domingo, 25 fevereiro, 2024
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Não Tem Volta | Crítica: Boas risadas com Sr. Infante & Sra. Gavassi

Antes de mais nada, já digo, que toda a premissa de Não Tem Volta (2023) é interessantíssima! Da organização criminosa que o protagonista conhece, usa para contratar um assassino de aluguel e encomendar a própria morte, para os casos e acasos que passa quando desiste do processo no meio do caminho, para a química entre Rafael Infante e Manu Gavassi….

É uma ideia extremamente boa e que consegue sair bem do papel para as telonas por alguns motivos bem específicos. Não Tem Volta se sustenta inteiramente pela atuação da dupla, e talvez, se fossem outros atores, ou outros atores juntos com esses mesmos atores, o longa não iria dar certo. Outra coisa que ajuda, e muito, Não Tem Volta, é o roteiro enérgico que não deixa a trama ficar parada e mescla, ali, o tempo todo, momentos de comédia e de ação. 

Rafael Infante e Manu Gavassi em cena de Não Tem Volta.
Foto: Desire do Valle/ Star Original Productions/Conspiração.

Particularmente, gosto mais quando a trama, os personagens, e o filme em si, abraçam o lado Sr. & Sra. Smith (2005) e exploram a relação dos dois personagens quando são colocados contra a parede e precisam tomar decisões no calor do momento, na medida que fogem dos bandidos contratados. Mas não dá para dizer que, de maneira geral, Não Tem Volta não funcione em sua totalidade, seja engraçado e que garanta boas gargalhadas.

É a história meio doida que acompanha as peripécias que o vendedor de carros Henrique (Infante) passa, quando, depois de 1 ano do término com a fotógrafa Gabriela (Gavassi), ele não consegue superar a jovem e nem o fim do relacionamento deles. Daria para problematizar, e analizar psicologicamente tudo isso? Sim, mas aqui estamos numa comédia da Sessão da Tarde né?

Emocionalmente um caco, Henrique encontra uma solução extrema para seus problemas: uma empresa de assassinos de aluguel e os tais envelopes secretos com as informações da vítima que são passadas de mão em mão, por diversas pessoas desconhecidas. Ele não sabe quem vai acabar com a vida dele, mas o processo já começou, afirma o “funcionário” meio esquisitão que atende Henrique no meio de uma oficina mecânica.

Mas isso é até ele cruzar com Gabriela na rua. Ela está de volta ao Brasil depois de um tempo e decide dar mais uma chance para eles como um casal. E claro que Henrique topa. O roteiro de Fernando Ceylão abusa das conveniências, das coincidências absurdas, e de diversas passagens que você assiste e fica “Hum e isso aí que não tem o menor sentido?”, mas como falamos, são pelas atuações de Infante e Gavassi que dão o tom para o longa e que abraçam, e convidam, o espectador para embarcar nessa doideira.

E quando você aceita as regras que o filme te oferece, não tem volta, e você se vê entretido e curioso para saber o que vai acontecer com Henrique, Gabriela, e toda essa confusão toda. E o pique filme americano é sentido aqui, onde o diretor César Rodrigues garante boas cenas com um olhar Hollydiano, mas que são entregues com uma brasilidade enorme. 

Das cenas dos personagem em fuga para Salvador, para as cenas nas gravações do ensaio fotográfico que Gabriela realiza, até mesmo para o momento que a dupla invade uma Mansão e cai em uma festa com temática adulta, Não Tem Volta se faz uma boa comédia de ação. Já vimos essa história sendo contada diversas vezes lá fora, sim, mas nunca ESSA história, com ESSES personagens, e esse contexto.

Rafael Infante e Manu Gavassi em cena de Não Tem Volta.
Foto: Desire do Valle/ Star Original Productions/Conspiração.

E tudo se escalona no filme, principalmente, quando Henrique conta toda a verdade para Gabriela, sobre a organização, sobre os envelopes, e sobre o que está acontecendo com ele. Lá para a metade, o filme dá uma engrenada e vemos a comédia ganhar novas camadas, tanto para os personagens em si, que garantem algumas boas reviravoltas que são plantadas ao longo da história e que culminam em uma grande revelação lá para os momentos finais, e para também para a trama que cada momento que passa fica mais surreal.

Claro, isso dá para a dupla de atores a chance de parecer que Não Tem Volta é um grande show de improviso, principalmente da parte de Infante (tão bem aqui e com anos de humor nas costas para ajudar) e Gavassi que está bem, mas parece ser apenas a figura Manu Gavassi e não uma personagem, personagem sabe?. Particularmente eu só via Manu Gavassi ali e não Gabriela. Ainda falta um pouco para a cantora, ex-reality show, conseguir sair dessa persona tão marcante criada por ela. 

Mas, no final das contas, Não Tem Volta, entrega momentos que divertem e fazem o espectador passar bons momentos com as figuras amalucadas que Infante e Gavassi entregam em tela. Um bom ano para as comédias, sem dúvidas, e principalmente para as comédias nacionais, que deixam o lado mais pastelão para, de uma forma ou de outra, seguir a fórmula americana, mas ao fazer isso, fazem com um toque, e jeitinho brasileiro. 

Nota:

Onde assistir Não Tem Volta?

Não Tem Volta chega em 23 de novembro nos cinemas.


Miguel Morales
Miguel Moraleshttp://www.arrobanerd.com.br
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