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The Expanse | Crítica: 4 temporadas que exploram a política no meio de uma ficção científica incrível

Uma das minhas surpresas na Amazon Prime Video é The Expanse, a série que era do canal norte-americano Syfy e depois de cancelada em sua 3ª temporada voltou como uma série Original Amazon, me surpreendeu demais ao retratar a política de relacionamento entre os humanos em alguns planetas, em meio a uma corrida interplanetária de sobrevivência.

O que gosto nessas séries de início da exploração espacial é como elas me fazem pensar “o início da Frota Estelar de Star Trek deve ter sido uma zona“, e The Expanse realmente mostra isso, visto que nós humanos primeiro atacamos antes de entender o desconhecido, e a sobrevivência dos nossos acaba sendo mais importante.

Outra coisa legal de The Expanse é seu elenco, já vou falar dele pois depois farei uma crítica mais certeira de cada temporada. O jeito quieto de Steven Strait em seu personagem James Holden é certeiro para nos apegar ao capitão que pensa muito antes de agir, e é legal termos Dominique Tipper tão intensa e maravilhosa como Nagata Naomi balanceando o papel dele na linha de comando. Wes Chatham entrega um Amos Burton que é amoroso, mas que ninguém deve pisar em seu calo, matar é brincadeira para ele, enquanto o Alex de Cas Anvar é extramente tranquilo, mesmo com uma origem tensa em Marte. E por fim temos Shohreh Aghdashloo que transmite um ar matriarcal, mas que não tem trava na língua e solta muita besteira, só que entende muito bem o seu papel na ONU, e o carinho por Chrisjen Avasarala é todo por conta de Aghdashloo.

The Expanse é baseada na série de livros de mesmo nome escrita por James S. A. Corey, nome criado pela dupla de escritores Daniel Abraham e Ty Franck, e é uma ópera espacial incrível, e vendo a série só dá vontade de adentrar ainda mais nesse mundo. Os livros tem um total de 9 edições, e cada temporada da série é explorado um.

No universo de The Expanse, a Terra colonizou a Lua, que passou a se chamar de Luna, e logo em seguida partiram para a colonização de Marte, mas logo este se tornou uma república independente com o sonho de terraformar o local, mas muitos anos após isso, o planeta vermelho se tornou um planeta bélico.

Com a escassez de recursos naturais, lá foi a humanidade para além do cinturão de asteroides em busca de recurso nas luas de Júpiter, Ganimedes, Ceres, Io e Calisto. Após vários anos essas pessoas que foram para além dos cinturões começaram a querer seus direitos como uma nação também, chamada Belter, mas Terra e Marte são contra, o que gera uma guerra entre os do Interior e os do Cinturão.

ALERTA DE SPOILER: Este artigo contém informações sobre os principais acontecimentos do episódio/série. Continue a ler por sua conta e risco.

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1ª temporada

O início da 1ª temporada é meio lento para nos situar neste universo novo, e a riqueza com que vamos sendo apresentados é sensacional, e de novo, o elenco ajuda demais nessa conquista, e até o personagem de Thomas Jane, o Joseph Miller, acaba nos envolvendo, pois é da visão dele que vamos acompanhando as investigações sobre quem matou Julie Mao.

A evolução de tudo isso para uma guerra bélica entre Ceres, Marte e Terra é sensacional, pois uma simples investigação de Holder e sua equipe, acaba obrigando eles a entrarem em uma nave marciana e tomá-la para si, e mesmo ao tentar ajudar uma equipe da marinha de Marte, eles acabam se complicando e sendo acusados da destruição e roubo da que hoje eles chamam Rocinante.

A base de tudo são as protomoléculas, que foram encontradas em Phoebe e Jules-Pierre Mao começou a trabalhar para vender como arma, é que inicia a destruição, e eles vão desde uma nave até sua chegada a Eros, um meteoro que acaba se tornando uma mistura biológica e mecânica.

Sua destruição a caminho da Terra é sensacional, e restou a Miller a convencer Jules, parte navegante da protomolécula, a não cair na Terra, seu desejo de voltar, e sim irem para Vênus.

Aos poucos vemos que Terra e Marte estão avulsos na história e que dentro da ONU tem alguém querendo acabar com tudo.

