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The Boys In The Band | Crítica: Uma celebração sobre relacionamentos deslumbrante, divertida e afiada

Mona, me leve pra casa essas gays são loucas! É com essa frase, dita por um dos personagens no filme, que podemos descrever muito bem o que você leitor pode esperar, e o que será a experiência, ao assistir The Boys In The Band (2020).

A produção baseada na peça da Broadway chega na Netflix para reunir um elenco invejável, e que realmente entrega um filme muito maior do que parece ser num primeiro momento. The Boys In The Band se passa em uma noite apenas, dentro do apartamento de um dos personagens, e parece que quanto mais eles ficam presos nesse lugar fechado, mais sentimentos e emoções serão despejados em tela. Por se passar antes dos eventos que vimos na rebelião de Stonewall, em 1969, e que foi o começo do movimento do Orgulho LGBT, o longa meio que coloca esses personagens dentro dessa panela de pressão, ou um armário assim por dizer, onde, quando mais apertados eles estão, mais a história explode.

E para isso, o diretor Joe Mantello faz questão de fazer com que a câmera siga nossos personagens o tempo todo, e tenta fazer um tipo de plano sequência, com cortes rápidos para acompanharmos as caóticas relações entre eles, os cutucões e os shades nessa noite intensa e cheia de revelações.

E assim, The Boys In The Band faz uma celebração sobre relacionamentos deslumbrante, divertida, e com um texto bastante afiado, ou seja, a marca registrada de uma produção de Ryan Murphy, não é mesmo?

The Boys in the Band
The Boys In The Band – Crítica
Foto: Netflix

E por mais que tenha grandes nomes no elenco, o filme é um show à parte de Jim Parsons. Se a Netflix for esperta, trabalha a indicação do ator na temporada de premiações para pelo menos tentar uma indicação no Globo de Ouro. Parsons está incrivelmente maravilhoso. Mas na realidade todo o elenco está, Robin de Jesus como o decorador Emory entrega passagens fantásticas, ótimos momentos e realmente consegue se destacar no meio de outros nomes super conhecidos de Hollywood. De Jesus quando abre a boca, é tudo, e sua presença em tela é magnética onde todos os olhos pousam nele. E em The Boys In The Band a disputa é boa, pois temos no elenco também Zachary Quinto, Matt Bomer, e Andrew Rannells e todos eles contribuem para contar essa história que se desenrola aos poucos, onde a cada toque na campainha chega um novo convidado que muda o tom da festa e vemos as amizades sendo testadas e duras verdades sendo jogadas na cara uns dos outros. 

Em pleno anos 60, esse grupo de amigos dividem suas aflições, angústias e a busca por seus relacionamentos, e se encontrarem não só como homens gays, mas como pessoas, aqui complexas e cheia de sentimentos e que não são retratadas de forma superficial ou opacas. E é incrível ver que como mesmo naquela época os temas que são tratados ainda são importantíssimos para a comunidade LGBT nos dias de hoje. Cada um dos rapazes dessa banda representa um tipo dentro do vasto espectro de pessoas que temos por aí, e o filme mostra um pouco de todos eles tendo que lidar com suas imperfeições, personalidades e como se comportam tanto para a sociedade em geral como para esse grupo de amigos.

É como diria as participantes do reality show RuPaul’s Drag Race “No T, no shade” (algo como sem te gongar, mas aqui é a verdade) todos eles sabem sobre os problemas uns dos outros (seja a falta de dinheiro, ou como eles sofrem com sua aparência), apontam as verdades um na cara dos outros, mas no final, acabam por se importar um com os outros. Afinal, a luta que eles lutam, por se aceitar, encarar a sociedade com seus padrões preconceituosos e de intolerância, e depois a própria comunidade que não é nada unida, é incrivelmente bem trabalhado aqui.

Como um filme, The Boys In The Band funciona muito bem, e realmente lembra um pouco uma peça. Seus três arcos narrativos são bem divididos, e o roteiro do filme, escrito por Matt Crowley (que trabalhou na peça e na versão do filme feita nos anos 70) e Ned Martel (que trabalhou com Murphy nas séries Glee e American Horror Story) apenas cresce. No começo, temos a expectativa de Michael (Parsons) para receber os amigos em sua casa para o aniversário do amigo/inimigo Harold (Quinto), e assim, temos um lampejo do que esse grupo de amigos fazem antes em preparação para a grande festa. E a montagem do começo do filme é extremamente ágil para apresentar o grupo, como eles se comportam, quem são eles na superfície e que depois será esmiuçada ao longa do evento.

Logo depois temos a festa em si, com os convidados já na casa de Michael que recebe a visita de Alan (Brian Hutchison) um colega de faculdade heterosexual que está na cidade, invade a festa e gera situações intensas ao bater de frente com os colegas para tentar descobrir suas próprias inseguranças. E claro, a terceira parte, onde todos eles ficam confinados na sala, depois que a chuva cai, e começam a participar do jogo das ligações, sobre quem eles realmente amaram de verdade.

The Boys In The Band – Crítica
Foto: Netflix

The Boys In The Band é como a formação da chuva, começa como um dia iluminando, logo após com a chegada de ventos que anunciam a mudança, e depois a chuva que vem para estragar a festa. Bernard (Michael Benjamin Washington) talvez tenha o monólogo mais bonito do filme, e sua dor é sentida quando conta sua história, mas todos eles parecem que vão sair mudados dessa noite intensa e regada de bebidas onde os sentimentos (os bons e os ruins) são colocados para fora. Já o casal, Larry (Rannells, ótimo) e Hank (Tuc Watkins) discutem a monogamia, os estereótipos dentro da comunidade LGBT e realmente tem o arco mais bem trabalhado ao longo do filme.

No final, The Boys In The Band faz uma transposição da história da peça para filme de uma forma muito bem feita, num trabalho caprichado de composição de personagens, e que entrega atuações muito boas de seus atores. Com o dedo de Ryan Murphy envolvido, o longa apresenta uma chamativa e espalhafatosa história para uma nova geração, e mostra que contra nós já basta o mundo e que amigos estão ali para horas boas e ruins.

Avaliação: 4 de 5.

The Boys in the Band chega na Netflix em 30 de setembro.

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