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Com Carlinhos e Carlão é “importante furar o bolha” e falar com o maior número de pessoas possíveis afirma Luis Lobianco

Para nós Carlinhos e Carlão termina na maior nota possível (leia a crítica aqui) e em entrevista para o Arroba Nerd junto com outros jornalistas, os atores Luis Lobianco, Luis Miranda e Marcelo Souza (a drag queen Suzy Brasil) comentaram um pouco sobre suas experiências no filme, como foi gravar o longa, lá em 2017, e a expectativa de finalmente lançar esse projeto para o público mesmo que no streaming.

Sobre a produção do longa

“Eu quis chamar todos meus amigos e amigas do Buraco da Lacraia para participarem com a gente para conseguirmos recriar o ambiente alegre, de liberdade, de festa, de celebração, e esperança, que o Buraco tem..” afirma Lobianco, o protagonista do longa Carlinhos e Carlão que conta a história de um mecânico chamado Carlão que da noite para o dia ganha uma versão muito mais divertida e menos intolerante de si, o Carlinhos.

“Foi uma madrugada inteira fazendo aquilo. Foi uma noite de trabalho que eu vou lembrar para sempre” diz o ator que já teve passagens pelo humorístico da internet Porta dos Fundos, e ainda pela TV Globo e Multishow. “Eu fiquei muito feliz em reunir essas pessoas, esse elenco, e contando essa história que eu pude interferir o tempo todo, desde do convite, até agora, esse momento de entregar [o filme] para o público, de opinar, de ser dono do filme… é um privilégio. Não é sempre o que o artista tem essa possibilidade.”

Perguntado sobre o filme e o que ele representa, Lobianco diz que Carlinhos e Carlão “é um filme que tem que causar um sentimento nas pessoas” Lançada no Prime Video depois de flertar um lançamento nos cinemas, a comédia fala sobre homofobia, estereótipos, mas que segundo o ator “quer chegar falar sobre liberdade e a luta”.

Prime Video amplia presença nacional com entrada de produções locais no catálogo

Foto: Prime Video

Já Suzy, o alter-ego drag de Marcelo Souza, que interpreta o garçom Guga no longa diz que “a cena final é todo o ambiente da minha vida, eu faço isso há 26 anos, e estar ali naquela hora, com aquelas pessoas, com vários amigos ali, para mostrar uma realidade que eu vivi a minha vida inteira para o mundo, eu estava extremamente emocionada no final do filme, na véspera eu já tava chorando…”

Sobre a cena final, “ela é linda!” afirma a artista que viu em Carlinhos e Carlão ser seu primeiro longa. Ela diz que é contagiante tudo aquilo que acontece com o Carlinhos, um dos personagens de Lobianco no filme. “Todo mundo aplaudindo aquele momento dele. Foi lindo para gente e foi lindo para quem assiste!”

Ela finaliza “As pessoas vão conseguir perceber a alegria, o amor envolvido”.

Para ela suas duas cenas preferidas são claro a cena final, e também uma cena que o seu personagem e o personagem de Lobianco se vêem envolvidos em uma confusão e que rola um milkshake voador por ai, sem spoilers.

Miranda faz um participação no longa como um dono de uma loja de armários, onde Carlão encontra o objeto mágico que muda sua vida, diz que tudo faz parte do bom roteiro que o longa tem “uma condução bacana e que acaba numa mensagem e que acerta muito” .

Como foi criar os personagens

Foto: Prime Video

Sobre a composição dos personagens, Lobianco diz que fazer o Carlão “foi muito fácil…foi quase um expurgo. A gente encontra um monte de Carlão a vida toda. E quando a gente tem aquilo ali escrito para você fazer o seu jeito, agora é a minha vez, agora vou fazer esse cara o mais escroto possível“.

Já com Carlinhos, o ator afirma ter sido um pouco mais difícil. Ele diz que foi difícil pois é mais próximo da sua realidade. “E não é por que eu seja igual ao Carlinhos, mas por que eu conheço muitos Carlinhos… as referências são muitas, e a gente quer abraçar todos”. E nos momentos finais do filme, Lobianco afirma que aquilo tudo acaba por ser “uma combinação de seus valores e ele mesmo em tela”.

O tom político do longa

Sobre a tal mensagem que o filme quer passar e que os atores comentaram, diz sobre o momento que o país vive com o aumento da intolerância e um cenário político nacional turbulento, não só para a comunidade LGBT+, mas para a cultura de uma forma geral. Suzy diz que Carlinhos e Carlão funciona pois teve Luis Lobianco no papel principal que ajudou a compôr o personagem por conta da vivência do ator em casas de shows. E por conta dessa vivência de Lobianco, que ajudou a performer a descolar o papel no longa. Ela diz que quando recebeu o convite ficou surpresa, e a justificativa veio do próprio Lobianco que achou que Suzy era a escolha ideal afinal ela é uma drag queen, uma figura da noite do Rio de Janeiro e que tinha propriedade para fazer o papel. No filme, Suzy interpreta um garçom que também é uma drag queen e ajuda Carlinhos a navegar pelo mundo gay recém descoberto.

