sábado, 02 março, 2024
InícioEntrevistasCom Carlinhos e Carlão é "importante furar o bolha" e falar com...

Com Carlinhos e Carlão é “importante furar o bolha” e falar com o maior número de pessoas possíveis afirma Luis Lobianco

Para nós Carlinhos e Carlão termina na maior nota possível (leia a crítica aqui) e em entrevista para o Arroba Nerd junto com outros jornalistas, os atores Luis Lobianco, Luis Miranda e Marcelo Souza (a drag queen Suzy Brasil) comentaram um pouco sobre suas experiências no filme, como foi gravar o longa, lá em 2017, e a expectativa de finalmente lançar esse projeto para o público mesmo que no streaming.

Sobre a produção do longa

“Eu quis chamar todos meus amigos e amigas do Buraco da Lacraia para participarem com a gente para conseguirmos recriar o ambiente alegre, de liberdade, de festa, de celebração, e esperança, que o Buraco tem..” afirma Lobianco, o protagonista do longa Carlinhos e Carlão que conta a história de um mecânico chamado Carlão que da noite para o dia ganha uma versão muito mais divertida e menos intolerante de si, o Carlinhos.

“Foi uma madrugada inteira fazendo aquilo. Foi uma noite de trabalho que eu vou lembrar para sempre” diz o ator que já teve passagens pelo humorístico da internet Porta dos Fundos, e ainda pela TV Globo e Multishow. “Eu fiquei muito feliz em reunir essas pessoas, esse elenco, e contando essa história que eu pude interferir o tempo todo, desde do convite, até agora, esse momento de entregar [o filme] para o público, de opinar, de ser dono do filme… é um privilégio. Não é sempre o que o artista tem essa possibilidade.”

Perguntado sobre o filme e o que ele representa, Lobianco diz que Carlinhos e Carlão “é um filme que tem que causar um sentimento nas pessoas” Lançada no Prime Video depois de flertar um lançamento nos cinemas, a comédia fala sobre homofobia, estereótipos, mas que segundo o ator “quer chegar falar sobre liberdade e a luta”.

Prime Video amplia presença nacional com entrada de produções locais no catálogo

Foto: Prime Video

Já Suzy, o alter-ego drag de Marcelo Souza, que interpreta o garçom Guga no longa diz que “a cena final é todo o ambiente da minha vida, eu faço isso há 26 anos, e estar ali naquela hora, com aquelas pessoas, com vários amigos ali, para mostrar uma realidade que eu vivi a minha vida inteira para o mundo, eu estava extremamente emocionada no final do filme, na véspera eu já tava chorando…”

Sobre a cena final, “ela é linda!” afirma a artista que viu em Carlinhos e Carlão ser seu primeiro longa. Ela diz que é contagiante tudo aquilo que acontece com o Carlinhos, um dos personagens de Lobianco no filme. “Todo mundo aplaudindo aquele momento dele. Foi lindo para gente e foi lindo para quem assiste!”

Ela finaliza “As pessoas vão conseguir perceber a alegria, o amor envolvido”.

Para ela suas duas cenas preferidas são claro a cena final, e também uma cena que o seu personagem e o personagem de Lobianco se vêem envolvidos em uma confusão e que rola um milkshake voador por ai, sem spoilers.

Miranda faz um participação no longa como um dono de uma loja de armários, onde Carlão encontra o objeto mágico que muda sua vida, diz que tudo faz parte do bom roteiro que o longa tem “uma condução bacana e que acaba numa mensagem e que acerta muito” .

Como foi criar os personagens

Foto: Prime Video

Sobre a composição dos personagens, Lobianco diz que fazer o Carlão “foi muito fácil…foi quase um expurgo. A gente encontra um monte de Carlão a vida toda. E quando a gente tem aquilo ali escrito para você fazer o seu jeito, agora é a minha vez, agora vou fazer esse cara o mais escroto possível“.

Já com Carlinhos, o ator afirma ter sido um pouco mais difícil. Ele diz que foi difícil pois é mais próximo da sua realidade. “E não é por que eu seja igual ao Carlinhos, mas por que eu conheço muitos Carlinhos… as referências são muitas, e a gente quer abraçar todos”. E nos momentos finais do filme, Lobianco afirma que aquilo tudo acaba por ser “uma combinação de seus valores e ele mesmo em tela”.

O tom político do longa

Sobre a tal mensagem que o filme quer passar e que os atores comentaram, diz sobre o momento que o país vive com o aumento da intolerância e um cenário político nacional turbulento, não só para a comunidade LGBT+, mas para a cultura de uma forma geral. Suzy diz que Carlinhos e Carlão funciona pois teve Luis Lobianco no papel principal que ajudou a compôr o personagem por conta da vivência do ator em casas de shows. E por conta dessa vivência de Lobianco, que ajudou a performer a descolar o papel no longa. Ela diz que quando recebeu o convite ficou surpresa, e a justificativa veio do próprio Lobianco que achou que Suzy era a escolha ideal afinal ela é uma drag queen, uma figura da noite do Rio de Janeiro e que tinha propriedade para fazer o papel. No filme, Suzy interpreta um garçom que também é uma drag queen e ajuda Carlinhos a navegar pelo mundo gay recém descoberto.

