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Utopia | Crítica 1ª Temporada: A série mais pirada e imprevisível de 2020

Você chegou em Distopia! Para os fãs de quadrinhos, Utopia é uma daquelas séries para se acompanhar de perto e descobrir e desvendar todas as pistas juntos. Utopia além de apresentar uma trama que conecta tão bem com a nossa realidade –  vivemos também uma pandemia, igual na história do seriado – ainda entrega personagens e situações que a qualquer momento poderiam pintar nas telas dos jornais.

E Utopia, que chega no Prime Video, no dia 30 é isso: Uma incrível sequência de desventuras malucas e piradas sobre fãs de quadrinhos e conspirações. O grande trunfo da série é esse, conseguir entregar personagens extremamente cativantes e que ajudam a conduzir a trama imprevisível que Utopia desenrola nos seus primeiros 7 episódios que eu vi, serão 8.

Utopia – Crítica
Foto: Elizabeth Morris/Amazon Studios – © 2020

E muito disso se dá pelo fato que a versão americana da série britânica foi adaptada pela autora Gillian Flynn, dos livros de suspense Garota Exemplar, Objetos Cortantes e Lugares Escuros, onde os dois primeiros foram adaptados para o cinema e para a TV, respectivamente. Flynn tem um tato incrível para esse tipo de história, onde nem tudo é o que parece ser numa primeira olhada, onde as coisas se desenrolam e ficam piores a cada cena e situação.

Em Utopia é como se estivéssemos em um grande jogo de xadrez, onde as peças estão posicionadas ao longo do jogo de um jeito, e a medida que elas se mexem, mudam toda a forma que entendemos e compreendemos quem são, onde estão, e como se comportam cada lado do jogo.

E o começo de Utopia é super divertido de se acompanhar, afinal, o seriado tem um humor meio peculiar que se apresenta com a situação que dá o pontapé inicial para a série: Uma convenção de quadrinhos chamada FringeCon!

E é aí que somos apresentados para o nosso grupo de nerds conspiratórios que se conheceram em um fórum de discussão on-line, onde debatem e analisam minuciosamente todos os detalhes da história em quadrinhos chamada Distopia. Segundo eles, a HQ tem pistas escondidas nos seus desenhos que mostram grande parte das doenças que devastaram o mundo nos últimos tempos e que estão escondidas na história da jovem Jessica Hayde que vive presa com seu pai, um cientista, e o grande vilão do misterioso Sr. Coelho.

Assim, quando a sequência da HQ nunca publicada aparece dando sopa por lá, o grupo se reúne para tentar comprar. Mas eles não serão os únicos que estão nessa jornada.

Utopia nesse começo tem um ar meio Tarantino de contar sua história e realmente me cativou desde dos primeiros momentos. O mais divertido é acompanhar que todos eles são completamente diferente entre si, e estão conectados apenas por um interesse em comum: Distopia. Assim, conhecemos  Wilson Wilson (Desmin Borges, incrível), um cara que realmente acredita em todas as teorias de conspiração possíveis, inclusive até tem um bunker de sobrevivência em casa; Becky (Ashleigh LaThrop), uma garota que busca em Utopia a chance de encontrar alguma resposta para sua doença misteriosa; Ian (Dan Byrd), um garoto comum que tem uma queda por Becky, mesmo sem nunca a ter visto pessoalmente, e a ativista Samantha (Jessica Rothe) que usa Distopia para tentar transformar o mundo no lugar melhor. Isso, sem falar no garotinho Grant (Javon ‘Wanna’ Walton) que parece viver por conta própria e que movimenta a trama.

E todos eles parecem aproveitar e curtir a FringeCon e estão ansiosos para o término do leilão e ver se eles vão conseguir colocar as mãos na HQ. Até que eles são surpreendidos pela chegada de uma misteriosa garota que diz ser Jessica Hyde (Sasha Lane) em pessoa. O quê? Assim, o grupo descobre que tudo que eles sempre leram, e fizeram suas teorias durante anos é real. Afinal, em Utopia temos um vírus no meio de suas páginas, mas ninguém viu a história completa.

E desde desse primeiro episódio (1×01 – Life Begins), Utopia se mostra uma série bem intensa e que não poupa esforços para ser violenta quando precisa ser, e claro, não poupa ninguém. E isso está ligado com a presença do assassino de aluguel Arby (Christopher Denham, ótimo) que realmente tem todas as conexões possíveis com Utopia e que fica na cola do grupo de nerds, afinal, todo mundo que leu o livro precisa morrer. 

O que eu mais achei interessante em Utopia é que a simples história em quadrinho é a grande responsável por desencadear uma grande conspiração que envolve um vírus mortal, uma indústria farmacêutica mega evil liderada pelo seu CEO, o dr. Kevin Christie (John Cusack) e seu filho, o executivo Thomas (Cory Michael Smith), o poder das fake news, e ainda o governo dos EUA. Em Utopia, a verdade está lá fora pronta para ser desvendada por esse grupo de jovens comuns liderados pela fugitiva Jessica Hayde enquanto eles fazem de tudo para merecer lugares no mundo lotado.

Utopia a cada episódio cai de cabeça na mitologia criada para o seriado, e nos apresenta aos poucos sua história onde vamos, junto com os personagens, desvendando o que poderia ser apenas uma série de coincidências. Algumas são fáceis de encaixar as peças, outras foram boas surpresas que me fizeram tapar a boca de surpresa assistindo.

E ao mesmo tempo, que Utopia desenrola rapidamente sua trama, tem várias histórias em paralelo, afinal, não é só o time do Dr. Christie que lida com essa pandemia, mas também o virologista Michael Stearns (Rainn Wilson, sensacional no papel) que tem uma história própria de quando ele descobre que o vírus que ele estudou durante anos é um dos responsáveis por deixar essas crianças doentes.

Utopia – Crítica
Foto: Elizabeth Morris/Amazon Studios – © 2020

Utopia navega entre a área cinzenta do mundo real onde ninguém é extremamente bom ou ruim, e dá tempo para descobrirmos mais sobre os personagens e suas motivações e acerta em nos deixar empolgado para o próximo episódio e o que vai acontecer quando todos esses personagens se encontraram no final do buraco do coelho, onde o país das (des)maravilhas os aguardam. 

Os episódios finais engrenam bem, onde o 1×04 – not slow not bad faz um dos melhores da primeira temporada, e dá o tom amalucado dos próximos com destaque para o 1×06 – Respect Your Purpose e 1×07 – Talking Hurts.

No final, Utopia tem um ritmo incrível de se acompanhar e faz uma das séries mais divertidas que pude acompanhar na quarentena, e entendo que o seu humor, e seu jeitão bem peculiar, não seja para qualquer um. Mas mesmo assim, Utopia faz uma adição formidável para o catálogo do Prime Video.

Utopia chega no Prime Video em 30 de outubro.

O Prime Video nos enviou os episódios antecipadamente para fazermos nossa cobertura.

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