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Rua do Medo: 1994 – Parte 1 | Crítica: Um slasher de matar… de rir

Depois de alguns anos, uma fusão, e a pandemia, os filmes que compõem a Trilogia da Rua do Medo (Fear Street, 2021) finalmente verão a luz do dia…. agora na Netflix. Planejado com um evento nos cinemas em três partes, os filmes chegam toda sexta-feira de julho no catálogo. E para os fãs do gênero de terror slasher, o primeiro deles, Rua do Medo 1994 é uma gostosura disfarçada de travessura em pleno julho.

Eu particularmente me diverti horrores com o filme, com a ambientação dos anos 90, com as homenagens e com as piscadelas para os filmes da época, e claro, com os personagens e suas histórias contadas aqui.

O roteiro da dupla Leigh Janiak e Phil Graziadei para o filme constrói esses adolescentes como em boa parte dos filmes em que adolescentes são perseguidos por assassinos mascarados: chatos e arrogantes, mas que no final precisam se unir para tentar descobrir quem é, ou no caso aqui, o que que os persegue.

Rua do Medo: 1994 – Parte 1
Foto: Netflix

E Rua do Medo 1994 nos apresenta para esses jovens que vivem na cidade do interior de Shadyside e que além de sofrerem com todos aqueles dramas típicos de adolescentes em filmes teen, também precisam lidar com o fato que talvez a cidade que eles vivem está amaldiçoada, ou pelo menos é o que a jovem Deena (Kiana Madeira, ótima) acha. O maior medo de Deena é ficar presa na cidade, sem futuro, sem perspectiva, e como seu pai se afundar na bebida. E todos os moradores do lugar parecem que vivem em constante terror enquanto esperavam pelo próximo acontecimento ruim acontecer de fato. O da vez e o mais recente: o assassinato da caixa de uma loja do shopping chamada Heather (Maya Hawke) pelas mãos do colega Ryan Torres (David W. Thompson). 

Esse começo que Rua do Medo 1994 faz, me lembrou muito as produções de Ryan Murphy sobre o tema, as séries Scream Queens (que tirava sarro de adolescente sendo perseguidos por um assassino mascarado) e American Horror Story: 1984 (que fazia uma homenagem para o gênero slasher ao colocar a trama em um acampamento, cenário do segundo filme aqui). E ao mesmo tempo que Rua do Medo 1994 já abre com essa cena de assassinato super bem feita, no melhor estilo do primeiro Pânico (1996) com Drew Barrymore correndo por aí, completamente gore e que realmente nos deixa com a certeza que o filme não está para brincadeiras e que todo mundo pode morrer de uma forma ou de outra.

Assim, o roteiro leva um certo tempo para introduzir o espectador em tudo que o longa quer contar. A mitologia da cidade, os personagens, as dinâmicas entre eles, tudo leva um tempo para ser contado e apresentado. Não deixa de ser bacana mergulharmos na história que é contada com a lenda de uma bruxa chamada Sarah Fier que colocou uma maldição no local. E talvez esse tempo que o filme gaste seja necessário para entendermos e compreendermos como funciona a cidade para entendermos os motivos das matanças. Afinal, não é só para gente que o filme precisa explicar e sim fazer com que os nossos personagens também se arrisquem para irem atrás de desvendar esse mortal mistério.

"Rua do Medo"
Rua do Medo: 1994 – Parte 1
Foto: Netflix

Rua do Medo 1994, como o primeiro longa da trilogia, serve para isso mesmo, como um primeiro capítulo, que serve para colocar a grande ameaça que a cidade vive há mais de 300 anos em destaque. Assim, ao vermos efetivamente a figura do mascarado de perseguir os jovens Sam (Olivia Scott Welch vista em Panic) que precisa lidar com o fato de ter se mudado para a cidade vizinha e deixado um relacionamento para trás, Josh (Benjamin Flores Jr.), um garoto que descobre na internet (que estava apenas por começar na época) uma forma de fazer amigos, da debochada Kate (Julia Rehwald) que paga de boa moça, mas comanda um rede de tráfico, e do divertido Simon (Fred Hechinger, visto em A Mulher Na Janela) como o momento em que o filme ganha um fôlego gigante e que realmente Rua do Medo 1994, se garante ao entregar perseguições das mais amalucadas possíveis, como um bom filme slasher dos anos 90, seja o grupo em fuga de um hospital em uma ambulância roubada, na escola pela noite enquanto eles usam um rastro de sangue como isca, ou na cena do confronto final em um mercado que a dose de matanças aumenta.

E é ao abraçar o ritmo caótico do slasher é que faz de Rua do Medo 1994 um bom filme. Claro, poderíamos ter um filme mais curto e enxuto? Sim. Mas Rua do Medo 1994 consegue criar e trabalhar bem essa história e esses personagens que nós fazem sentir por todos eles. Como um bom slasher nem todo mundo vai sobreviver para contar e claro voltar para uma sequência. Mas a história contada serve seu propósito aqui e tem um começo meio e final bem claros e definidos, e também planta e planeja a trama para os outros filmes de maneira bem discreta e que realmente não atrapalha a diversão se você apenas der play nesse filme de forma isolada da trilogia. Eu já tô com roupa de ir para 1978 saber mais sobre essa cidade estranha.

Avaliação: 3 de 5.

Rua do Medo Parte 1: 1994 chega em 2 de julho na Netflix.

Rua do Medo Parte 2: 1978 em 9 de julho e Rua do Medo Parte 3: 1666 em 16 de julho.