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Rua do Medo : 1966 – Parte 3 | Crítica: Um drama de… assustar por ser bom

A última parte da Trilogia Rua do Medo chegou na Netflix e depois de muitos altos e baixos num é que entregou um final digno para esta série de filmes? Rua do Medo: 1666 – Parte 3 (Fear Street: 1666, 2021) nos leva para 1666 para vermos o que realmente aconteceu em Shadyside e a história de como Sarah Fier foi condenada por bruxaria, e claro segundo nossos protagonistas, amaldiçoou a cidade e deixou apenas Sunnyside prosperar.

Rua do Medo: 1666 Crítica
Foto: Netflix

O terceiro filme não perde tempo e já começa onde o segundo parou (claro se você pular o resumo!) onde vemos Deena (Kiana Madeira que entregou a melhor atuação aqui) numa viagem maluca até 1666 onde a garota se vê está no corpo de Sarah Fier (Elizabeth Scopel) e consegue acompanhar com seus próprios olhos os acontecimentos no passado que fizeram a jovem ser enforcada.

O roteiro do trio Phil Graziadei, Leigh Janiak (que dirige o longa) e Kate Trefry finalmente pára de dar volta na trama, como fez em Rua do Medo: 1978 – Parte 2, e finalmente nos entrega alguma coisa palpável em termos de desenvolvimento de história e também de personagens (seja eles do bem ou do mal, sem spoilers aqui). Rua do Medo: 1666 – Parte 3 não perde tempo, para já apresentar tudo que precisamos para conectar os pontos e todas as pistas que há 2 filmes vem pipocando em nossa tela há 2 semanas.

A ambientação sufocante que lembra outros filmes como A Bruxa (2015) e a caracterização de época que coloca os personagens na Vila Union e até mesmo a sacadinha de colocar os personagens da época como os atores dos outros filmes realmente ajudou a criar uma certa conexão com a trama e conseguirmos entender o que realmente aconteceu. Rua do Medo: 1666 – Parte 3 chega a ser mais gore em diversas cenas, mas ao mesmo tempo faz isso dentro do contexto para a época que o filme se passa (seja na cena da Igreja que é muito boa e o ator Ashley Zukerman consegue mostrar o terror nos seus olhos naqueles poucos segundos).

Rua do Medo: 1666 - Parte 3
Foto: Netflix

O mais interessante talvez fique com toda a ideia que mesmo lá em 1666 alguns pensamentos e algumas suposições, como o medo do diferente e da indiferença, poderiam ser armas muito mais perigosas do que monstros e demônios. Deena como Sarah Fier diz: “Eu não tenho medo do diabo, eu tenho medo da população. Eu tenho medo de uma mãe que vai deixar sua filha ser enforcada”.  Assim, antes de ser realmente um filme de terror, Rua do Medo: 1666 – Parte 3 capricha mais no drama e em sua história, coisa que faltou no filme antecessor.

Claro, os momentos de matança talvez não sejam tão legal quanto na Rua do Medo: 1994 – Parte 1, mas ao menos nos seus momento finais, já no presente e com um plano a ser bolado para enfim acabar com a maldição, o filme engrena de vez e entrega um terror que empolga e faz o melhor da trilogia. Acho que todos os personagens de forma geral e que desde dos outros filmes tinham sidos apresentados e introduzidos aos poucos na trama ganham seu papel crucial por aqui (ou pelo menos aqueles que sobreviverem né?) É o caso de Ziggy (Gillian Jacobs) que finalmente decide por fim na tormenta que a persegue desde da morte de sua irmã, Henry (Benjamin Flores Jr.) está de volta e ajuda a irmã a bolar um plano colorido para acabar com tudo aquilo, e até mesmo o detetive Goode (Ashley Zukerman) finalmente resolve entrar na dança.

No final, Rua do Medo: 1666 – Parte 3 finaliza bem a franquia de filmes, conclui o arco de vários personagens de uma forma que não deixa a gente com a cara de “Putz vi tudo isso e não tive respostas” e entrega um longa divertido em boa parte dele, assustadoramente bom, cheio de momentos interessantes e que devem fazer os fãs pirarem. 

Fiquem até o final dos créditos.

Avaliação: 3 de 5.

Rua do Medo Parte 3: 1666 e suas outras partes já estão disponíveis na Netflix.