Festival do Rio 2023 | Pobres Criaturas | Resenha

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Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza 2023, Pobres Criaturas é o novo filme do diretor Yorgos Lanthimos.

Sinopse: A fantástica evolução de Bella Baxter, uma jovem que é trazida de volta à vida pelo brilhante e pouco ortodoxo cientista Dr. Godwin Baxter. Sob a proteção de Baxter, Bella está ansiosa para aprender. Desejando conhecer mais sobre o mundo, foge com Duncan Wedderburn, um advogado astuto e debochado, para uma aventura por vários continentes. Livre dos preconceitos de sua época, Bella se firma em seu propósito de defender a igualdade e a libertação.

O que achamos: Uma obra de arte em todos os sentidos.

O que temos com Pobres Criaturas é o diretor grego Yorgos Lanthimos apresentar um novo longa belíssimo e que acerta em tudo (basicamente) que se propõe a entregar.

Em uma nova parceria com a atriz Emma Stone, depois de trabalharem juntos em A Favorita (longa que deu o Oscar para ela), Lanthimos debruça numa história completamente maluca e deliciosamente cativante de se assistir. Com o filme, Stone, mais uma vez se comprova ser uma das melhores atrizes hoje em dia em Hollywood e aqui está  absolutamente genial como Bella Baxter, uma jovem que volta à vida pelas mãos de um cientista maluco (Willem Dafoe) e que depois de algum tempo presa e isolada do mundo, precisa deixar o local confortável que vive e embarcar em uma jornada para descobrir um novo, adorável, e perigoso mundo. 

It’s alive! Então, ao construir esse universo particularmente único, Lanthimos faz um trabalho minuciosamente caprichado que definitivamente será lembrado, e também estudado no futuro. Se formos pegar carona no sucesso de Barbie, da diretora Greta Gerwig lançado também esse ano, o que temos são dois filmes que conversam, com tramas e propostas narrativas que se completam. Quem sabe, no futuro, temos uma sessão dupla muito interessante de se programar? Uma combinação incrível de se pensar e bem mais interessante que Barbenheimer.

Afinal, tanto Barbie quanto Bella saem em jornada pelo mundo para descobrirem mais sobre si mesmas e, cada um em sua maneira, não vão deixar, nem seus colegas masculinos, nem o tal mundo ditarem quem elas são! E Lanthimos faz esse trabalho de descoberta da jovem Bella ser o mais colorido e visualmente incrível possível. 

É como se tivéssemos um Barbie Cult. Das cenas em branco e preto, passando pela virada para o colorido, as cores pastéis, com as cores vivas que saltam em tela, e o já tradicional trabalho de assinatura visual e estético do diretor, com as cenas gravadas no formato de olho de peixe, Pobres Criaturas entrega não só um filme caprichadíssimo em termos de produção como também um que abraça conseguir catapultar o espectador para essa história que é desenvolvida como uma grande jornada de autodescoberta para a protagonista.

Stone está fantástica em Pobres Criaturas, mas não é só ela. Mark Ruffalo como o advogado canastrão Duncan Wedderburn, um personagem que convence Bella a conhecer e explorar o mundo junto com ele, também entrega um dos melhores papéis de sua carreira e deixa de lado, enfim, os anos no mundinho da Marvel Studios. De maneira geral, o elenco inteiro está bem aqui e parecem que foram escolhidos à dedo. De Stone, para Ruffalo, junto com Dafoe e o queridinho das séries cult Ramy Youssef que dá as caras por aqui também.

Assim, os ares teatrais, os figurinos exagerados, e o tom fabulesco, dão um charme para Pobres Criaturas na medida que o texto de Tony McNamara (que trabalhou com Stone em Cruella e também com Lanthimos em A Favorita) propõe discussões interessantes sobre as amarras da sociedade em relação a forma como Bella se comporta e lida com diversas questões principalmente sobre sexo e o corpo feminino que são bastante explorada e graficamente mostradas ao longo do filme. Um aviso, se prepararem para muitas cenas mais quentes, principalmente lá para a metade do longa.

No final, Pobres Criaturas entrega um triunfo visual e narrativo que celebra não só Lanthimos como uma das mentes mais criativas do entretenimento, mas também o talento de Stone, e a marca característica da produtora Searchlight em mais uma vez contar, abraçar e apostar em novas e ousadas histórias originais. Pobres Criaturas entrega uma comemoração e tanto para o centenário da Disney e desde de já um dos meus filmes favoritos do ano.

Nota:

Estreia no circuito comercial em Fevereiro de 2024.

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