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Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars | Crítica

Os fãs de A Escolha Perfeita (2012) devem tá se debatendo com Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars (2020), já os de Glee então nem se fala, se eles conseguirem tirar os olhos das polêmicas que envolvem os bastidores da série, já devem estar se preparando para ir falar muito mal do filme nas redes sociais. 

A atração da Netflix é baseada na competição musical Eurovision, que acontece todos os anos na Europa, onde o festival já teve nomes famosos como a banda ABBA, a cantora Celine Dion, e ainda Olivia Newton-John e Julio Iglesias, mas nunca viu uma dupla como Sigrit e Lars causar tanta confusão.

Will Ferrell and Rachel McAdams in Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga (2020)
Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars | Crítica
Foto: Netflix

Elfos mágicos, explosões, e fogos de artifício não são nada comparados com a estouro que é a presença dessa dupla de cantores do pequeno país chamado Islândia. Mas nem mesmo toda a parafernália que a dupla Sigrit (Rachel McAdams) e Lars (Will Ferrell) coloca no palco faz de Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars ser um bom filme, e para ser pior, só se tivéssemos o Adam Sandler e Rob Schneider no elenco. 

O filme tem coisas que funcionam, não vamos negar, mas são tão poucas… os grandiosos números musicais, as figurinhas de cantores conhecidos do festival de verdade que pipocam no filme como Netta Barzilai e Conchita Wurst, e claro, a contagiante vontade de saber o que vai acontecer com a dupla de cantores da Banda Fire Saga são um belo motivador para dar play para o filme, mas como produção cinematográfica Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars deixa muito a desejar.

Os personagens são exagerados, camp, e completamente surtados, ou seja, um típico filme de Will Farrell. Em Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars nem dá para justificar tudo isso com a desculpa “ah mas tem que embarcar na história” pois não dá, o roteiro de Will Ferrell, Andrew Steele pesa muito a mão, tem muitas conveniências, e deixa os outros longas sobre competições serem melhor do que são em comparação ao filme.

São poucos os momentos inspirados, acho que realmente esbocei um sorriso pontualmente nas partes que Demi Lovato aparece, interpretando uma cantora chamada Katiana, e que são apenas umas três vezes ao longo do filme todo, desculpa fãs!. Não posso negar também que os atores parecem que se divertiram com seus personagens, é o caso de Dan Stevens como Alexander Lemtov, um exagerado cantor russo com um delineador marcante, roupas pomposas, e trejeitos expansivos que no final das contas combinam com o tipo de filme que Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars quer ser. O ator inglês está muito bem, não nego, e é bom ver ele em uma nova produção de destaque.

Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars | Crítica
Foto: Netflix

O mesmo vale para Rachel McAdams que parece estar mais confortável em retornar para produções menos sérias e de menos prestígio, e entrega uma atuação com um tom mais cômico, como já visto no clássico Meninas Malvadas (2004) e no mais recente A Noite do Jogo (2018). Sua Sigrit é uma daquelas mocinhas sonhadoras que levam um tempo para se soltarem, e aqui em Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars a cantora de McAdams é como se fosse uma larva que demora para se tornar uma bela borboleta. De resto, os atores Pierce Brosnan como o pai de Lars, e Jamie Demetriou, visto em Fleabag, como um técnico do evento tem papéis pequenos, mas com boas participações.

O filme tenta fazer uma história de amadurecimento para ambos os protagonistas, mas apenas coloca números musicais grandiosos para cumprir tempo entre a trama já que o roteiro é desenvolvimento pobremente. Os poucos destaques na história ficam em uma grandiosa festa que o personagem de Stevens dá e temos um grande mash-up de diversas músicas conhecidas, como Believe da cantora Cher, Waterloo da já citada ABBA, e I Gotta Feeling da banda Black Eyed Peas, e claro, uma das apresentações de Sigrit e Lars no palco da Eurovision.

Infelizmente a repetição de diversas piadas, os sotaques exagerados, e as pirações sem tamanho deixam o filme com um ar completamente datado lá dos anos 2000. No final, Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars tenta mirar nas estrelas, e fazer uma experiência musical inesquecível, mas acaba por apenas ser mais um filme bobinho e sem noção de Will Farrell. Se for para ser assim, preferia encarar Lizzie Mcguire: Um Sonho Popstar (2003) de novo.

Nota do Crítico:

Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars está disponível na Netflix.

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