Please Like Me | Crítica

Se você é assinante da Netflix, com certeza, já se deparou com aquele seriado em que não é tão popular, não é mesmo? Nas diversas opções do catálogo da gigante do streaming, eis que aparece a série que possui uma temática LGBT Please Like Me, originalmente produzida pelo canal australiano ABC2. É isso mesmo que você leu, meu caro leitor: o seriado veio do outro lado do planeta Terra, diretamente da Oceania, a Austrália.

ALERTA DE SPOILER: Este artigo contém informações sobre os principais acontecimentos do seriado. Continue a ler por sua conta e risco.

A trama é semibiográfica e mostra a vida de um jovem chamado Josh (Josh Thomas, criador, produtor e protagonista) que, ao se descobrir gay (no dia do seu aniversário!), além de terminar o seu namoro, passa por situações complicadas, unindo-o a seus amigos e, principalmente, seus familiares, como os seus pais.

Uma das diferenças mais marcantes do seriado é em relação ao seu ritmo de desenvolvimento. Completamente fora do habitual das produções dos EUA, Please Like Me se avança com episódios não tão longos (adeus 45 minutos!) e tem uma abertura fora do comum: dinâmica. Com uma música super dançante, você deve ter reparado que ela muda a cada novo capítulo, referente ao fato que irá mostrar ao longo dos próximos 30 minutos. Diferente e criativo, né?

Josh mora com o seu melhor amigo Tom (Thomas Ward, best friend do Josh na vida real) e juntos, dividem não só a comida, como também a amizade e seus dramas. Dentre as diversas emoções, podemos citar os relacionamentos amorosos de Josh. O cara é extremamente egoísta e, em muitos momentos, ele deixou de aproveitar um pessoa bacana por pensar em si mesmo. Essa característica negativa se dá devido a mimação que seu pai, Alan, interpretado pelo ator David Roberts (Secret City), sempre lhe ofereceu: pagando suas dívidas, como a gasolina do carro e o aluguel de sua moradia.

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Aliado a isso tudo, a mãe de Josh, Rose (Debra Lawrance de Wentworth), tenta se matar e surpreende a todos com essa notícia. Resta, agora, o filho cuidar da sua matriarca, afinal, é sempre bom retribuir aquilo tudo o que nosso pais fizeram por nós, quando estávamos mais novos, né? Essa união é muito linda de se vê. Uma das cenas mais bonitas é quando os dois realizam um passeio no estado da Tasmânia. Além das paisagens deslumbrantes da ilha, Josh e Rose se aproximam cada vez mais e revelam segredos e medos de cada um. <3

A série consegue tocar em assuntos de uma forma doce e delicada, sem forçar a barra. Por exemplo: os colegas do hospital, em que Rose ficou internada, após a tentativa de tirar a própria vida, têm problemas, como bipolaridade e depressão. Tais temas estão em alta agora no século XXI e são apresentados de uma forma honesta, fazendo que o telespectador se identifique com aquilo. Tal mérito se dá por ventura dos diálogos bastante verossímeis e profundos. Destaque, também, vai para o racismo, relacionamento abusivo e, principalmente, homofobia.

Enfim, Please Like Me encanta os olhos de que assiste, pois retrata a vida como ela é. Essa afirmação pode ser comprovada quando ocorre, se não me engano em todas as quatro temporadas, a morte. Seja de um parente ou amigo íntimo até mesmo de um coelhinho de estimação, os personagens mostram as suas emoções da forma mais real possível. O silêncio é um dos pontos fortes da trama.

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O seriado foi uma das boas escolhas para maratonar nessas férias. Serviu e serve para refletirmos sobre doenças mentais. A partir de um personagem irritante (sorry Josh!) cheguei no final pensando em como devemos ter qualidade de vida, tanto para conosco quanto as pessoas ao nosso redor.

P.S. 1: Que lugar incrível que é a terra dos cangurus e o demônio-da-tasmânia (Austrália), minha gente. A cidade de Melbourne é mostrada com o seu melhor ângulo. Não é à toa que esse local é escolhido como o melhor para se viver, segundo a revista Time;

P.S. 2: Tem cultura pop representada, sim! Não posso me esquecer das referências feitas à Adele (cantora) e ao filme Simplesmente Amor (2003).


Dados Técnicos

Please Like Me
Criação: Josh Thomas
Estreia: 2013
Temporadas: 4
Episódios: 32
Emissora: ABC2 (Austrália) | Atualmente, o seriado encontra-se completo no catálogo da Netflix.
Renovação: Infelizmente a série foi cancelada. Os produtores resolveram encerrar com a história em fevereiro de 2017. Veja aqui o anúncio feito no perfil oficial de Josh Thomas no Twitter.

Arthur Barbosa

22 anos, Técnico em Química de Beagá, Minas Gerais. Não consegue ficar longe da escrita de séries, por isso está nos bastidores do Arroba Nerd. É Vestibulando de Medicina e pretende adentrar nas portas da UFMG. Acredita que em um dia próximo a Netflix irá dominar o mundo.