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Entre Realidades | Crítica

Ter feito sua pré-estreia em Sundance 2020 diz muito sobre o tipo de filme que Entre Realidades (Horse Girl, 2020) acaba por ser. O festival americano dá chances para diretores em início de carreira e para filmes que tenham uma proposta diferente do que costumamos ver por aí. E Entre Realidades é isso, quase um experimento, com um quê de peça de teatro de faculdade, onde há a liberdade de ousar e brincar com ideias e situações.

Alison Brie in Horse Girl (2020)
Entre Realidades | Crítica | Foto: Netflix

Entre Realidades, escrito por Jeff Baena e Alison Brie, realmente foi criado para deixar o espectador viajar na proposta que o longa oferece, onde o roteiro da dupla brinca com diversas questões e suposições que a trama nos oferece sempre deixando um ar de dúvida e indagação na cabeça do espectador.

Se esse não é seu tipo de filme, talvez, Entre Realidades não seja para você. O ritmo lento, quase como estivéssemos vendo a protagonista viver dentro de um sonho, a paranoia sempre presente das questões que ela vivência e teme, e o sentimento instigante de querer saber o que realmente de fato acontecem marcam esse longa quase experimental e oras bastante confuso.

Entre Realidades entrega uma história intensa e nos garante uma ótima atuação de Alison Brie que parece definhar aos olhos do espectador em sua espiral de loucura. Entre Realidades faz um olhar bastante peculiar sobre a condição humana, doenças mentais, e como é viver dentro da cabeça de uma pessoa que sofre com esses problemas.

Ao unir o diagnóstico da jovem Sarah (Brie, ótima) com teorias da conspiração, abduções alienígenas, e viagens no tempo, Entre Realidades abre um leque de opções e caminhos bastantes interessantes sobre o que é real e o que não é. O filme faz com o que o espectador se conecte com a figura inocente que Sarah se apresenta, uma pessoa com poucos traquejos sociais e que tem uma rotina certa, onde ao mesmo tempo acompanhamos a jovem perceber que alguma coisa está errada em sua vida.

Quando suas visões com outras pessoas e alucinações com quartos brancos e portas luminosas começam a se intensificar, Entre Realidades começa a questionar a própria realidade de Sarah, e se devemos ou não confiar no que ela nos diz. Entre Realidades faz uma versão mais intensa e pirada de Distúrbio (2017), protagonizado por Claire Foy, onde aqui além de temos a busca sobre se nossa personagem diz a verdade ou não, vemos o diretor Jeff Baena brincar com as visões de Sarah de uma forma muito mais agressiva e piradas do que no outro filme.

Alison Brie and Debby Ryan in Horse Girl (2020)
Entre Realidades | Crítica | Foto: Netflix

E se Entre Realidades ao mesmo tempo que explica a condição clínica da jovem, mostra que para a pessoa vivendo nesse quadro psicótico as coisas podem ser reais para essa realidade criada na mente dela, não que efetivamente são reais para uma mente sã. Assim, todas as visões, a questão envolvendo a semelhança com a avó, a colega de quarto duplicada (interpretadas pelas atrizes Debby Ryan e Dylan Gelula), e até mesmo a questão dos alienígenas que fazem experiências com os humanos são criadas pela mente de Sarah para justificar sua internação na clínica, mesmo que para ela isso signifique estar no campo aberto com seu cavalo na espera de um contato intergalático e não presa num cubículo numa instituição médica. No final, Entre Realidades navega entre as diversas realidades que Sarah escolheu para si, e é por conta dessa sutileza que o filme ganha mais pontos, e se destaca em sua proposta.  

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Entre Realidades disponível na Netflix.

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