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Invasão Zumbi 2: Península | Crítica: Parte drama de sobrevivência, parte Velozes e Furiosos longa faz uma grande mistureba

Lançado em 2016, Invasão Zumbi foi uma grande surpresa, teve bastante burburinho online, e foi um dos fatores que ajudou o cinema coreano a ganhar mais destaque em Hollywood. Onde anos mais tarde, vimos esse sucesso se comprovar com o longa Parasita saindo vencedor do Oscar de Melhor Filme no começo do ano. Uma época pré-pandemia, lembram?

O primeiro longa tinha uma trama simples: um vírus desconhecido surge no país, e algumas pessoas tentam fugir dessa epidemia que as transforma em zumbi, e ao fazer isso, elas ficam presas em um trem-bala que está a caminho de Busan, a única cidade que não foi afetada pelo vírus. E o grande mérito de Invasão Zumbi era fazer um filme que se passava quase todo dentro do trem e tinha esse sentimento claustrofóbico de não ter para onde ir. E realmente foi uma grande surpresa.

Já sua sequência, que seria lançada no Festival de Cannes, cancelado veja bem por uma outra pandemia, a do coronavírus, parece que pega o trem para a direção errada.

Invasão Zumbi 2: Península – Crítica
Foto: Paris Filmes

Invasão Zumbi 2: Península (Train to Busan 2: Peninsula, 2020) se dobra totalmente para o público americano, aumenta o escopo de uma forma tão grande, e inclui tanta coisa em sua história, que fica claro que foi feito tipicamente para agradar esse tipo de público, e ao fazer isso, perde totalmente sua essência e DNA próprio. Parte trama de assalto, parte Velozes e Furiosos, e uma pitada de Jogos Vorazes, o roteiro de Invasão Zumbi 2: Península, escrito por Sang-ho Yeon e Ryu Yong-jae faz uma mistureba tão grande, e tão confusa, que coloca o drama de sobrevivência em segundo plano e realmente dá um passo maior que as pernas.

Além disso, o longa tenta incluir um drama sobre questões de refugiados e pessoas que perdem seus países de origem, mas que no final, apenas atira para todos lados, mesmo não mate nenhum zumbi no meio do caminho, apenas, talvez, o espectador com essa trama rocambolesca.  

A trama se passa 4 anos depois dos eventos do primeiro filme, onde acompanhamos Jun-seok (Dong-won Gang), um ex-soldado que perdeu sua família na primeira pandemia do vírus e agora vive em Hong Kong sozinho, e com o estigma de ter vindo do país afetado pelo vírus. Ele recebe uma missão de um chefão do crime local para resgatar um caminhão cheio de dinheiro (mais de 2 milhões de dólares) que está parado na península infestada de zumbis. E como um bom filme de assalto, conhecemos as regras da missão que eles precisam enfrentar, e claro vemos um time se formar, onde Seok e seu cunhado Chul-min (Kim Do-yoon), formam um esquadrão de suicidas que embarcam nessa jornada rumo ao lugar cercado de zumbis. É ir para o local, trazer de volta o caminhão, e o o que tiver lá dentro será dividido entre eles.

E Invasão Zumbi 2: Península até entrega um ritmo legal, e super alucinante de se acompanhar, onde queremos saber mais e mais sobre a trama, mas como falamos, ao mudar de chavinha e não decidir qual tipo de filme ele quer ser que o filme perde muito com isso. E no final, o longa decide que vai ser tudo.

Invasão Zumbi 2: Península – Crítica
Foto: Paris Filmes

Lá o grupo descobre que na Península existem alguns sobreviventes que moram no local e vivem em um cenário pós apocalíptico. A trama até é interessante e mostra os personagens liderados por uma mãe super bad-ass, no melhor estilo Sarah Connor, interpretada pela atriz Jung-hyun Lee que entrega cenas dramáticas bem boas, e seus filhos guerreiros. Mas também em Invasão Zumbi 2: Península tudo acaba por ser muito fácil para eles, em termos de como eles sobrevivem em uma cidade vazia e com um monte de zumbis vagando por ai, mesmo tendo se passado apenas 4 anos. O longa também apresenta uma gangue chamada Unidade 631, seus líderes malucos Seo (Kyo-hwan Koo, muito bom) e o impulsivo Hwang (Kim Min-jae) que usa os prisioneiros em um campeonato de luta clandestina, onde são eles contra os zumbis em uma grande jaula, que também é uma sacada legal, mas, como falamos, por colocar tudo isso dentro do mesmo filme, apenas faz com que as tramas se colidam o tempo todo, o que não dá chance para Invasão Zumbi 2: Península não desenvolver propriamente nenhuma dela de forma profunda. É como se os roteiristas tivessem participado de uma grande reunião de ideias com várias pessoas, e no final, eles resolveram juntar todas e colocar no roteiro.

E ao colocar esses personagens numa fuga alucinante para tentarem sair da ilha com vida, Invasão Zumbi 2: Península abraça esse lado mais Velozes e Furiosos, e os efeitos especiais, que se aproveitam do fato que os zumbis não enxergam a noite, deixam a desejar, onde é possível ver, em vários momentos, onde a renderização dos efeitos especiais está e que estão bem falhas.

No final, Invasão Zumbi 2: Península perde aquele ar de filme pequeno e que conseguiu contar um bom trama sobre escolhas, e questões morais, no meio de uma pandemia. Talvez o timing para essa sequência não seja o dos melhores.  

Avaliação: 2.5 de 5.

Invasão Zumbi 2: Península estreia nos cinemas nacionais em 26 de novembro.


Miguel Morales
Miguel Moraleshttp://www.arrobanerd.com.br
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