Doutor Estranho no Multiverso da Loucura | Crítica: Entre easter-eggs e participações especiais, filme é da Wanda

Em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (Doctor Strange In The Multiverse Of Madness, 2022) uma das cenas que mais definem o longa é uma – vista no trailer inclusive – em que Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen de volta para o papel mais uma vez depois de WandaVision) diz:  “Você quebra as regras e se torna o herói. Eu faço isso e me torno a inimiga. Isso não parece justo“.

Heróis e vilões, e o que faz um herói ser herói, e um vilão ser vilão, é basicamente o que move o longa, onde é Wanda que movimenta a sequência de 2016 e deixa o Doutor Estranho de escanteio. E aqui, no que seria a grande finalização do chamado capítulo do Multiverso dentro do MCU, sinto que particularmente, o longa não soube fechar e amarrar as pontas de tudo que já vimos relacionado a essa etapa, que mostrava Universos dentro do Universo Cinematográfico da Marvel. Nas outras produções que tratavam do tema, tudo parecia que tinha apenas um gostinho do que poderia vir por aí, seja em Loki, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021), ou até mesmo na série animada What If…?.

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Elizabeth Olsen em cena de Doutor Estranho No Multiverso da Loucura
Foto: Marvel Studios

Mas aqui, enfim, em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura o MCU finalmente cai de cabeça na questão do multiverso, e realmente nos mostra uma história que finalmente nos joga para dentro dele, ao vermos esse vasto conceito apresentado em outras produções ao longo de 2021. Mas em vez de explorar e criar mudanças para o que conhecemos na chamada Terra-616, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura apenas dá uma volta com o espectador por outros lugares, apresenta outras variantes de personagens conhecidos (mas sem nunca citar a palavra de forma oficial como foi feito em Loki) e depois volta para o mesmo lugar que parou.

Claro que temos algumas consequências para alguns personagens (pelo menos a dupla de protagonistas), mas fica claro que o que Doutor Estranho no Multiverso da Loucura faz é apenas levar o espectador para uma viagem maluca dentro do multiverso. E no meio de personagens que conhecemos de outras produções da Marvel e que dão as caras por aqui, mas podem ser que nem voltem para o MCU, e outras participações que servem mais como um agrado para os fãs, como easter-eggs divertidos, fica claro que Doutor Estranho no Multiverso da Loucura faz um filme que não tem “momentos uau”.

Momentos grandiosos que nos fazem vibrar como foi em Vingadores: Ultimato, ou até mesmo o mais recente Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (2021). Claro, não vou mentir que em uma escala menor, esses momentos existem, sem dúvidas e chamam atenção, mas fica claro que toda a construção do longa ao redor deles parece soar bem menos interessante do que esses pequenos minutos em que a Marvel Studios mostra que escuta os fãs e os agradece pelos anos dedicados, pelos filmes vistos e pelo bilhões dados em bilheteira.

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Xochitl Gomez, Benedict Wong e Benedict Cumberbatch em cena de Doutor Estranho No Multiverso da Loucura
Foto: Marvel Studios

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura também parece ser um filme que precisa se estender demais para contar sua história na medida, fica claro que a trama, e o roteiro de Michael Waldron, tem bagagem de outras produções que foram deixadas para serem resolvidas aqui. Além disso, o filme precisa introduzir um conceito (o multiverso), atrás do outro (como andar pelo multiverso através de sonhos e possessões), uma nova e importante personagem, America Chavez (Xochitl Gomez, ótima aqui e uma ótima introdução ao MCU), e ainda ter tempo para desenvolver (concluir basicamente) o arco de Wanda pós-WandaVision. 

E Olsen e sua Wanda dominam o filme sem tirar nem pôr. O filme é da Wanda! Curiosamente a personagem termina o seriado da Disney+ com posse do livro do mal, o tal do Darkhold e aqui no filme já pula para uma versão da personagem muito mais sangue nos olhos e já obcecada para tentar se reunir com os filhos Billy e Tommy (Julian Hilliard e Jett Klyne, respectivamente). E Olsen domina com maestria essa rápida mudança que a personagem tem, coisa que a já faz ser uma das melhores atrizes que já passaram no MCU. Essa é a grande motivação e o arco narrativo maior do filme em resumo.

