O Dublê | Crítica: Longa de ação diverte com bastidores de Hollywood

Com O Dublê, Ryan Gosling deixa os tempos de Ken para trás e com Emily Blunt entrega um divertido longa de ação sobre os bastidores de Hollywood. Nossa crítica.

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É curioso notar o tipo de tempestade perfeita que se forma na medida que O Dublê (The Fall Guy, 2024) vem para abrir a temporada de blockbusters de verão. É um filme que diz muito sobre época que será lançado e que chega nos cinemas num momento que ainda vemos os reflexos, e os desdobramentos, das greves do ano passado em Hollywood. De certa forma, O Dublê acaba por ser uma combinação de vários fatores interessantes que isolados podem soar não tão bacanas, mas quando unidos, ajudam, e fazem, a experiência de assistir esse filme de ação muito melhor.

E esse, talvez, seja o grande trunfo do longa: entregar uma comédia de ação divertida sobre os bastidores de Hollywood. É também o novo filme do coordenador de dublês que virou um diretor disputadíssimo, o talentoso David Leitch (de Deadpool 2, de John Wick); é um filme sobre os bastidores de um filme de ação e que é focado em um dublê bem na época que a Academia de Artes Cinematográficas planeja incluir uma categoria de Melhor Elenco de Dublês na premiação mais conhecida do mundo, o Oscar. É um filme, remake de uma série bastante popular nos anos 80, onde a onda de remakes, sequências e reboots ainda continua, mesmo que agora meio fragilizada. São dois atores que vieram de dois dos maiores sucessos da última década, foram indicados ao Oscar, e surfaram uma onda gigante de exposição nos últimos 7, 8 meses.

O longa então é tudo isso, junto, e tudo isso, ao mesmo tempo, e que acabam por ditarem o tom caótico, imprevisível e divertido de O Dublê que acaba por ser uma combinação desses diversos fatores que dão um tempero especial para o filme, sem dúvidas, e que o faz ser um dos mais legais do ano, até agora. Tem tudo para fazer sucesso. Se vai, só vamos saber quando o público assistir.

Ryan Gosling e Emily Blunt em cena de O Dublê. Foto: © Universal Studios. All Rights Reserved.

E é claro que o carisma de Emily Blunt e Ryan Gosling ajuda e muito a vender esse filme. Afinal, eles juntos, em tela, em O Dublê é chamariz necessário e que faz, e muito, esse filme dar certo, em sair do papel e funcionar. Já o que temos aqui é uma história sobre os bastidores de Hollywood, que tira sarro dos bastidores de Hollywood e que no final serve para provocar e apontar o dedo em algumas coisas surreais que a indústria vive nos últimos tempos. É arriscado? Demais. Mas sinto que Leitch, Gosling e Blunt fazem acontecer. 

E o filme ainda tem debates sobre o uso da inteligência artificial, para a supremacia de filmes de grande orçamento na programação dos estúdios, para o aumento das mulheres em cargos de direção, e tudo mais. Onde tudo isso está presente também aqui na trama e ajudam a contar a história de um dublê (Gosling) que vive por flertar com uma colega (Blunt, ótima) no set em que eles trabalham de um filme de ação estrelado pelo queridinho do momento para aquela Hollywood do longa, o boa pinta, mas meio mala Tom Ryder (Aaron Taylor-Johnson em um bom momento na carreira com o primeiro de três filmes no ano) e que vê um acidente em um dia de trabalho estragar sua carreira e sua vida pessoal.

Meses se passam, Colt, o dublê, se recupera, termina com a colega Joy Moreno (que parte para outra depois de levar um fora dela), e ele se vê trabalhando em um restaurante sem muita perspectiva de futuro, até que recebe a visita de uma mega produtora chamada Gail Meyer (Hannah Waddingham, ótima fazendo bem a transição de sua personagem em Ted Lasso) com o convite para eles trabalharem novamente, agora em um filme que será novamente estrelado por Ryder só que com direção de Moreno que está no comando de seu primeiro projeto..

Hannah Waddingham em cena de O Dublê. Foto: © Universal Studios. All Rights Reserved.

E no meio de idas e vindas ao set, de como funcionam as gravações de filmes e os bastidores de Hollywood, O Dublê cria também uma trama de mistério que serve para movimentar a trama ao mesmo tempo que soa bastante como se fosse uma série de TV com episódios do dia. Talvez, seja uma homenagem do roteirista Drew Pearce (dos filmes Hotel Artemis, Homem de Ferro 3 e o spin-off de Velozes e Furiosos focado em Hobbs & Shaw) para a série de TV de mesmo nome que ia ao ar antigamente na medida que vemos Colt ser incriminado por um crime que não é culpado e precisa usar suas habilidades de luta para se livrar os bandidos que estão em sua cola, ao mesmo tempo que ainda tentar conquistar o coração de Moreno, fazer que tudo dê certo nas últimas gravações do filme para ajudar a salvar também a carreira da amada.

E no meio dessa doideira, que parece mesmo ter saído de um filme, O Dublê realmente empolga nas cenas de ação, onde vemos Gosling (ok, talvez o seu dublê) pular de carros em movimento, lutar freneticamente com capangas, e ainda tentar desvendar o mistério que é apresentado. E com isso, Leitch entrega um bom filme de porradaria. Não é tão estilizado, ou comometratadinho como foi com Atômica, mas chega a ser melhor que Trem-Bala, e mostra que o diretor realmente conseguiu evoluir por trás das câmeras sem deixar sua assinatura clássica de lado. 

Ao assistir O Dublê fica claro que esse é um Film By David Leitch e que dá realmente a oportunidade para Gosling mostrar que finalmente pode ser considerado (depois de Barbie) um verdadeiro A-List em Hollywood na medida que fica claro aqui que o ator consegue segurar um filme de ação, e desse porte, sozinho. Fora que a narração dele para a história em O Dublê, mostra uma Goslinergia muito grande, onde é fato que os tempos de Ken já estão para trás. E o mesmo vale para Blunt que realmente entrega aqui uma personagem bem mais interessante, com um lado bem mais cômico, que é infinitamente bem melhor do que vimos a atriz mostrar ao lado de The Rock, lá Jungle Cruise em 2021, lançado em tempos pandêmicos. Assim, com O Dublê é bom ver a atriz voltar para essas galhofadas depois que nos últimos anos ter mirado em produções mais sérias e dramáticas, como o próprio Oppenheimer que lhe garantiu a indicação ao Oscar no ano passado. 

No final, O Dublê entrega aquilo que falamos, uma aventura cheia de percalços a serem vencidos e que se destaca pela dinâmica fantástica que Gosling e Blunt tem em tela e que ainda não se levar a sério em ser um filme extremamente Meta, na medida que tira sarro de um monte de coisa que rola, e acontece, em Hollywood. Particularmente eu ainda não acredito o quanto o filme que é gravado dentro do filme (chamado MetalStorm) é parecido com a franquia Duna e como eles conseguiriam fazer isso acontecer. Assim, para quem acompanha o que rola na Tinsel Town, O Dublê é um filme imperdível. Para o público casual, é uma aposta certa em diversão com dois dos melhores atores trabalhando em Hollywood no momento. 

Nota:

O Dublê chega com sessões de pré-estreias pagas em 30 de abril nos cinemas e em todo o circuito nacional em 1º de Maio.

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