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2ª temporada

Durante esta temporada vemos como Sadavir Errinwright acaba sendo o manipulador de todos os acontecimentos, lidando com a Terra e Marte da forma que lhe convém e apertando os botões necessários para seu desejo, chegando a tentar matar Avasarala. Sua sorte é que Bobbie, uma soldado da marinha marciana, acaba lhe salvando.

A entrada de Bobbie é sensacional, pois ela quer apenas o melhor para Marte e ao ser enviada para Ganimedes para conter a situação na comunidade e estudar, acaba sendo atacada por algo que não entende, já que ela fica na superfície do planeta-anão sem uniforme.

A briga em Ganimedes se intensifica quando Rocinante precisa ir até o lugar salvar mais de 300 pessoas, só que eles acabam descobrindo Caliban, a criatura que é híbrida de humanos e protomolécula. Holden e Alex lutam contra ela, enquanto Naomi trabalha para colocar somente 52 pessoas dentro da nave de refugiados.

Essa temporada foi para aquecer os ânimos entre Marte e Terra, com uma guerra quase sendo declara. Se não bastasse no final do episódio termos a nave de pesquisa em Vênus sendo desmontada até seu menor parafuso sob Eros, Caliban consegue escapar e invadir a Rocinante.

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3ª temporada

O legal da 3ª temporada é que ela foi separada em dois arcos muito bem desenhados.

A primeira parte tem a investigação da destruição da nave em Vênus, enquanto Avasarala é ameaçada por Errinwright, que assume seus devaneios e trabalho ao lado de Jules-Pierre para ter a protomolécula. Só que seu vídeo assumindo isso fica com Avasarala e Bobbie, que foi escoltá-la. Enquanto Avasarala se junta a Holder na Rocinante, Errinwright consegue convencer a ONU a declarar guerra contra Marte.

A forma como dinheiro acaba falando mais alto é muito tenso, colocando a vida de todos em risco, a colonização é muito bem mostrada e trazem um lado religioso para a situação que é bem mostrado com Anna Volodov.

Enquanto tudo isso acontece, em Io, Mao encontra Dr. Strickland que segue fazendo testes em crianças, inclusive na pequena Mei, filha de Prax, ambos apresentados na 2ª temporada na invasão a Ganimedes. Ali vemos como eles querem ajustar a protomolécula e ter um híbrido controlável, só que tudo é instável.

Essa primeira parte acaba com a exposição de Errinwright, com a transmissão de seu vídeo sendo feita por Belters, Marcianos e Terráqueos, o que foi satisfatório, pois não enrolaram muito. Além disso, o que parecia algo calmo em Vênus, começou a sair da órbita do planeta e ir para além de Netuno, montando lá o Anel.

A segunda metade da temporada foca na criação do Anel e para onde ele leva, com Holden chegando até o local a pedido da ONU, ao lado de representantes de Marte, Terra e Belter. Com todos ainda sem entender o que acontece, há um receio do que poderá acontecer no local daquele Anel gigante. O problema diplomático acontece quando um Belter querendo fama invade o Anel, é pulverizado, mas acaba o acionando…

A série passa a querer saber quem investigará primeiro o Anel, mas a Rocinante acaba entrando rapidamente no local depois que Clarissa Mao expõe Holden como destruidor de uma nave da ONU e apoiador dos Belters, como forma de vingar a prisão de seu pai e destruição de sua família. Descoberta por Anna, Clarissa acaba sendo presa em Behemoth, uma nave igreja mórmon que foi convertida em nave de guerra Belter.

Seguindo a Rocinante, todos adentram o anel, entendendo que ali é a protomolécula quem controla tudo, a velocidade é diminuída sempre que o núcleo sente o perigo, o que a cada mudança gera inúmeras mortes.

Holden, tendo visões de Miller, entende que precisa entrar no núcleo e entender o que ele quer. Lá dentro Bobbie e outros marcianos tentam fazê-lo desistir de se associar a promolécula, mas um soldado tenta destruí-la e novamente a velocidade é reduzida e muitas mortes ocorrem, enquanto Holden vê deslumbre de um futuro de destruição, incluindo um sistema solar inteiro.

