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Liga da Justiça de Zack Snyder | Crítica: A versão do diretor que o filme e os fãs mereciam

O momento chegou. Depois de quase 4 anos, a versão do diretor Zack Snyder para Liga da Justiça estreia nos EUA lá na HBO Max, e no Brasil nas plataformas digitais (não foi em todas as prometidas e com alguns erros de acesso ao longo da manhã, mas ei antes assim do que esperar o lançamento da plataforma em junho, né?).

Cercada de polêmicas, pesadas acusações de bastidores, um fandom super mobilizado e agressivo nas redes sociais, e o lançamento da HBO Max pela WarnerMedia/AT&T em mais um capítulo da Guerra dos streaming, a Liga da Justiça de Zack Snyder, também conhecida como Snyder Cut, faz um capítulo final para uma história que movimentou Hollywood durante um bom tempo. Ou será que não? Afinal, parece que essa poeira não vai baixar tão cedo hein?

Foto: Warner Media/Warner Bros. Pictures

E ao assistir as 4 horas do filme, fica claro a intenção de Snyder com o filme. Seu Liga da Justiça é uma finalização incrível para um arco que começou lá em Homem de Aço (2013), passou por Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016), e continuaria em seguida em 2017 com Liga da Justiça. Mas os diversos problemas com o estúdio, um acontecimento trágico na vida pessoal de Snyder que levou a troca de diretores do filme, nos entregou um trabalho lá em 2017 que não agradou os fãs e a crítica. Na época que o filme saiu eu até gostei do que vi, e falei (bem) até aqui no site, do filme. Claro ele não é perfeito, tem seus erros, mas só pelo fato de ver aqueles personagens todos em tela, reunidos em um filme pela primeira vez, e o carisma e a habilidade dos atores como Gal Gadot, Jason Momoa e Ben Affleck para contar aquela história, para mim, foram muito mais interessantes que os erros que o longa entregou.

Só que aqui, o Liga da Justiça de Zack Snyder é uma outra coisa completamente única e especial à sua maneira. E o filme realmente é a visão do diretor para aqueles personagens e como o filme deveria ter sido contado sem a interferência do estúdio, e de outras pessoas, e ponto. São 4 horas de puro agrado para os fãs. Liga da Justiça de Zack Snyder é uma culminação explosiva e gigantesca de uma história que levou mais de 4 anos para acontecer… e talvez, por isso, precisasse de 4 horas para ser contada.   

A sensação de déjà vu, ao começar o filme, é gigante.  Claro, já vimos boa parte dessas cenas antes, há muito tempo atrás, mas agora elas estão em outra ordem, com outra coloração, e com uma outra roupagem. Melhor? Eu diria que sim. Em questão de produção cinematográfica acho que essa versão e a versão de 2017 estão no mesmo nível, afinal, contam a mesma história. Mas essa de 2021, parece ter sido mais bem cuidada e pensada.

O Liga da Justiça de Zack Snyder é filme com uma visão para a mesma história que vimos antes, o mundo de luto pela morte do Superman e que fica na mira de ameaças do espaço. Assim, Batman (Ben Affleck) e Mulher-Maravilha (Gal Gadot) partem em busca de reunir outras pessoas com poderes para formar uma aliança para o que vem por aí. A ameaça única do alien Steppenwolf (que ganha uma nova cara feia criada por efeitos especiais e uma nova armadura) é substituída pela introdução do vilão dos quadrinhos Darkseid, assim, capanga e mestre continuam na busca pelas caixas maternas e pela equação da vida (que é introduzida rapidamente no filme).

O mesmo vale para toda a trama do retorno do Homem de Aço de Henry Cavill (aqui sem efeitos especiais para tirar o bigode) e que realmente se consagra como uma versão muito interessante do personagem. Assim, o filme acaba ser uma versão mais séria para contar sua trama, faz um longa mais sóbrio, mais a cara de Snyder de fazer cinema, cheio de contemplação e cenas longas que se estendem para dar para o espectador uma sensação de estar dentro dessa história.

Com o total controle do filme, Snyder parece que colocou tudo que ele filmou na época aqui, e sem corte nessa sua versão do filme. Assim, com uma nova edição (ou talvez a edição que ele sempre pensou lá em 2017), o diretor ajuda o espectador a ter uma visão completamente maior sobre o que ele quis contar e que podemos ver nas novas passagens que o filme apresenta. Temos cenas que não tínhamos na versão de 2017, que foram excluídas, e algumas cenas novas gravadas exclusivamente para essa versão. 

Foto: Warner Media/Warner Bros. Pictures

Victor Stone, o jogador de futebol transformado em máquina, aqui chamado de Cyborg, interpretado pelo ator Ray Fisher, assume um protagonismo tão maior no filme, e não só ele, seu pai o cientista Silas Stone (o ótimo Joe Morton) também avançam para a linha de destaque tanto em tempo de tela quanto de função na trama. E ao ver o filme, realmente fica a dúvida de como a equipe de produção que assumiu o filme depois da saída de Snyder conseguiu tirar boa parte das cenas que envolviam os personagens. Tem uma no final, em que vemos Victor ouve um áudio de seu pai que realmente é muito boa.

 Quem também ganhou muito mais destaque e realmente está muito melhor aqui do que na versão de 2017 é Ezra Miller. Miller como Flash é uma escolha super acertada, seu Barry Allen tem um humor completamente único e estranhamente divertido. E mesmo com todas as polêmicas que ele se envolveu, ainda acho uma decisão acertada do estúdio em manter o ator como o personagem no filme solo. Em Liga da Justiça de Zack Snyder temos mais cenas do ator com seu pai, Henry (Billy Crudup), e uma grande cena com Iris West (Kiersey Clemons de volta depois de ter sido cortada do filme de 2017) em que vemos o herói, salvar a personagem de um acidente de carro.

Quem também ganhou um maior destaque foi cidade de Atlântida, a guerreira Mera (Amber Hard) e o conselheiro Vulko (Willem Dafoe). Os personagens foram um destaque no filme solo do personagem Aquaman lançado em 2018, assim aqui no filme temos muito mais cenas na cidade aquática e na fortaleza que abriga uma das caixas maternas. O personagem de Momoa tem um tom diferente e mais sério aqui e que é realmente diferente do que vimos no longa de 2018.

No final, o Liga da Justiça de Zack Snyder acaba por fazer um filme ampliado em todos os sentidos e é um agrado monumental para os fãs. Temos mais cenas, cenas que estão em sua totalidade sem edição nenhum, e como falamos novas cenas gravadas para o longa que se encontram nos momentos finais. A possibilidade que as passagens finais entregam com o retorno do Coringa de Jared Leto, o Exterminador do ator Joe Manganiello, e da própria Mera como líder de Atlântida apenas mostram que Snyder talvez tenha alguma carta escondida na manga. O que deverá ser uma nova tarefa homérica para os fãs que agora devem focar suas atenções para tentar restaurar esse Universo criado pelo diretor, afinal, curiosamente boa parte dos atores vistos nessa cena juntamente com Ben Affleck, estiveram em atrito com o estúdio nos últimos tempos. 

O que será que vem aí?

Avaliação: 3.5 de 5.

Liga da Justiça de Zack Snyder está disponível no Brasil pela Warner Home até 7 de abril para aluguel nas principais lojas digitais do país, incluindo Apple TV, Claro, Google Play, Looke, Microsoft, Playstation, Sky, Uol Play, Vivo e WatchBr.