Sobrenatural: A Porta Vermelha | Crítica: Terror abre as portas para bons jumpscares

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A franquia de terror Sobrenatural (Insidious) sempre foi um tipo de irmão mais pobrinho de outra franquia de filmes que James Wan teve mais sucesso. Sobrenatural nunca teve a mesma força, ou teve o mesmo impacto na cultura popular, não tem uma legião de fãs on-line, e principalmente não fez a quantidade bilionária, com B de bilhões de dólares arrecadados em todo mundo, que a outra fez. 

Assim, é como se Sobrenatural tivesse andado para dar chance para Wan correr com a franquia Invocação do Mal. Mas, querendo não é, Sobrenatural é uma franquia que se encaminha para um quinto filme e isso é um mérito que não dá para passar batido.

E mais de 10 anos depois do primeiro filme ser lançado, Sobrenatural: A Porta Vermelha (Insidious: The Red Door, 2023) vem para fechar as portas dessa história que começou lá em 2010. Com direção de Patrick Wilson, o longa fecha, sim, as portas dos acontecimentos que assombraram a família Lambert, e que começaram anos atrás, mas ao mesmo tempo, abre as portas para entregar um filme com bons jumpscares.

O roteirista Scott Teems assume o script aqui dessa nova aventura sobrenatural com uma história de Leigh Whannell (que trabalhou no começo da franquia) e tenta fazer com que Sobrenatural: A Porta Vermelha encontre algum tipo de finalização para essa história, esses personagens, e as situações horripilantes que eles passaram nos primeiros filmes.

Ty Simpkins em cena de Sobrenatural: A Porta Vermelha.
Foto: © 2023 CTMG, Inc. All Rights Reserved.

E agora com todos eles de volta, ou pelo menos aqueles que sobreviveram, Sobrenatural: A Porta Vermelha apresenta uma nova aventura de terror mesmo que o filme caia no truque de Hollywood de franquias, e claramente é desenhado e moldado para ser um primeiro filme de uma possível nova leva de novos filmes. Franquias né? O que tem movimentado o dinheiro na Tinseltown ultimamente.

Assim,  Sobrenatural: A Porta Vermelha abraça, igual a figura monstruosa com a cara avermelhada que persegue esses personagens, toda a questão de pai e filho na medida que descobrimos que os protagonistas, Josh (Patrick WIlson) e o filho Dalton (Ty Simpkins) tiveram suas memórias alteradas depois dos eventos vistos nos primeiros filmes. 

Mas também, o longa acaba bem por ser também um filme sobre Dalton por explorar os poderes adormecidos do contato com o Além, o lugar escuro e misterioso que foi mostrado nos outros longas anteriores, na medida que ele entra na faculdade de artes, e deixa a casa que morou durante tantos anos que foi palco dos eventos mostrados nos longas anteriores.

Assim, Teems e Whannell exploram esses dois lados, onde Sobrenatural: A Porta Vermelha não parece saber muito bem onde quer chegar, até os momentos finais que realmente engrena narrativamente falando.

Afinal, quase 10 anos depois do primeiro filme, o roteiro precisa meio que fazer um soft reboot da franquia para o espectador causal que cair na sessão desse quinto longa de paraquedas, e gasta tempos preciosos com flashbacks do que aconteceu nos outros longas, introduzir mais uma vez a mitologia do Além, e ainda fazer isso que não soe maçante para o espectador, e principalmente para o fã que acompanhou os outros filmes.

Mas no meio disso tudo, o longa entrega uma boa atmosfera de tensão, cheia de pequenos sustos, aqui e ali, e passagens que realmente me pegaram desprevenido com a qualidade tanto estética quanto visual. E eu realmente fiquei com o rosto tapado vendo o que ia acontecer, entre os dedos, de tão caprichado foi a antecipação ao susto que o longa conseguiu criar nesses momentos, seja em cenas numa fraternidade ou dentro da uma máquina de fazer ressonância.

Sobrenatural: A Porta Vermelha então mostra Dalton, depois de uma aula com a Marcia de Succession, brincadeira, com a Professora Armagan (Hiam Abbass) começar a desbloquear memórias antigas que envolvem a tal porta vermelha do título. O longa nesse momento já estabeleceu a relação complicada que o jovem tem com o pai, em cenas mais dramáticas lá no início, para depois focar no personagem por investigar mais sobre os acontecimentos estranhos que começam a surgir com ele, seja por visões, ou ver pessoas que não deveriam estar ali.

Com a ajuda da colega de quarto Chris (Sinclair Daniel), que entrega um alívio um pouco mais cômico e serve para ser a voz da razão do meio dessa loucura toda que envolve, dimensões paralelas, muita fumaça, seres que sugam a alma dos vivos que entram no lugar e projeção astral, a dupla vai atrás de investigar esses novos poderes desbloqueados de Dalton, e cruzam até com figuras conhecidas da mitologia Sobrenatural.

Patrick Wilson em cena de Sobrenatural: A Porta Vermelha.
Foto: © 2023 CTMG, Inc. All Rights Reserved.

Ao mesmo tempo Josh também começa a se lembrar de certas coisas e viver maus bocados também. Sobrenatural: A Porta Vermelha então paralelamente conta essa história em duas frentes e que vão se conectar lá no final quando pai e filho descobrem a verdade sobre o que rolou anos atrás e precisam enfrentar essas ameaças sobrenaturais mais uma vez.

Sobrenatural: A Porta Vermelha foca realmente nos personagens de Simpkins e Wilson e os dois estão realmente bem ao longo do filme. O mesmo vale para Rose Byrne que volta aqui no novo filme como Renai, na medida que a ex-mulher de Josh precisa também reviver os acontecimentos do passado e as decisões que tomou para proteger seus filhos.

No final,  Sobrenatural: A Porta Vermelha chega a empolgar por si, mesmo que não chega a entregar o melhor da franquia e também não redefine o cinema de terror. O longa apenas faz um capítulo interessante, cheio de bons momentos de sustos, e que amarra as pontas dos outros filmes de maneira satisfatória.

O grande mérito é que dá para os fãs uma nova chance de revisitar esse mundo e esses personagens. Se as portas de Sobrenatural ficarem abertas ou não, só o futuro dirá. E você vai deixar essa porta aberta ou fechada? 

Avaliação: 2.5 de 5.

Onde assistir Sobrenatural: A Porta Vermelha?

Sobrenatural: A Porta Vermelha chega em 6 de julho nos cinemas nacionais.

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