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Kevin Can F**k Himself | Primeiras Impressões: Misturando sitcom com drama, série busca camadas profundas de seus personagens

Desde o seu primeiro teaser fiquei empolgado com a temática de Kevin Can F**k Himself e depois de assistir aos seus 3 primeiros episódios, é impossível não se apegar ao drama de Allison e a forma como a série trabalha sua vida em uma sitcom perfeita ao lado de Kevin e como tudo é diferente em sua vida particular. Criada por Valerie Armstrong, que trabalhou em Masters of Sex, esses três primeiros episódios é bem intenso…

A premissa da série é bem simples, temos uma esposa que vive a vida perfeita ao lado do marido, mas quando está longe dele, vemos o drama de sua vida em ser apenas a coadjuvante em sua vida, onde até seus amigos tem mais destaque que ela. Assim é Allison McRoberts (Annie Murphy), casada há 10 anos com Kevin McRoberts (Eric Peterson), ela vê sua vida ir do trabalho para casa e quando está em casa é tudo muito colorido e com Kevin roubando o seu ar.

Na primeira vez que vemos a mudança de sitcom para drama em “Living the Dream“, Kevin Can F**k Himself já nos empolga, pois Murphy consegue levar sua Allison ao extremo, indo da mulher do pastelão para uma mulher que parece que tinha o mundo e os sonhos pela frente, mas tudo foi desgastado. O bom do episódio é que rapidamente nos situamos na vida de Allison e vemos ela como submissa e querendo agradar ao marido, mas é só descobrir que todas as economias deles foi gasta, que ela muda…

Em “New Tricks” vemos ela querendo drogas para drogar o marido e tirá-lo de sua vida, uma mudança muito interessante em sua personalidade, que poderia afetar mais ela ao lado de Kevin, mas nunca muda, ela passa a ser mais ausente, só que Kevin continua roubando sua energia, e nos fazendo odiar aquele homem, a série sabe muito bem nos fazer ficar irritado com cada momento de Kevin e sua família. E só vemos como tudo é mais multidimensional, quando entramos na história de Patty (Mary Hollis Inboden).

Até o episódio “We’re Selling Washing Machines“, Patty é vendida como se não gostasse de Allison, e não gosta mesmo, pois ela tem muitos sonhos, e é ela quem conta sobre Kevin ter gastado o dinheiro das economias do casal para ela. Quando Allison precisa das drogas para o seu plano, ela descobre que Patty é quem vende o remédio que ela precisa, aprofundando mais a estranha “amizade” delas, mas mostrando que Patty leva uma vida bem ruim, namorando um rapaz que ela não gosta muito, Kurt, e até sofrendo ameaças de clientes desesperadas.

Tudo em Kevin Can F**k Himself visa aprofundar mais seus personagens além das confusões da sitcom, e trazer no drama essa profundidade. Se na sitcom o show é total de Kevin, por trás os outros personagens mostram que não gostam muito dele e que estão começando a se encher dessa vida…

As conversas de Allison com o ex, Sam (Raymond Lee), mostram muito como a vida dela era animada e cheias de planos, e como ela foi se fechando, deixando até as amigas de lado e vivendo só o casamento. Sam também vem cheio de problemas, como o casamento com Jenn, mas é seu vício e seu tempo no AA, que nos traz mais certezas sobre as camadas destes personagens.

No fim fica a pergunta, “E Kevin?“… Nada, a série ainda não entrou na mente dele por trás da sitcom nestes três episódios, mas é certo que há muitas camadas por trás de tudo isso… Ainda quero ver mais sobre Pete (Brian Howe), o pai dele, e Neil (Alex Bonifer), o malucão.

Kevin Can F**k Himself peca um pouco no começo pela forma lenta de nos envolver, mas antes da metade do episódio já estamos mais do que envolvidos nos dramas de Allison e na dinâmica que a série propõe com as mudanças de estilo.