dos fatores fundamentais para Pânico dar certo. O texto de Vanderbilt e Busick, que trabalharam com os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett no ótimo Casamento Sangrento (Ready Or Not), é muito bem trabalhado nesse sentido e consegue se mesclar bem com a história de Woodsboro, da franquia em si e com a proposta do filme de apresentar um novo assassino mascarado para tempos atuais, cheio de aplicativos, internet e redes sociais.

Jenna Ortega em cena de Pânico
Foto: Paramount Pictures

Com isso, Pânico consegue ter um roteiro afiado (feito a faca do Ghostface) e que sabe brincar com uma metalinguagem gigante na medida que os personagens tiram sarro dos acontecimentos que estão envolvidos, do filme Facada, a versão em filme dos eventos do primeiro filme dentro desse filme (eu sei!!), as regras para sobreviver dentro de um filme de terror, o comportamento tóxico do fandom e tudo mais. O novo Pânico consegue fazer uma autoanálise incrível, tão bem criada, cheia de pequenos diálogos tão deliciosos do tipo “O que tem de errado em gostar de um terror mais sofisticado? Digo, o Jordan Peele arraza!” que foram pensados e executados pelos atores de uma forma muito muito precisa.

Na medida que a jovem Sam (Melissa Barrera) e seu namorado Richie (Jack Quaid) chegam para a cidade por conta do ataque de Tara, a irmã da nossa protagonista, Pânico entra em total modo: você personagem aleatório pode ser o assassino, e eu filme vou te convencer disso! Como falamos, qualquer um é suspeito, e as pistas são espalhadas ao longo do filme, e servem para mascarar as verdadeiras pistas sobre a identidade real do assassino que claro só é revelado lá nos últimos momentos, no climax do longa.

O trabalho aqui é muito bem feito, afinal, enquanto os personagens apontam o dedo um para o outro, no melhor estilo do meme do Homem-Aranha, o assassino não deixa eles em paz e começa a atacar todos que tem conexão com as jovens irmãs, e o passado delas. Afinal, uma das regras é que sempre voltamos para o filme original, não é mesmo? 

Dylan Minette, Jack Quaid, Melissa Barrera e David Arquette em cena de Pânico
Foto: Paramount Pictures

E aqui é o que acontece.Primeiro temos o retorno de Dewey (David Arquette) que parece fazer as vias de um tipo de Mestre Yoda, Han Solo da vez, onde Pânico faz o melhor retorno de uma franquia desde de Star Wars – O Despertar da Força (2015) e serve como uma espécie de guia para os novatos que colocam as tais regras na mesa e já tentam descobrir quem entre o grupo de amigos de Tara poderia ser o tal novo maluco que anda por aí atacando as pessoas e fazendo ligações com números desconhecidos. 

O elenco novo talvez esteja um pouco inchado, mas o volume foi criado para dar a possibilidade para mais pessoas serem suspeitas de serem o assassino, sem dúvida. Mas aqui destaco além do trabalho de Ortega, Barrera e Quaid, ainda a atriz Jasmin Savoy Brown como Mindy, a sabe tudo de filmes de terror e que dá o tom para espectador se conectar com a história e Mason Gooding, como o irmão Chad, um atleta que você tem certeza que sua história vai para um lado e os roteiristas deixam claro que tem ideias diferentes do tradicional. O elenco ainda tem outros personagem clichês de longas de terror, a melhor amiga Amber (Mikey Madison), o casinho amoroso platônico de Tara, o jovem Wes (Dylan Minnette), a namorada ciumenta (Sonia Ammar), um cara sinistro que ronda o grupo (Kyle Gallner) e tudo mais.

Pânico se apoia então no carisma dessa nova geração de atores, muitos vindo de produções baladas no streaming, que dão o tom mais descontraído para o filme, ao mesmo tempo que traz de volta os personagens antigos e os atores que os interpretaram há tanto tempo. Fica claro aqui que para Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette, Pânico é novamente uma oportunidade para eles se divertirem com esse tipo de filme e com essa história mais uma vez.

O trio encaixa muito bem na trama, o retorno não é gratuito, ou feito apenas pelo fanservice (que o novo Pânico tem de monte em outros momentos!). O retorno de uma Sidney Prescott mais madura para a cidade que teve um impacto tão profundo em sua vida é vital para o longa dar certo, para a trama girar, e para termos cenas com a personagem sendo a bad-ass final girl que sempre foi. O longa sabe disso, o time envolvido na produção sabe disso, e no final, traz de volta esses personagens para esse novo desafio. Cox continua com a veia mais cômica de sua Gale Weathers, mesmo que aqui, o tom foi diminuído e cortado pela metade, onde nem piadas e comentários sobre o infame corte de cabelo da personagem nos outros filmes foi passado desapercebido.

Neve Campbell e Courtney Cox em cena de Pânico
Foto: Paramount Pictures

Assim, o novo Pânico não poupa ninguém, nem os personagens antigos, e a lista de mortes até que é considerável na medida que o assassino sai passando a faca por aí e as suas motivações são reveladas nos momentos finais. A dose de humor com frases como “Sabe aquele momento nos filmes de terror que você grita para os personagens pararem de serem burros e sairem logo do lugar escuro e duvidoso que eles entram? É isso, aqui, esse é o momento Richie!” com as pesadas mortes que o assassino causa por aí nas suas vítimas mostram que fazer um reboot/sequência parece ter dado certo em Hollywood, seja com Halloween, seja com Jumanji, Bad Boys e etc, se for feito com um olhar cuidadoso.

 Claro, nem sempre é garantia que vai ser certo, aqui as chances eram de dar muito errado, e em muitas vezes, como já vimos nos últimos anos em Hollywood, pode dar super errado. Mas aqui com esse novo Pânico o que temos é um filme que serve de agrado para os fãs do gênero, num dos primeiros grandes filmes de 2022, e que entrega um slasher imperdível.

Avaliação: 3.5 de 5.

Pânico chega em 13 de janeiro nos cinemas nacionais.