O outro lado da história é com o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch também ótimo mesmo que deixado um pouco de lado em seu próprio filme) em um mundo pós-Thanos onde ele sumiu por 5 anos e viu Wong (Benedict Wong) ser o novo mago supremo, e Christine Palmer (Rachel McAdams) se casar com uma outra pessoa. E para o personagem, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura acaba por ser também sobre o poder de suas escolhas e de como viver e lidar com o poder de suas consequências. Independente se estamos falando de Stephen da nossa realidade, ou de um Stephen com rabo de cavalo, ou Stephen que salvou o mundo e teve um grande estátua colocada em sua homenagem. Com a morte de Tony Stark fica claro que o personagem deverá ser aquele que moralmente tentará cruzar certas linhas em termos de tentar fazer a coisa certa quando uma nova ameaça surgir.

Mas não se enganem, o longa faz sim um bom filme, sem dúvidas. O visual marcante e a assinatura quase que única de Sam Raimi deixam ele com um tom de produção de terror que deve agradar aqueles que buscavam alguma coisa nova e até “inovadora” para o estúdio. O mais bacana do filme efetivamente, talvez, fique com as escolhas visuais que Raimi usa para contar essa história, onde aqui em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, é uma bem diferente do que estamos acostumados, um pouco mais sombria e fantasmagórica do que outras produções do MCU.

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Benedict Cumberbatch em cena de Doutor Estranho No Multiverso da Loucura
Foto: Marvel Studios

Assim, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura faz uma aventura de terror super bacana mesmo que não tenha grandes momentos para chamar de seu, como falamos lá em cima. Claro que temos cenas com pesados efeitos visuais e que são milimetricamente pensadas para criar uma imersão tão interessante, e que parece que foram feitas para darmos printscreen na tela e salvar como papel de parede no celular, principalmente quando temos o grupo por visitar outros Universos.

É tudo muito bonito, muito bonito mesmo de se ver, mas ser bonito não é tudo nessa vida e muito menos no MCU. Aqui, em termos de história propriamente dito, o longa deixa um pouco a desejar, não dá nem para falar que o filme é a conclusão da saga do Multiverso por que parece apenas acenamos para outros Universos, outras versões de personagens que conhecemos, outras infinitas possibilidades. Fica claro que em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura o que temos é um filme igual a um trem fantasma, você entra leva alguns bons sustos e sai da mesma forma que entrou.

No meio de crianças perdidas, escolhas morais duvidosas, e participações especiais para lá de interessantes e que devem agradar os fãs, no final parece que Doutor Estranho no Multiverso da Loucura tinha tudo para ser um divisor de águas no MCU e mudar a forma como o MCU iria se apresentar daqui para frente em termos de narrativa. Fica claro, mesmo com as cenas pós-créditos (são duas!) que não foi dessa vez, ainda. Talvez fique para o próximo grande evento que Kevin Feige e companhia planejam para essa franquia bilionária, seja nos cinemas ou no Disney+.

Avaliação: 3 de 5.

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura chega em 5 de maio nos cinemas.

2 Replies to “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura | Crítica: Entre easter-eggs e participações especiais, filme é da Wanda

  1. Sinceridade,depois de saber tudo sobre o filme, realmente não me há vontade nenhuma de assistir no cinema,esse merece ser via torrent.
    A Marvel desperdiçou a oportunidade de fazer um fan service maior que Sem Volta pra Casa,ao invés vemos a finalização de uma série de uma “heroína” dando piti por causa de macho.
    Uma boa ideia com uma fraca execução,e por conta da Marvel, não do diretor,e ouso,nem por causa do elenco.
    Podia ser mt melhor.

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