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High Fidelity | Crítica: Zoë Kravitz relembra seus TOP 5 términos mais marcantes em uma das 5 séries mais legais do ano.

Rob olha para câmera e começa a narrar as cinco separações mais memoráveis de todos os tempos para o espectador. Só que aqui não estamos falando de John Cusack como Rob Gordon, um dono de uma loja de discos que vive em Nova York e que procura o amor, e sim de Rob Brooks da atriz Zoë Kravitz que dá vida para a personagem em High Fidelity, nova série da Starzplay, que finalmente desembarca no Brasil com 10 episódios. 

Lançado em 2000, Alta Fidelidade (High Fidelity, 2000) acompanhava o personagem de Cusack navegar pelo cenário amoroso de Nova York enquanto citava listas de Top 5 melhores coisas diversas, como Top 5 términos mais marcantes de todos os tempos que seriam levados para uma ilha deserta, ou ainda Top 5 de canções que ele queria que fossem cantadas em seu enterro, mas aqui, a nova versão em série do livro/filme coloca uma mulher negra, super descolada, bissexual para contar a sua lista de términos e nos guiar rumo à sua jornada de auto-conhecimento.

High Fidelity | Crítica
Foto: StarzPlay

High Fidelity foi lançada nos EUA no começo do ano, bem na época do Dia dos Namorados, quando a gente não sabia que o mundo iria ficar preso em casa por mais de 5 meses por conta de uma pandemia… imagino o que a Rob de Kravitz faria se não pudesse falar com seus contatinhos por tanto tempo.

Afinal, na série Rob vive por se lamentar sobre seu término com Mac (Kingsley Ben-Adir), que aconteceu tem mais de 1 ano depois que o rapaz se mudou da cidade e foi para Londres, fazer suas listas de Top 5 coisas, montar playlists perfeitas, olhar para a câmera (sim High Fidelity tem a quebra da quarta parede!) e claro andar por uma Nova York super hipster no bairro do Brooklyn fumando seu cigarro e divagando sobre músicas, livros, discos, filmes, afinal essas coisas importam, sabe?

E tudo isso junto, unido com a temática da série, a atuação de Kravitz, e uma trilha sonora maravilhosa, fazem, definitivamente, de High Fidelity uma das 5 séries mais legais do ano, sem dúvida nenhuma.

Claro, para quem assistiu o filme original, muitas das passagens estão ali, as piadas, o drama desnecessário sobre os relacionamentos, os personagens sem noção e claro, a busca da protagonista para tentar descobrir a resposta para famosa pergunta: o errado sou eu ou você? E aqui, em High Fidelity, a resposta pode ser uma das mais incômodas: sim, é você Rob! Kravitz cria essa nova personagem com uma força em tela gigante, ela é carismática, ela é complexa, ela é intensa, e principalmente Rob, às vezes, não é uma boa pessoa. Assim, Kravitz, e a série, desenvolve camadas muito maiores que o personagem de Cusack fez no filme. Ao olhar para si, e avaliar os problemas que tem, Rob parte nessa jornada de auto-descoberta muito interessante que dá um charme super bacana para a série. High Fidelity não mostra suas coisas logo de cara, e como basicamente é Rob quem nos conta as coisa, ela acaba por não ser a mais das narradoras mais confiáveis, e ao longo dos episódios, percebemos que ela esconde muitas informações da gente e que só lá na frente sabemos o que é, e o motivo. Um exemplo? A mão cortada quando ela está no seu primeiro encontro após meses do seu término com Mac, logo no primeiro episódio.

Quando pensamos que a série não poderia ir além do filme, Mac (Ben-Adir, ótimo) retorna para a cidade juntamente com sua nova namorada Lily (Quem é essa maldita Lily? afirma Rob), e a garota agora precisa co-existir com o ex, que é super amigo do seu irmão Cameron (Rainbow Sun Francks) – aliás quem os apresentou – a nova namorada, e claro lidar com seus novos contatinhos. Enquanto tenta superar o ex, Rob se envolve com o vocalista bonitão Liam (Thomas Doherty), uma versão do papel que sua mãe Lisa Bonet fez no filme dos anos 2000, e ainda o todo certinho, super gente boa e tímido Clyde (Jake Lacy) que precisa ajudar a jovem a navegar por esse novo mundo.

O mais bacana é que High Fidelity deixa claro que Rob não se dá o trabalho de perceber, e entender os sentimentos dos outros, ter um pouco de empatia e respeitar os desejos dos outros, antes dos seus, e claro mina todas as tentativas de ter um relacionamento saudável. E isso vale tanto para seus relacionamentos amorosos quanto para suas amizades.

High Fidelity | Crítica
Foto: Phillip Caruso/StarzPlay

A dupla de amigos e funcionários da loja de discos, o pilhado Simon (David H Holmes) e a vocal Cherise (Da’Vine Joy Randolph, uma revelação) percebem que são sempre sugados para os dramas de Rob e não querem viver em função da amiga/chefe o tempo todo. Randolph rouba todas as cenas como a colega que quer fazer acontecer no cenário musical e Holmes faz um cara que também tem seus problemas de relacionamentos com outros rapazes (e tem seu episódio próprio o 1×08 –  Ballad of the Lonesome Loser). Assim, o trio de amigos faz mais uma versão de um grupo de desajustados que vivem suas a vida em Nova York com seus altos e baixos. High Fidelity ultrapassa a linha do filme e cria histórias muito mais interessantes de se acompanhar por conta da habilidade dos atores em nos fazer ligar e se conectar com esses personagens.

E os 10 episódios da série são curtinhos, e a história é completamente viciante como se Rob, Simon e Cherise fosse realmente nossos amigos de verdade, onde a série engrena muito mais quando deixamos as comparações com o filme de lado. Ao confrontar seu passado, Rob pode ter a chance de criar um novo futuro para ela.

No final, High Fidelity faz uma das produções mais descoladas, divertidas, e com um dos melhores textos do ano, mas que foi completamente esnobada, e deixada do outro lado da rocha, tanto pelo público, quanto pela temporada de premiações. High Fidelity, Zoë Kravitz, e a série como um todo, merecia muito mais.

High Fidelity chega com episódios semanais a partir de 10 de setembro no StarzPlay que cordialmente os enviou para o ArrobaNerd escrever essa crítica.

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