Meus Sogros Tão Pro Crime | Crítica: Crime foi quem aprovou essa comédia non-sense

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A tentativa de transformar Adam Devine no novo Adam Sandler segue a passos largos. E aqui com Meus Sogros Tão Pro Crime (The Out-laws, 2023) é mais uma prova que parece que esse projeto tem conseguido ganhar pernas. A nova comédia da Netflix deveria dar cadeia para todos os envolvidos, afinal, o único crime aqui é para quem aprovou essa palhaçada vergonhosa e non-sense.

Meus Sogros Tão Pro Crime tem seus momentos, claro, mas são raríssimos, afinal, tudo é tão narrativamente, e textualmente, pobre, que nem com o sentimento jocoso de ter passado 1h35 com esses personagens que o longa poderia transmitir é recompensado quando os créditos finais começam a rolar. Pelo menos eu estava em casa, o filme entrou no catálogo de uma assinatura que eu já pago. Imagina ter que sair de casa, pagar ingresso, entrar no cinema e depois ter que voltar? Preguiça.

Pierce Brosnan, Ellen Barikin, Nina Dobrev, e Adam Devine em cena de Meus Sogros Tão Pro Crime.
Foto: Cr. Scott Yamano/Netflix ©2023

E talvez, isso de quererem forçar Devine num papel que definitivamente Sandler faria nos anos 2000, hoje, mais de 20 anos depois soa exatamente como isso: forçado.E como o texto não é o dos melhores, e também se formos olhar os créditos da dupla responsável pelo roteiro, Evan Turner e Ben Zazove, dá para entender bem o motivo que o longa nunca chega a empolgar.

Praticamente novatos, os dois sacrificam passagens importantes de história em prol da comédia física e de cenas completamente ruins de se assistir. Em alguns casos dá certo, aqui em Meus Sogros Tão Pro Crime é o que dá muito errado para o filme.

E olha que Tyler Spindel tem se dedicado para essas comédias besteirol, ele é responsável pelo desastroso A Missy Errada (2020) e também Pai do Ano (2018), mas aqui com Meus Sogros Tão Pro Crime o diretor parece subir um degrau a mais na medida que o longa até consegue reunir bons nomes para o filme, mas nada que Spindel consiga usar a seu favor.

E se Devine não é nenhum Sandler, o mesmo podemos dizer de Nina Dobrev que também não é nenhuma Jennifer Aniston ou Drew Barrymore e entrega aqui uma personagem com um carisma de uma nota de dólares que os bandidos vivem para roubar. A atriz e o colega tem uma química de zero para inesistente e parece que a personagem de Dobrev, a instrutora de Ioga Parker, só está ali para ser mesmo o elo de conexão entre o noivo, o gerente de banco de DeVine, o certinho e extremamente bonzinho Owen, com os sogros.

E na medida que os pais dela chegam na cidade para o casamento, o personagem começa a suspeitar que eles são as mesmas pessoas que roubaram o local que ele trabalha. Meus Sogros Tão Pro Crime trabalha com a premissa que não existe dúvida que o casal interpretado por Pierce Brosnan (colocando bastante a cara em Hollywood, primeiro em Cinderela, depois em Adão Negro) e Ellen Barkin serão os bandidos do filme.

O texto de Meus Sogros Tão Pro Crime não consegue brincar com essa ambiguidade e é tudo muito jogado nas pistas que devemos prestar atenção para fazerem sentido para o espectador, e para Owen, que seus sogros são os bandidos. É como os roteiristas tivessem que socar o Foreshadowing na nossa goela para continuarem com a trama, o mais rápido possível.

O texto corre com essa  parte, que deveria ser a mais interessante, para já logo colocar Owen, Parker, e os pais Billy e Lilly na mira da chefona do crime Rehan (Poorna Jagannathan, ótima e vindo do sucesso de Eu Nunca…) que quer seus milhões de dólares e fazem o grupo se reunir para assaltar mais um banco.

Poorna Jagannathan e Nina Dobrev em cena de Meus Sogros Tão Pro Crime.
Foto: Cr. Scott Yamano/Netflix © 2023.

E nem quando o longa coloca os aventureiros pais de Parker com os também certinhos pais de Owen, Margie (Julie Hagerty) e Neil (Richard Kind), o longa consegue brincar com esse contraste de personalidades. É tudo muito exageradamente embaraçoso de se assistir, o texto é ruim, os atores parecem querer dar o melhor, mas tudo é muito ruim.

Das piadas com vômitos, o assalto com a máscara de Shrek, do detetive do FBI de Michael Rooker, e a forma como carismático Lil Rel Howery é sub-utilizado aqui, tudo em Meus Sogros Tão Pro Crime é mal desenvolvido, executado, e que você dá aleluia para o filme só ter apenas 1h35. 

Poucas piadas funcionam em Meus Sogros Tão Pro Crime, e até mesmo para os padrões de comédias da Netflix ultimamente, o longa é um bem ruim. No final, o que temos é uma comédia criminosa de falar que viu, escrever crítica, e logar no Letterboxd. As expectativas já estavam lá embaixo, mas o resultado? Pela amor de Deus. O bom que semana que vem chega outro filme na Netflix, e até mesmo fora da plataforma, ainda bem que temos diversas outras opções, e vida que segue.

Yikes. Essa fica por sua conta e risco, leitores, depois não digam que eu não avisei.

Avaliação: 1.5 de 5.

Meus Sogros Tão Pro Crime disponível na Netflix.

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