Abigail | Crítica: Esqueceram de Mim de Terror

Dupla de diretores de Pânico entregam com Abigail um Esqueceram de Mim de terror com história de garotinha bailarina vampira.

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Talvez uma das decisões mais corretas da Universal Pictures, nos últimos tempos, tenha sido abandonar os planos do Dark Universe e focar, e dar liberdade criativa para seus diretores, em projetos isolados e que meio que retomam de uma outra forma o Universo dos Monstros que foi um dos pilares do estúdio no começo do século passado.

O Homem Invisível, o lacaio do Drácula, e agora a filha do Senhor das Trevas, e ainda o inédito Lobisomem, no próximo ano, seguem essa fórmula de contarem a história desses personagens clássicos do cinema e do mundinho de terror. E com Abigail (2024), a Universal Pictures se junta com os diretores da Radio Silence, a dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, para contarem essa história de uma jovem bailarina que é sequestrada, e descobrimos que ela é nada mais, nada menos que a filha do vampiro mais conhecido do cinema. E não estamos falando do Edward de Crepúsculo e sim de uma versão do Drácula.

Só que aqui, vemos que a jovem bailarina Abigail (Alisha Weir) é sequestrada no meio da noite por um grupo de bandidos que exigem um resgate gigante em troca de devolver a garotinha para seu pai. O que eles não sabem é quem é ela, quem é o seu pai, e que eles vão ficar presos a noite toda, ok, por 24 horas, numa mansão e com a jovem vampirinha. O conceito é interessantíssimo e une um roteiro afiado (igual as presas de Abigail) com um elenco de nomes muito bem entrosados e em alta em Hollywood. Eu prometo de jurar de dedinho para vocês que vocês vão se divertir com o filme. Afinal, antes de tudo, fica claro que Abigail é a fórmula que tem dado certo nesses filmes do Universo de Monstros da Universal Pictures: produções que não se levam a sério.

Acho que não me divertia tanto com um filme de terror, igual Abigail, desde de MEGAN lançado lá em 2022. Nessa mistura de Esqueceram de Mim (1990) com Ninguém Segura Esse Bebê (1994), os roteiristas Stephen Shields e Guy Busick (que trabalhou com o Radio Silence em Casamento Sangrento e nos dois filmes Pânico comandamos pela dupla) conseguem criar quase como se fosse um quebra cabeça com a chegada desses bandidos na mansão depois que são recebidos pelo misterioso Lambert (Giancarlo Esposito, num bom ano até agora) e que dá as regras para a permanência deles no casarão, inclusive com os nomes falsos que eles ganham, e claro, com a obrigação deles não contarem nada, uns para os outros, sobre suas vidas pessoais.

Alisha Weir e Kathryn Newton em cena Abigail. Foto: © Universal Studios/Universal Pictures. All Rights Reserved.

Abigail então funciona como um murder mystery, como um filme de quem vai sobreviver, e entrega passagens para lá sangrentas e divertidas, mas não por serem engraçadas, e sim por entregarem momentos para lá de doidos na medida que a jovem Abigail começa a perseguir suas presas. “Eu gosto de brincar com minha comida”, diz a garota em um determinado momento do filme com um sorriso maldoso, um olhar de maníaca, e claro, sangue na cara. A atriz mirim Wier (vinda do sucesso de Matilda – O Musical lançado na Netflix alguns anos atrás) realmente entrega uma personagem completamente deliciosa de se assistir na medida que ela navega pelas facetas que Abigail apresenta no filme. A atriz sai da persona garotinha indefesa e vira a chavinha para ser um vampira de mais de 300 anos entediada e com os dentes afiados pronto para serem usados. E se a jovem que dá título para o filme está bem, o mesmo vale para o elenco adulto, dos bandidos, que tem a possibilidade de entregarem boas cenas, por conta do roteiro, antes de começarmos a ver eles desaparecerem ou morrerem pelas mãos da vampirinha ao longo da noite.

Angus Cloud, Kathryn Newton, Alisha Weir, Kevin Durand, Dan Stevens,Melissa Barrera e Will Catlett em cena Abigail. Foto: © Universal Studios/Universal Pictures. All Rights Reserved.

E talvez o trio mais conhecido, seja o que mais se destaca em Abigail. De Melissa Barrera (de volta a trabalhar com a dupla de diretores na franquia Pânico depois que deixou o terceiro filme alguns meses atrás cercada de polêmicas) que realmente está muito bem como Joey, a única do grupo que parece estar preocupada com o bem-estar da criança e com outros problemas que são apresentados ao longo do filme. Assim, ao longo do filme, em Abigail fica claro que Barrera tem bem trilhado seu caminho no gênero e vem para ficar. Os haters vão ter que engolir a presença da atriz. Para o imprevisível e cada vez mais com personagens fora da casinha, o talentoso Dan Stevens (que vem do sucesso de Godzilla Vs Kong: O Novo Império e ainda está no inédito Cuckoo que tem dado o que falar em festivais por onde passou) como o chefão desse grupo e também para a atriz Kathryn Newton que vem de outros filmes do gênero como Lisa Frankenstein lançado nos EUA alguns meses atrás e que não se conectou com o público (o mesmo vale pela sua participação no último filme do Homem-Formiga) que interpreta uma hacker rebelde.

Os três realmente estão muito bons como esses personagens que vem de lugares diferentes, passados diferentes e estão ali pelo dinheiro oferecido, se eles sobreviverem. Afinal, são 7 milhões de dólares para cada um né? Completam a lista do longa ainda, o ator Kevin Durand como o brutamontes Peter tem as cenas mais engraçadas do filme e realmente é um alívio cômico, mesmo que seu personagem sofra com a mesma piada ser repetida várias vezes ao longo da trama. Já William Catlett, como Rickles, tem boas cenas com a personagem de Barrera, mas nada que chame a atenção. O mesmo vale para o personagem do falecido ator Angus Cloud que até tem cenas interessantes, principalmente com Newton, mas entrega o mesmo do seu trabalho em Euphoria. O filme, aliás, presta uma homenagem para o ator.

Assim, todos esses personagens precisam sobreviver a noite, estando prontos ou não para encararem essa noite. Além de entregar um divertido longa de terror, Abigail, meio que ainda serve para homenagear os filmes anteriores da dupla de diretores, que aqui fincam seus nomes no gênero. Com o longa, realmente eles conseguem fazer com que o espectador sinta que o longa é um grande compilado do que já vimos antes, do casarão escuro visto em Casamento Sangrento (2019), para as protagonistas bad-ass ah lá Samara Weaving, e aqui representada por Barrera e também por juntar um bando de pessoas sendo perseguidas por um vilão doido igual em Pânico. É caminhar por temas e histórias que já vimos, ao mesmo tempo que no final, Radio Silence entrega, novamente, bons momentos aqui. 

Das reviravoltas na trama, para o elenco que realmente está muito bem antes que alguns explodam em tela, para outras cenas mais gore, Abigail faz um filme que sabe dançar conforme a música, aqui no caso, O Lago dos Cisnes de Tchaikovsky que não era usado tão bem desde de que Natalie Portman levou o Oscar por Cisne Negro.

Nota:

Abigail está em cartaz nos cinemas nacionais.

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