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Noite Adentro | Crítica da 1ª Temporada

Noite Adentro (Into The Night) estreou timidamente na Netflix, e a primeira série original do serviço de streaming criada na Bélgica acaba por ser uma boa opção para se maratonar na quarentena. O drama tem apenas 6 episódios, todos eles com quase 30 minutos de duração, e entrega uma história enxuta e que não perde tempo em desenvolver sua trama, nem mesmo seus personagens.

Intensa e desesperadora, Noite Adentro conta a história de um grupo de passageiros que ficam presos em um avião depois que o mesmo é sequestrado por um homem (Stefano Cassetti) que diz que o mundo irá acabar por conta do sol que mata as pessoas. Assim logo nos primeiros episódios, Noite Adentro já decola rumo à sua trama de uma forma rápida e sem escalas nenhuma, não dando tempo do espectador de respirar, ou ajeitar sua poltrona para a posição correta. 

Jan Bijvoet, Stefano Cassetti, Mehmet Kurtulus, and Babetida Sadjo in Into the Night (2020)
Noite Adentro | Crítica da 1ª temporada | Foto: Netflix

O roteiro de Noite Adentro não perde tempo, já introduz a ameaça ao mesmo tempo que coloca os personagens no meio desse furação de informações, onde o desastre é anunciado. Noite Adentro então usa o curto espaço dos episódios para fazer um olhar intenso sobre as relações humanas durante essa ameaça invisível que vem do céu. Um paralelo interessante em época de pandemia global que vivemos.

E a cada episódio, o roteiro apresenta um pouco mais sobre passado e a vida desses personagens, os motivos que os levaram a embarcar no avião, e claro dar um contexto para o espectador entender suas atitudes a bordo. 

Noite Adentro consegue, além de desenvolver sua história, ainda ter tempo de trabalhar com seus personagens e criar camadas para eles mais profundas do que o compartimento de carga de um boeing de voo internacional. Cada um deles nos é apresentado como figuras marcadas de esteriótipos como o Piloto Mathieu (Laurent Capelluto), o empresário Ayaz (Mehmet Kurtulus), a mãe (Regina Bikkinina) desesperada para levar o filho em uma consulta que pode salvar a vida do garoto, uma influenciadora digital (Alba Gaïa Bellugi), e ainda a nossa protagonista, a jovem Slyvie (Pauline Etienne).

Noite Adentro consegue colocar esse grupo de pessoas dentro de um ambiente fechado e em situações de extrema pressão, onde aqui eles são obrigados a viajarem pelo mundo, sempre para oeste, fugindo do amanhecer na busca de tentarem achar uma solução para o monumental problema que o mundo vive e afeta bilhões de pessoas. 

A série, por ser curta, corre um pouco com sua trama, e muitas coisas acabam por acontecer por conta de casualidades do destino, e do roteiro, mas isso não tira o impacto de certos momentos, de certas mortes que acontecem ao longo da série, e que mostram esses personagens em uma luta desenfreada por sobrevivência.

Noite Adentro | Crítica da 1ª temporada | Foto: Netflix

O sentimento de tentar fazer o melhor para o coletivo e não pensar no pior das pessoas é peça fundamental para o espectador tentar se conectar com o grupo de passageiros mesmo que não concorde com suas atitudes. Noite Adentro entrega discussões válidas e interessantes que são diluídas aos poucos dentro do texto que a série apresenta. O ritmo rápido, e as decisões corridas por conta da urgência que os personagens vivem, deixam a série com um tom bastante alucinante. 

Ao longo de seus 6 episódios, Noite Adentro faz uma jornada rumo à escuridão do ser humano e do poder de nossas ações, onde é como se todos os personagens enfrentassem um processo de julgamento nesse apocalipse solar que os fazem refletir sobre suas ações durante o tempo que estiveram na Terra. Os que não foram deixados para trás, e que não morreram, será que irão conseguir sobreviver ao desastre e tentarão ser pessoas melhor nesse futuro?

Noite Adentro está disponível na Netflix.

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