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Oito Mulheres e Um Segredo | Crítica

Oito Mulheres e Um Segredo (Ocean’s 8, 2018) é um filme de assalto sutil. O segredo? Ser uma produção descontraída, divertida e que apresenta uma trama de roubo que funciona.

O filme acerta ao trazer um sopro de suavidade no gênero ao colocar 8 atrizes com uma química fantástica contracenando entre si. Assim, Oito Mulheres acaba sendo um longa descompromissado com inúmeras participações especiais e com protagonistas que esbanjam carisma em tela.

Foto: Warner Bros

Nesse spin-off de Onze Homens e Um Segredo (2001), a atriz Sandra Bullock quem lidera o grupo de assaltantes, como Debbie Ocean, uma mulher viciada em dar golpes que recém saiu da cadeia. Mas, aqui em Oito Mulheres e Um Segredo, quem acaba “roubando” a cena são as personagens de Helena Bonham Carter como uma estilista avoada e Anne Hathaway, uma atriz de Hollywood. A personagem de Hathaway é o foco do grande roubo, planejado durante anos por Debbie, que será executado durante o exclusivo Baile Anual do Metropolitan Museum of Art. 

Oito Mulheres tenta contar sua história de uma forma bem visual e detalhada fazendo com que o longa gaste minutos de tela preciosos para deixar o espectador à vontade para se ambientar com o mundo onde o filme se passa e principalmente para estabelecer uma conexão do público com a personagem Bullock. Quando Debbie sai da prisão podemos notar que as cenas são similares aquelas mostradas no primeiro filme de Onze Homens, quando seu irmão Danny Ocean (George Clonney) também deixou a cadeia. Esses momentos fazem boas homenagens aos outros da trilogia masculina que acaba sendo sempre lembrada ao longo do filme.

Na sequência inicial, Debbie promete que ao sair da cadeia irá retornar a vida simples, promete também que irá procurar um emprego comum e etc mas claro, que nada disso acontece e logo de cara já vemos a personagem, roubar uma loja de cosméticos, se hospedar num hotel de luxo em Nova York e em dois tempos retornar o contato com sua ex-parceira de crime Lou (Cate Blanchett, sempre fenomenal). Como a personagem diz em uma das passagens “é nisso que eu sou boa” e depois de cinco anos presa, ela tem de cor e salteado seu plano planejado na ponta da língua e está prestes para coloca-lo em ação.

A produção não investe em tiroteios, mortes, nem em um confronto direito entre os assaltantes e os assaltados, o que deixa o filme mais leve (mesmo se tratando de uma trama envolvendo um crime) e faz o longa ser um pouco mais focado na execução do plano que graças a uma boa edição, é desvendado a cada momento com quem assiste.

A parte mais bacana da primeira hora de Oito Mulheres é ver todas as personagens sendo recrutadas para o grupo e ver como suas personalidades acabam sendo importantes para o trabalho ser bem feito. Cada uma tem suas motivações para participarem do roubo mas a grande sacada do filme é mostrar que essas mulheres além de serem estilistas, trambiqueiras ou donas de balada também podem ser inteligentes ao ponto de bolar uma genial sequência de eventos para roubar e enrolar as pessoas.

Ao avançarem com o plano vemos o grupo ultrapassando obstáculos para continuarem seus etapas, sejam eles o gerente da loja Cartier que supervisiona a saída do milionário colar da loja para o pescoço da celebridade Daphne Kluger (Hathaway em um de seus papéis mais inspirados), a equipe de segurança altamente treinada e até mesmo dos garçons que trabalham no evento.

Mesmo com algumas (poucas) reviravoltas no roteiro, como um bom filme do gênero, o longa peca em entregar boa parte das viradas em cenas de ante-mão, onde a expectativa de alguma coisa dar errada para o grupo acaba se perdendo dentro do filme como se os produtores falassem “olha vamos colocar esse cena aqui e vocês lembrem dela lá na frente”. Toda vez que temos uma complicação à vista, seja ela uma câmera de segurança mal posicionada ou uma trava de segurança com um sensor magnético, tudo é resolvido de uma forma bem conveniente para o roteiro.

Foto: Warner Bros

Oito Mulheres mostra, como um bom filme de assalto, que há sempre alguma coisa mais por trás da história que é contada e mesmo que o filme também foque em mostrar as consequências do roubo em si, a melhor parte do filme fica com o que cada uma delas nos entrega de melhor para completar o plano e finalizar o roubo. Algumas personagens tem mais destaque que as outras, a cantora Rihanna, por exemplo, como a hacker Bola 9 acaba ficando quase sempre atrás da computador fazendo carão todo tempo e até mesmo Blanchett, que some durante uma parte do filme, acaba não tendo todo o destaque merecido, mas, no final, todas tem seus momentos.

Pelo menos, temos a oportunidade de ver Mindy Kaling e a hilária Awkwafina em papéis diferentes e o roteiro de Gary Ross (que também dirige o filme) e de Olivia Milch consegue dar bons, mesmo que poucos, diálogos para as duas. O mesmo vale para Sarah Paulson que até aparece bastante e está no meio da ação o tempo todo mas que acaba ficando mais escondida e sua personagem Tammy no final não é muito explorada pela trama, ela apenas aparece em diversas cenas repetindo a cena que acaba ficando batida de ser uma mãe de família que contrabandeia coisas. A entrada de James Corden, como um investigador já nos momentos finais, é acertada e seu humor peculiar combina com o jeito descontraído do filme, onde o ator mostra para que veio, casando de uma forma bem bacana com a trama que foi apresentada até e em nenhum momento chega a ofuscar o elenco estrelado do filme.

No final, o longa se destaca pelas boas interações entre suas protagonistas e Oito Mulheres E Um Segredo acaba sendo uma boa diversão com uma história que se garante em diversos momentos mas o grande chamariz para esse filme vem, principalmente, da presença desse elenco de porte, independente de qual trama o roteiro pode contar.

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Oito Mulheres e Um Segredo estreia no dia 7 de junho.