domingo, 25 fevereiro, 2024
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Em bate-papo, Erik Messerschmidt desvenda os segredos de produção de O Assassino

Depois de ter feito pré-estreia no Festival de Veneza, o longa O Assassino passou pelos cinemas nacionais, e agora chega na Netflix.

O diretor David Fincher e o ator Michael Fassbender fazem uma combinação explosiva ao contratem essa história como um assassino que vai precisar enfrentar as pessoas que o contrataram e a si mesmo em uma caçada internacional.

Em nossa crítica falamos que O Assassino entrega um longa “uma paleta de cores que se contrasta com o quanto preciso é o personagem, o mundo criado e a história.”

Mas outra pessoa foi fundamental para fazer o filme dar muito certo. Foi o diretor de fotografia Erik Messerschmidt, o vencedor do Oscar em 2021 por Mank também do diretor.

A relação de Messerschmidt com Fincher já é antiga, foi gaffer (eletricista-chefe) em Garota Exemplar (2014), de Fincher, e depois foi diretor de fotografia da maior parte dos episódios da série Mindhunter (2017). 

Confira as curiosidades que Erik Messerschmidt comentou sobre seu trabalho em O Assassino e retornar a trabalhar Fincher.

Michael Fassbender em cena de O Assassino. Foto: Cr. Courtesy of Netflix. Netflix ©2023

Sobre voltar a trabalhar com Fincher.

Trabalhar com diretor sempre é um das prioridades de Messerschmidt. Mas quando recebeu o roteiro de O Assassino, ele ficou com algumas dúvidas. Então marcou uma reunião com ele para tentar descobrir mais sobre o longa.

“Fui conversar com David, e ele me explicou que o filme não era sobre niilismo, mas sim sobre precisão, sobre uma pessoa que se reconcilia com o que faz para viver e também sobre a monotonia do trabalho”. diz ele.

Messerschmidt identifica a persistência de Fincher como um fator crucial para O Assassino desse certo. Para ele por mais que Fincher se concentre nos detalhes, o diretor nunca se perde neles e sempre enxerga o panorama completo. “David é muito bom nisso. É a melhor pessoa que conheço para definir as coisas”.

A preparação para o longa.

Um fator curioso foi que Fincher deu uma lição de casa para Messerschmidt antes do longa começar as gravações. Ele comenta que Fincher pediu para assistir alguns filmes, entre eles, O Samurai, o famoso suspense de Jean-Pierre Melville, de 1967.

O diretor de fotografia comenta: “Eu já tinha visto, mas na época da faculdade. Então, assisti de novo e entendi imediatamente o que ele queria destacar: a paciência, a ideia do trabalho como um purgatório. Para ser bom em alguma coisa, das 10 mil horas (ideia popularizada por Malcolm Gladwell no livro Fora de Série, que diz que, para ser bom em algo, é preciso 10 mil horas de prática), 9 mil devem ser de espera”.

Isso ajudou Messerschmidt a visualizar o ritmo e o tom do filme, além da natureza do personagem principal. “O Assassino é uma aranha esperando na teia”.

A produção em si

Depois do processo de pré-produção, O Assassino começou suas gravações e teve três locações principais: França, República Dominicana e Estados Unidos.

Como as restrições da pandemia ainda estavam em vigor em 2021, a equipe preparou o filme na Europa, fez a seleção das locações em Paris e depois foi à República Dominicana e a Nova Orleans (que também foi cenário das cenas ambientadas na Flórida), terminando as gravações na cidade de Chicago e St. Charles, no Estado de Illinois (que serviu de cenário para as cenas de Nova York).

Ele diz: “A preparação foi rápida, mas as filmagens duraram muito tempo”.

E a parceira de anos com Fincher ajudou os dois ao longo das gravações “Quando o diretor de fotografia tem o próprio ponto de vista, o nível de confiança entre ele e o diretor precisa ser muito grande. Porque, na verdade, a gente pode fazer qualquer coisa”, explica ele.

A possibilidade de alterar uma imagem na pós-produção não eliminou a tomada de decisões antes ou durante as filmagens. Messerschmidt e Fincher sempre definiam os objetivos e faziam as principais escolhas. A primeira delas foi filmar em proporção anamórfica widescreen, 2.39:1 (O longa Mank e os episódios da série Mindhunter foram filmados em 2.2:1). “Fiz questão de mudar um pouco as coisas, ainda mais porque íamos filmar em várias locações diferentes”, conta Messerschmidt.

Michael Fassbender em cena de O Assassino. Foto: Cr. Courtesy of Netflix. Netflix ©2023

“A maior parte das conversas sobre estética dependem do que estamos filmando e do que o Don Burt (diretor de arte) está montando”, diz Messerschmidt, que descreve o processo de filmagem de O Assassino como uma “conversa longa e ativa”.

Cada país tinha um visual um pouco diferente, refletindo a natureza de cada cidade. “Usamos um vapor de sódio azul acinzentado quando estávamos em Paris. E foi aí que surgiu o conceito de que o filme todo tivesse duas cores, em tons de laranja e azul ou laranja e verde azulado” comenta ele.

Na República Dominicana, o contraste visual com Paris e os Estados Unidos era óbvio, mas também era importante registrar a sensação desse lugar. “David disse que era essencial transmitir uma sensação de calor e umidade na República Dominicana” diz.

Com esse objetivo, eles usaram um filtro para ajudar a destacar os reflexos. Esse efeito costuma ser criado com um filtro de vidro físico na câmera, mas os cineastas achavam que isso poderia atrasar a produção. Para Fincher, a prioridade é sempre o tempo com os atores. Por isso, Messerschmidt teve que buscar outras opções e acabou encontrando um filtro de difusão que podia ser aplicado na pós-produção. “É um plug-in de (software) que imita os efeitos de determinados filtros de difusão”. diz ele entrando nas tecnicalidades.

Sobre fazer o público sentir estar na mente do Assassino.

A equipe também considerou usar câmeras de mão, coisa que foi explicado que Fincher costuma evitar em seus filmes. Foram feitos inúmeros testes, explorando a ideia de filmar várias cenas com câmeras de mão e depois estabilizar as imagens na pós-produção. “Conversamos muito sobre isso no começo. Depois, o David voltou e disse que preferia filmar com câmeras fixas”, conta o profissional.

Então, eles fizeram o processo inverso: filmaram tudo com câmeras fixas e depois adicionaram movimento na pós-produção, refletindo tanto caos de uma cena quanto o estado da mente do Assassino.

“A regra básica era: quando O Assassino está confiante, a câmera é fluída”, explica Messerschmidt. “E quando ele está estressado, como no começo do filme, quando ele mergulha nesse redemoinho de confusão, a câmera fica mais solta. Fizemos várias experiências com isso”, completa.

Andrew Kevin Walker cuidou do roteiro.

Completam o elenco os atores Tilda Swinton, Charles Parnell, Arliss Howard, e a brasileira Sophie Charlotte.

O Assassino chega na Netflix em 10 de outubro.


Miguel Morales
Miguel Moraleshttp://www.arrobanerd.com.br
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