Com muita luta, Holden convence a todos que eles precisam desligar os reatores das naves, para que o núcleo entenda como uma bandeira de paz, só que Ashford destruir o Anel de dentro dele, evitando que o sistema solar seja destruído, mesmo que eles morram ali. Quando ele pede que matem Naomi e Holden, Clarissa, que conversou com Anna e Alex, e ouviu muitas coisas, acaba tendo um momento de redenção quando evita as ações de Ashford e ainda desliga o reator da Benemoth.

Com todas as naves com os propulsores desligados, a promotolécula entende a paz e continua seu trabalho, conectando o anel do sistema solar a outros 1300 anéis pelas galáxias…

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4ª temporada

A primeira temporada da Prime Video parece mais lenta, as coisas demoram a acontecer, mas é bem mais exploratória, com a nave Barb de Belter indo para um novo anel e um novo sistema solar, onde encontram um planeta para chamarem de seu, o Ilus. O problema é que a Terra quer investigar primeiro os anéis, e então temos a ONU contra os do Cinturão para ter esse direito.

Enquanto na Terra temos uma nova eleição, com Avasarala podendo sair da liderança da ONU para a entrada de alguém mais novo, no caso Nancy Gao, que é a favor da expansão. A questão é para onde expandir e a que custo, já que não sabem o que há de vida nestes planetas, e até onde são pacífica.

Em Marte temos Bobbie descobrindo uma rede de contrabandos de armas marcianas, e precisa entender até onde ela poderá ajudar seu planeta. A questão é que não dá para confiar em ninguém, e ela só confia em Avasarala. Então após se infiltrar e entender os contrabandistas, ela resolve largar tudo aquilo e se juntar a ex-secretária da ONU, que acaba perdendo para Gao.

Os Belter precisam lidar com o traidor Marco Inaros, que quer destruir os do Interior a qualquer custo, e ele tenta lançar algo na Terra, mas é descobert e destruído, só que depois de ser solto por Drummer e Ashford, ele acaba conseguindo alguns asteroides e ao disfarçá-los com tecnologia marciana para os tornarem invisível, ele os colocam na mira para um ataque a Terra.

No Anel ainda temos uma briga entre a ONU e os Belters para saber quem tomará conta do tráfego dentro do anel, com a nave Benemoth sendo renomeada para Medina. As ações de Inaro acabam colocando tudo a perder.

Todos os acontecimentos em Ilus são muito bons, com os conflitos dos pesquisadores da ONU contra os Belter que montaram acampamento, e a Rocinante chegando para evitar isso. A parte bélica, com Murtry querendo destruir a todos que não merecem estar ali de acordo com a ONU, e os Belter querendo o lugar para chamar de casa.

Holden, Alex, Amos e Naomi novamente precisam lidar com as partes burocráticas e colocar o coração para trabalhar e evitar o pior, mesmo que eles criem esse pior. No caso Holden e Miller que querem entender a protomolécula presente no planeta. Quando ele liga o instrumento, o planeta se mostra uma espécie de reator, e mesmo tendo alguma vida na superfície, ele tem os seus propósitos.

Se o conflito de Murtry contra os Belter vai crescendo com inúmeras mortes, Holden tenta evitar que eles morram na superfície do planeta, que tem nuvem de arma metálica, relâmpagos e uma ilha que acaba explodindo e causando tempestades sônicas e um tsunami. Fugindo para dentro do aparelho, eles descobrem ainda uma cegueira e uma lesma que mata em menos de 1 minuto se toca em humanos.

Com a mecânica do planeta desligada depois de uma luta entre Holden, Miller, o ser da promolécula e a ajuda de Okoye. Os Belters decidem ficarm em Ilus e também os cientistas, que querem entender o que acontece naquele planeta.

A série termina com Inaro falando que os terráqueos não verão o que está por vir, e assim os asteróides alinhados e prontos para serem atirados contra o planeta.

Amazon Prime Video libera pôster e trailer da 5ª temporada de The Expanse

Eu terminei The Expanse na maior ansiedade aguardando agora sua 5ª temporada. Mesmo com a 4ª temporada parecendo destoar um pouco em sua qualidade, a série foi bem equilibrada e entregou muito drama político e espacial.

Vale a pena cada episódio assistir The Expanse.

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