Hypnotic – Ameaça Invisível | Crítica: Longe de ser um A Origem, entrega boas reviravoltas

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Talvez A Origem (2010) tenha sido o filme que mais ficou preso no imaginário popular na última década, que representou e deu rosto para esse tipo de gênero, aquele onde as realidades se colapsam e a tecnologia se funde com a vida das pessoas. Junto com Sin City (2005) anos antes e também a franquia Matrix que começou lá nos anos 90 e teve recentemente uma tentativa de reboot alguns anos atrás, esse filmes marcam a tentativa desses diretores de tentar capturar a atenção dos espectadores com uma história de um mundo aparentemente comum, onde temos eventos que levam os protagonistas a se questionaram as realidades e o mundo que vivem.

E com Hypnotic – Ameaça Invisível (Hypnotic, 2023) não é diferente. Mas aqui, o novo filme do diretor Robert Rodriguez talvez seja o mais fraco dessa leve e está bem longe de estar no mesmo patamar que os outros. Mas não é de todo ruim, afinal, tem dois protagonistas interessantes e entrega boas reviravoltas.

Ben Affleck e Alice Braga em cena de Hypnotic – Ameaça Invisível.
Foto: Diamond Films/Reprodução. All Rights Reserved.

E é um longa que querendo ou não dá mais um destaque para um artista brasileiro em grandes produções gringas. Alice Braga já percorre esse caminho há algum tempo, e realmente está muito bem em Hypnotic – Ameaça Invisível. No longa, a atriz tem mais o que fazer do que sua participação em O Esquadrão Suicida (2021) e assume o papel de co-liderança ao lado de Ben Affleck, que também passou poucas e boas na DC, onde os dois se vêem jogados neste mundo onde hipnóticos são figuras que conseguem não só transformar a realidade dos outros com o poder da mente, mas também alterar a forma como as pessoas veem e encaram o mundo que os cercam.

A premissa do filme é interessantíssima, e sinto que Rodriguez e Max Borenstein que cuidaram do roteiro, tem uma ideia bacana e com bastante potencial, mas sinto também que faltou, e precisou de um pouco mais, para fazer Hypnotic – Ameaça Invisível um filme mais robusto.

Talvez tenha sido o orçamento, ou talvez tenham sido os problemas de se gravar na pandemia que não deixaram o filme decolar. Acho que faltou uma preocupação com os detalhes na produção. Claro, os efeitos visuais não são espectaculares, mas ajudam o filme a contar sua história. Mas também tudo me pareceu um grande episódio de uma série de TV, e com produções para a telinha cada vez mais cinematográficas, os produtores e diretores precisam melhorar o que apresentam para o público e que faça valer a ida, e o ingresso, do cinema. 

Assim, Hypnotic – Ameaça Invisível faz um bom, mesmo que contido, filme de suspense e que como falamos, se garante nas peças desse quebra-cabeça (ou seria jogo de dominó?) que quando começam a se encaixar tudo faz sentido. Com as cartas na mesa, sinto que a história que Rodriguez queria contar sobre um detetive (Affleck) que investiga o desaparecimento da filha, e cruza o caminho com os tais hipnóticos, um vilão no estilo Bond (William Fichtner), uma psíquica (Braga) que o guia por esse mundo acaba por empolgar se você embarcar nela.

Munido com uma foto, uma mensagem misteriosa, e muita determinação, o detetive entra nesse espiral que as coisas que ele vê não parecem ser o que são. Desde assaltos a bancos, para operações policiais, até mesmo para idas em cartomantes no meio da noite. 

Ben Affleck em cena de Hypnotic – Ameaça Invisível.
Foto: Diamond Films/Reprodução. All Rights Reserved.

Em Hypnotic – Ameaça Invisível, talvez por conta da duração, as coisas ganham forma muito rápido e o longa engrena quando as reviravoltas começam a acontecer. Tudo é muito rápido, certeiro, e ágil para pegar o espectador de surpresa. Pelo menos foi que aconteceu comigo. Eu fiquei: Ah é isso? E ai mais duas, três coisas aconteceram e eu: AH É ISSO!. Claro, alguns diálogos e cenas são bem duros e travados, mas eu coloco na conta de serem feitos por estarmos numa determinada parte da trama que eles foram feitos para serem assim (aqui, sem spoilers). 

Affleck parece estar no piloto automático, ainda meio enferrujado, e nada como visto em Air – A História Por Trás do Logo lançado no começo do ano. Com Hypnotic – Ameaça Invisível fica claro que não entrega o seu melhor, mesmo com um papel a cara do ator, um detetive, um trabalhador, um pai de família. Mas em compensação Braga e Fichtner estão muito bem e realmente assumem um papel maior lá para os momentos finais que, sem dúvidas, devem deixar o espectador preso na cadeira por conta da imprevisibilidade dos eventos que a trama oferece.

No final, Hypnotic – Ameaça Invisível tem pequenos glimpses do filme incrível que poderia ser, mas que ficam presos em outra realidade, ou outra simulação se formos definir assim. 

Nota:

Onde assistir Hypnotic – Ameaça Invisível?

Hypnotic – Ameaça Invisível chega nos cinemas nacionais em 26 de outubro.

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