E Miranda diz que isso vem de um movimento de politização que busca dar espaço para as pessoas dentro dos seus locais de fala contarem suas histórias, tanto no movimento LGBT+ quando no movimento negro. Ele afirma “a gente tem visto essa movimentação na TV e no cinema com as discussões para a recolocação das pessoas nos seus lugares da fala…e nós os artistas temos apanhado bastante nesse processo de governo que temos vivendo… o filme chega no streaming pois estamos desapoiados para ir para o cinemas, não temos condições para ir para o cinemas… isso é um ato de resistência. Não estamos de forma presencial, mas estamos aqui dizendo que o cinema existe, que vamos continuar a falar as nossas coisas, não vamos baixar a cabeça, isso é um ato político.” 

Ele finaliza “vamos estar em breve nos cinemas de novo, e vamos estar ocupando de novo sim”.

Suzy afirma que lá em 2017, quando o filme foi gravado, “ele era extremamente necessário hoje a gente fala 15 vezes que é necessário esse filme nesse momento. Ela completa “A gente vive um momento de retrocesso tão grande que se o filme fosse lançado daqui 5 anos e a gente ia estar desesperado por esse filme”

Lobianco diz que ainda é muito pouco os direitos para a comunidade LGBT+ “a gente já conseguiu muita coisa [em relação a direitos], casamento civil, a lei que enquadra homofobia… mas ainda é muito pouco. Mesmo com tudo isso, a nossa comunidade não é respeitada. É urgente falar do que a gente está falando é um filme que se potencializou, por que talvez pela temática dele e pela ousadia, talvez nem fosse realizado hoje com todos os filtros e tudo que tá acontecendo, a guerra cultura que foi declarada a nossa classe artística e a nossa existência como LGBT+.

Ele finaliza “A nossa missão, os artistas, o que a gente tá fazendo é um tipo de militância com humor que é isso, é chegar no coração das pessoas abrir o coração das pessoas com humor e colocar essa sementinha tão importante que vai transformar esse mundo.”

Foto: Prime VIdeo

Sobre como o público vai encarrar o longa.

O elenco ao ser perguntado como eles esperam que será a recepção do longa para o público conservador eles dizem achar que será “suave”. Lobianco diz que é suspeito para falar, mas acha que é o filme “muito bonito, que entrega uma sensibilidade com um grande cuidado da produção, e também é um filme muito estratégico.”

O ator comenta “que não é só para falar para a nossa bolha, é para comunicar para as pessoas que tão no metrô, que saem e voltam do trabalho, que não tem hábito para ir ao teatro, que não tem hábito de ir ao cinema. É muito importante furar essa bolha.”

Lobianco diz “o filme chega no público que tá em casa que não é aquela família brasileira real que não é papai, mamãe, filhinho, e sim naquela casa com a vovó que segura a onda da família toda, uma mãe, um que pega o outro para criar, e que ajuda, essa é a família real brasileira que vai vir com a gente. Eu tenho certeza.” 

Suzy diz “eu acho que o filme vai dar uma chamadinha em todo mundo que assistir. Aquela pessoa que for muito homofóbica, radical, que não conseguir entender a mensagem pode até gostar”. Ela completa “A mensagem pode não tocar como deveria, mas pelo menos vai ajudar criar uma empatia. O roteiro é muito estratégico com uma estrutura pensada para isso”. 

Miranda completa “O filme tem doçura, ele tem esse lugar do humor, que leva um reflexão divertida que não tem censura e que as pessoas se sentem representadas. A gente quer tocar as pessoas e o filme faz isso.”

Miranda diz que todo mundo tá bem representado ali, ele diz que todos eles são Carlão e Carlinhos lá. “Todo mundo foi bem dirigido [pelo Pedro Amorim] e por uma equipe maravilhosa.”

Lobianco diz que o filme ajuda a quebrar os estereótipos dentro da comunidade LGBT+ e que são colocados nele de forma proposital. E o ator também afirma e diz que “temos a ideia de se apropriar daquilo que foi produzido para nos machucar e ferir durante toda a nossa existência. Todos os estereótipos, hoje estão mais presentes, e mais atuais. Estamos nos apropriando deles e usando como uma ferramenta política.” 

Perguntado sobre uma possível continuação o ator diz que gostaria de trabalhar ainda mais a questão de representatividade.

Carlinhos e Carlão disponível no Prime Video.

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