E Miranda diz que isso vem de um movimento de politização que busca dar espaço para as pessoas dentro dos seus locais de fala contarem suas histórias, tanto no movimento LGBT+ quando no movimento negro. Ele afirma “a gente tem visto essa movimentação na TV e no cinema com as discussões para a recolocação das pessoas nos seus lugares da fala…e nós os artistas temos apanhado bastante nesse processo de governo que temos vivendo… o filme chega no streaming pois estamos desapoiados para ir para o cinemas, não temos condições para ir para o cinemas… isso é um ato de resistência. Não estamos de forma presencial, mas estamos aqui dizendo que o cinema existe, que vamos continuar a falar as nossas coisas, não vamos baixar a cabeça, isso é um ato político.” 

Ele finaliza “vamos estar em breve nos cinemas de novo, e vamos estar ocupando de novo sim”.

Suzy afirma que lá em 2017, quando o filme foi gravado, “ele era extremamente necessário hoje a gente fala 15 vezes que é necessário esse filme nesse momento. Ela completa “A gente vive um momento de retrocesso tão grande que se o filme fosse lançado daqui 5 anos e a gente ia estar desesperado por esse filme”

Lobianco diz que ainda é muito pouco os direitos para a comunidade LGBT+ “a gente já conseguiu muita coisa [em relação a direitos], casamento civil, a lei que enquadra homofobia… mas ainda é muito pouco. Mesmo com tudo isso, a nossa comunidade não é respeitada. É urgente falar do que a gente está falando é um filme que se potencializou, por que talvez pela temática dele e pela ousadia, talvez nem fosse realizado hoje com todos os filtros e tudo que tá acontecendo, a guerra cultura que foi declarada a nossa classe artística e a nossa existência como LGBT+.

Ele finaliza “A nossa missão, os artistas, o que a gente tá fazendo é um tipo de militância com humor que é isso, é chegar no coração das pessoas abrir o coração das pessoas com humor e colocar essa sementinha tão importante que vai transformar esse mundo.”

Foto: Prime VIdeo

Sobre como o público vai encarrar o longa.

O elenco ao ser perguntado como eles esperam que será a recepção do longa para o público conservador eles dizem achar que será “suave”. Lobianco diz que é suspeito para falar, mas acha que é o filme “muito bonito, que entrega uma sensibilidade com um grande cuidado da produção, e também é um filme muito estratégico.”

O ator comenta “que não é só para falar para a nossa bolha, é para comunicar para as pessoas que tão no metrô, que saem e voltam do trabalho, que não tem hábito para ir ao teatro, que não tem hábito de ir ao cinema. É muito importante furar essa bolha.”

Lobianco diz “o filme chega no público que tá em casa que não é aquela família brasileira real que não é papai, mamãe, filhinho, e sim naquela casa com a vovó que segura a onda da família toda, uma mãe, um que pega o outro para criar, e que ajuda, essa é a família real brasileira que vai vir com a gente. Eu tenho certeza.” 

Suzy diz “eu acho que o filme vai dar uma chamadinha em todo mundo que assistir. Aquela pessoa que for muito homofóbica, radical, que não conseguir entender a mensagem pode até gostar”. Ela completa “A mensagem pode não tocar como deveria, mas pelo menos vai ajudar criar uma empatia. O roteiro é muito estratégico com uma estrutura pensada para isso”. 

Miranda completa “O filme tem doçura, ele tem esse lugar do humor, que leva um reflexão divertida que não tem censura e que as pessoas se sentem representadas. A gente quer tocar as pessoas e o filme faz isso.”

Miranda diz que todo mundo tá bem representado ali, ele diz que todos eles são Carlão e Carlinhos lá. “Todo mundo foi bem dirigido [pelo Pedro Amorim] e por uma equipe maravilhosa.”

Lobianco diz que o filme ajuda a quebrar os estereótipos dentro da comunidade LGBT+ e que são colocados nele de forma proposital. E o ator também afirma e diz que “temos a ideia de se apropriar daquilo que foi produzido para nos machucar e ferir durante toda a nossa existência. Todos os estereótipos, hoje estão mais presentes, e mais atuais. Estamos nos apropriando deles e usando como uma ferramenta política.” 

Perguntado sobre uma possível continuação o ator diz que gostaria de trabalhar ainda mais a questão de representatividade.

Carlinhos e Carlão disponível no Prime Video.


Miguel Morales
Miguel Moraleshttp://www.arrobanerd.com.br
Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

Artigos Relacionados

Newsletter

Assine nossa Newsletter e receba todas as principais notícias e informações em seu email.

Mais Lidas

Confira a lista de dubladores nacionais da animação Patos!

Claudia Raia, Ary Fontoura e mais na lista de dubladores nacionais da animação Patos! Chega em janeiro nos cinemas.

Os lançamentos de Março na Max

Os lançamentos no Star+ em Março

Try Apple TV

Últimas

Emily Blunt negocia participação em longa com The Rock sobre lutador de MMA

Emily Blunt negocia participação em longa com The Rock sobre lutador de MMA.

Os lançamentos de Março na Max

Os lançamentos de Março no Prime Video

Os destaques no Disney+ em Março

Os lançamentos no Star+ em Março

Try Apple TV