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O Diabo de Cada Dia | Crítica: Com uma narrativa densa, longa tem altos e baixos; Tom Holland rouba todas cenas

Desde que anunciado o elenco de O Diabo de Cada Dia (The Devil All the Time, 2020) já sabíamos que o filme da Netflix era um para ficar de olho. A produção reuniria alguns dos nomes mais conhecidos, e em alta em Hollywood, e prometia um grande encontro de estrelas para contar uma história que envolvia personagens sinistros em uma região dos EUA marcada pelo pós-Guerra, pela corrupção, e claro pela religião fortemente praticada. 

O Diabo de Cada Dia | Crítica
Foto: Glen Wilson/Netflix © 2020

E O Diabo de Cada Dia reúne um time de atores talentosos e entrega um filme denso, cheio de reflexões e mostra que o mal está por toda parte não importa a figura que se apresente, seja um jovem Padre, como o personagem de Robert Pattinson, ou uma moça loira charmosa (Riley Keough em um bom ano). E mesmo com alguns altos e baixos, O Diabo de Cada Dia parece que consegue cumprir o que prometeu. E aqui, realmente quem realmente rouba todas as cenas, e entrega um personagem complexo, e muito bem desenvolvido, é o jovem Tom Holland, que ao deixar o manto do Homem-Aranha um pouco de lado se mostra um ator talentoso, incrivelmente confortável em um papel mais sério, que exige muito mais dele do que o habitual, e que comprova suas habilidades de atuações que vão muito além do que voar por aí com um traje colante. Holland entrega a melhor atuação do filme, que nos faz ficar vidrado na tela, e esquecer dos filmes que o colocaram no mapa em Hollywood. Um acerto e tanto.

E talvez, por toda essa surpresa e em vermos que Holland realmente é mesmo um bom ator é que O Diabo de Cada Dia se mostre melhor do seja efetivamente. São nas atuações que os atores entregam para esses personagens perturbados que realmente fazem a diferença na produção que sofre com alguns problemas de ritmo. Como filme, O Diabo de Cada Dia parece muito mais como um livro, e talvez a adaptação de Antonio Campos e Paulo Campos do livro de mesmo nome, tenha sofrido com isso, afinal, no longa vemos sequências de eventos que demoram para se conectarem, e funcionam mais como episódios dentro da narrativa de mais de duas horas.

Se O Diabo de Cada Dia fosse uma minissérie em 3, ou 4 partes, talvez, os impactos na história contada fossem mais sentidos e o ritmo da história não fosse tão quebrado. Claro, a construção dessa narrativa pelos Campos é bem feita, mas pareceu que quando O Diabo de Cada Dia terminou eu já estava vendo a história de Arvin Russell (Holland) há um bom tempo. E isso se dá ao fato da narrativa ser tão densa, e puxar o espectador para esse mundo cheio de sujeira, calor, e pecados por toda parte que realmente, talvez, optar em dividir o filme em episódios seria uma boa opção.

O Diabo de Cada Dia conta uma história que mescla seus diversos personagens numa trama cheia de mortes, culpa, e religião e mostra que há mais por trás desses personagens que aparentam. A trama começa no passado, com o jovem soldado Willard Russell (Bill Skarsgård, ótimo) que retorna da Guerra, e começa a formar uma família com a garçonete Charlotte (Haley Bennett). Assim, O Diabo de Cada Dia mostra Willard enfrentando as consequências que a Guerra trouxe para o seu psicológico e como isso influenciou sua família por anos. O Diabo de Cada Dia costura sua trama com um vai e vem nas histórias que aos poucos nos apresentam os personagens, e como eles se conectam uns com os outros.

A voz rouca de Donald Ray Pollock, que escreveu o livro e serve como narrador do filme, é sentida, e dá um ar de hospitalidade sulista que O Diabo de Cada Dia utiliza para contar a história e os eventos traumáticos que o longa se desenvolve. As participações de Harry Melling como um Pastor que fica louco pela fé, e Eliza Scanlen como sua filha, a beata Leonora fazem a trama rodar, mas, no finalm quem realmente tem cenas poderosas e intensas de se assistir são Holland e Pattinson.

O Diabo de Cada Dia | Crítica
Foto: Glen Wilson/Netflix © 2020

A cena da igreja, brevemente mostrada no trailer, talvez seja o ápice do longa e o ponto de virada para O Diabo de Cada Dia, onde Pattinson se mostra mais uma vez um dos atores mais talentosos de sua geração com uma composição de personagem ao mesmo tempo detestável e atrativo. O sotaque e as veias saltantes em seu rosto mostram que realmente o mal está presente até mesmo nas mais bonitas frentes, e isso se mostra um problema para a jovem Leonora (Scanlen, super talentosa) e claro para Arvin que fará de tudo para proteger sua irmã postiça. 

As tramas paralelas como aquelas que envolvem os personagens de Jason Clarke e Riley Keough como um casal de golpistas que caçam pessoas que pedem carona na estrada, e do xerife corrupto de Sebastian Stan (quase irreconhecível com uma cara redonda) completam a história de O Diabo de Cada Dia e fazem o filme ficar um pouco mais robusto, mesmo que um pouco mais cansativo, afinal, o queremos é ver o que acontece com o personagem de Holland.

Com uma trama intensa de que tenta uma contextualização para todos os acontecimentos pesados e incômodos, O Diabo de Cada Dia faz uma reunião de grandes nomes que tenta ser mais do que entrega, mas mesmo assim consegue se sobressair de outras produções. 

No final, O Diabo de Cada Dia se apoia em pequenas grandes cenas, com ótimas atuações e que definitivamente será um marco para carreira de Holland. Já para outros atores envolvidos é mais um filme qualquer, como se fosse um dia normal e uma ida à Igreja na missa de domingo.

Avaliação: 3 de 5.

O Diabo de Cada Dia está disponível na Netflix.

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