Jurassic World: Domínio | Crítica: Final da trilogia apela para elenco antigo e nostalgia

O final da trilogia Jurassic World chegou para mostrar para o público que a Era dos Dinossauros veio para ficar. Mas será que veio mesmo? Depois de super acertar em trazer com uma nova roupagem, uma mais moderna, esse mundo do Parque dos Dinossauros para uma nova geração, a Universal Pictures apresentou uma sequência um pouco mais sombria e que abriu portas para que Jurassic World: Domínio (Jurassic World: Dominion, 2022) mostrasse como os dinossauros iriam se comportar no mundo ao lado dos humanos. 

O hype era enorme, afinal, as duas espécies iriam conviver juntas, e responder a questão de quem iria estar no topo da cadeia alimentar: os seres que dominaram a Terra há milhões de anos ou os humanos com suas tecnologias? A ideia era promissora, mas parece que os produtores não tiveram um “domínio” sobre essa história e para entregar um filme que concluísse tudo o que foi apresentado até aqui. De maneira geral, sinto que Jurassic World: Domínio termina da mesma forma onde começa e parece que apenas foram quase 2 horas e 30 minutos que andaram em círculo, onde parece que o que temos aqui é como se tivéssemos um dinossauro correndo atrás da sua própria cauda. 

Chris Pratt em cena de Jurassic World: Domínio
Foto: © 2022 Universal Studios and Amblin Entertainment. All Rights Reserved.

Jurassic World: Domínio parece ser mais um capítulo dessa história do que efetivamente o capítulo final, onde fica claro que, talvez, lá no futuro o estúdio aposte em mais uma possível trilogia. E é o filme da franquia que menos se parece um filme da franquia e entrega uma história que menos se parece com um filme Jurassic Park. É uma mistura de Indiana Jones com um longa de espionagem global, desses no pique de Missão: Impossível e que realmente apela para adrenalina desenfreada a cada 15 minutos para esconder alguns problemas estruturais, como de roteiro, a falta de dinossauros em diversas passagens, é um filme que claramente precisou ter sua história alterada por conta da pandemia e seus desafios de gravar no meio dela. 

Jurassic World: Domínio parece também que foi inteiramente costurado para criar sub-tramas para fazer com que o elenco de Jurassic World se conectasse com o de Jurassic Park em algum momento dessa história. Mas leva tanto tempo para isso acontecer, a trama passa por tantos lugares, são tantas perseguições de moto pelas ruas da Itália com dinossauros correndo por aí atrás de uma luz vermelha, que quando Jurassic World: Domínio parece que finalmente vai engrenar… as coisas terminam e deixam a história da mesma forma que começou, só que com uma grande empresa mega evil a menos no mundo. 

O final dessa trilogia parece muito mais com um filme central, do que um encerramento propriamente dito, mesmo que maior e mais grandioso do que os seus antecessores. Mas ser maior não quer dizer ser o melhor.  A história se apoia em coincidências gigantescas, como se fossem um T-Rex com mãos pequenas se debatendo, e em um fator apelativo de nostalgia, tão grande por conta desses personagens que estão de volta, mais uma vez em tela que parece que tudo foi feito para esconder algumas coisas que não deram muito certo na fase de preparação.

Claro, o longa tem passagens cheias de ação muito boas e que merecem serem vistas na maior tela possível, e talvez seja, em termo de escopo e ambição tanto da história, como de utilização de dinossauros, por ser o maior filme entre os três, mas o melhor? Não, acho que não. Chris Pratt continua a se garantir como um ator de filme de ação, de carregar uma franquia, mas no final, acaba por sempre entregar o mesmo tipo de personagem. E aqui não é diferente. Salvo uma outra cena, Pratt se apoia nos momentos (que são repetidos várias vezes no longa) em que seu personagem precisa controlar os dinossauros com os olhos e as mãos levantadas na já tradicional passagem que marcou a nova trilogia. 

Bryce Dallas Howard em cena de Jurassic World: Domínio
Foto: © 2022 Universal Studios and Amblin Entertainment. All Rights Reserved.

A colega Bryce Dallas Howard, por mais talentosa que seja atrás das câmeras em outras produções em que segue os passos do pai, realmente deixa a desejar. Mas pelo menos aqui, ela novamente corre com botinas e não mais saltos alto. Sua personagem Claire continua a mais irritante possível, e nem mesmo ao lado de Laura Dern (que está absolutamente incrível nesse final), de volta como a Dra. Ellie Sattler, a atriz consegue entregar bons momentos. Nem mesmo com o instinto maternal que Claire desenvolve e que basicamente norteia todas as ações da personagem e criam uma das cenas mais tensas de todo o filme, onde a vemos precisar escapar de um grande dinossauro ao mergulhar num lago estranho verde e gosmento, dá para falar que foi um bom trabalho.

Mas o que dá certo em Jurassic World: Domínio? Simples, o longa acerta é na introdução da personagem de DeWanda Wise, a pilota Kayla que emana um carisma tão grande em tela e que domina a atenção em todos os momentos que aparece, seja por fazer um avião decolar no meio de uma pista de pousa improvisada no meio do mar, enquanto um dinossauro a persegue e pula no avião em pleno ar, ou ao correr de dinossauros no meio da floresta e com suas frases debochadas.

Seja qual momento for, Wise rouba as cenas para si e faz a melhor coisa do novo filme. Já Sam Neill e Jeff Goldblum estão para apenas trazer o trio de volta mesmo ao lado de Dern, basicamente a única com algum tipo de desenvolvimento no novo filme. Neill parece que apenas “acena” quando foi mandado e que está ali por obrigação.  Já o personagem de Goldblum, o divertido Ian Malcolm, até tem uma certa função na trama mas também nada que se destaca, ou chame a atenção, é uma ou outra cena ou frase de efeito marcante durante um longa de mais de 2 horas. O personagem trabalha para a mega corporação farmacêutica liderada pelo CEO Lewis Dodgson (Campbell Scott) e seu aprendiz Ramsy (Mamoudou Athie, muito bem), um tipo de Apple dos remédios onde desde do escritório em forma redonda, até a aparência e personalidade com  seu executivo principal parece com a empresa de tecnologia, que é a grande responsável por explorar as consequências da debandada dos dinossauros por todos os cantos da Terra.

Se passaram mais de 4 anos depois dos eventos do filme anterior, e claro, no meio de uma catástrofe natural global, alguém sempre parece que vai querer faturar algum dinheiro, não é mesmo? E aqui, a empresa liderada por Dodgson está em busca de experimentos científicos que estão relacionados com os dinossauros, seus DNAs, e claro, a jovem Maisie Lockwood (Isabella Sermon), personagem apresentada no segundo filme e que vive escondida com Owen, Claire e a baby Blue, que também está de volta. 

E quem também retorna, como um bom filme da franquia, e até citado por um personagem no longa, é o Dr. Henry Wu (BD Wong) que parece mais uma vez brincar de Deus e liderar mais um experimento. Quem tiver pavor de insetos se preparem por aqui estão estão do tamanho de dinossauros, literalmente. Assim, Jurassic World: Domínio coloca então nossos protagonistas para tentarem desvendar essa “conspiração” onde temos os personagens por trabalharem individualmente para tentar desmascarar a empresa depois que a jovem Maisie é sequestrada pelos vilões do filme, uma delas interpretada pela atriz Dichen Lachman, poderia ser muito bem uma vilã de James Bond.

Bryce Dallas Howard, Jeff Goldblum, Laura Dern, Sam Neill e DeWanda Wise em cena de Jurassic World: Domínio
Foto: © 2022 Universal Studios and Amblin Entertainment. All Rights Reserved.

Quando todos os personagens (antigos e novos) estão reunidos na empresa que vem por acumular dinossauros em suas dependências é que Jurassic World: Domínio ganha um certo fôlego ao se aproveitar dos talentos combinados de todos eles juntos e contra os dinossauros que resolvem dominar o lugar. As cenas que eles precisam fugir das armadilhas e dos mais variados dinossauros que estão querendo impor seu domínio naquela região, são os momentos que o filme entrega suas melhores partes, onde o grupo de atores consegue entregar boas passagens e momentos divertidos e espirituosos que faltaram no começo do longa quando todo mundo estava separado. Temos grandes combates entre esses ferozes animais, temos dois mega predadores envolvidos na luta pela dominação do lugar, e também ficamos na expectativa de vermos se o grupo vai conseguir sair de lá com as evidências de que a empresa corrompe o ecossistema. 

No final, Jurassic World: Domínio entrega um filme que deve agradar os fãs da franquia bem mais que o espectador casual, apenas por dar aquilo que os fãs queriam: o retorno do trio principal de atores que foi responsável por cativar gerações de pessoas ao longo dos anos, novamente nos mesmos papéis depois de tantos anos. O mantra de Hollywood em se apoiar em personagens antigos para passarem o bastão para novos ganha mais um capítulo, mesmo que de longe tenha sido o seu menos interessante até então quando se trata do assunto. 

Avaliação: 2.5 de 5.

Jurassic World : Domínio chega em 02 de junho nos cinemas nacionais.

3 Replies to “Jurassic World: Domínio | Crítica: Final da trilogia apela para elenco antigo e nostalgia

  1. Concordo totalmente. Eles fizeram momentos nostálgicos (repetindo cenas do primeiro Jurassic Park – eles girando no carro, o Ian usando algo pra chamar atenção do dinossauro, etc) mas o filme não tem uma história boa e a melhor personagem, a Kayla, não é nem desenvolvida (quem que em sã consciência vai se arriscar naquele lugar só porque viu a garota sendo levada??). Infelizmente terminou muito mal =/

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