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Convenção das Bruxas | Crítica: Anne Hathaway faz a magia acontecer em divertida nova versão

Poxa e o novo Convenção das Bruxas (The Witches, 2020) finalmente veio ai né? E a sua trajetória foi digna de um conto das bruxas, cheio de gostosuras e travessuras. A adaptação foi anunciada há algum tempo já, e a confirmação foi feita, na época, juntamente com os atores que estariam nos papéis principais, e o claro, o projeto por se tratar de um remake, sofreu com aquele burburinho de “Ah mas estão estragando minha memória afetiva” que foi passageiro, e depois nada mais se falou.

Nem mesmo nos primeiros meses da pandemia, o longa foi lembrado, afinal a Warner Bros. tinha outras mega produções para cuidar e posicionar ao longo do seu calendário. Mesmo com nomes grandes em Hollywood como Anne Hathaway e Octavia Spencer, o novo Convenção das Bruxas só foi ganhar um certo destaque quando finalmente foi decidido a data de estreia para o longa, onde lá nos EUA, chegou pelo serviço de streaming da Warner Media, o HBO Max, e logo depois em cinemas ao redor do mundo.

E agora você pode remover seus sapatos. E suas luvas. E suas perucas também, afinal, o maior mérito do filme é adaptar a história para uma nova geração com efeitos especiais dignos para uma produção do gênero e que se apoia nos seus nomes no elenco para fazer acontecer a magia acontecer nessa nova versão. O Convenção das Bruxas antigo tentava passar uma certa seriedade, e até ganhou um ar de cult por isso, para contar a história de bruxas que vivem no nosso mundo e tem como missão número 1 acabar com crianças.

Com bons efeitos práticos, o longa de 1990 tinha a presença magnética de Anjelica Huston como a Grande Rainha Bruxa, e marcou a infância de milhares de crianças que acompanhavam a aventura que foi exibida nas tardes da programação da Tv aberta. E aqui, Anne Hathaway coloca sua peruca loira e assume a função da belíssima mulher que esconde um segredo terrível: ela é a temida, e malvada líder de todas as bruxas do mundo que se reúnem em um hotel para discutir um plano maligno para acabar com todas as crianças do mundo. 

Convenção das Bruxas | Crítica
Foto: Warner Bros.

E Hathaway parece se divertir horrores com o filme e com as passagens mais sem pé nem cabeça que sua personagem entrega. É como se a Grande Rainha Bruxa da atriz fosse um mix de Miranda Pristley – onde Hathaway trabalhou com Meryl Streep em O Diabo Veste Prada (2006) –  com a futura ex-presidente dos EUA, Melania Trump. O sotaque estrangeiro super carregado, as caras e bocas e as roupas elegantes que Hathaway desfila uma atrás da outra dão o tom para a personagem. Somado as perucas gigantes, juntamente com a maquiagem e os efeitos especiais, Hathaway coloca em cima disso seu carismática natural. A atriz parece que aprendeu que Hollywood não a leva muito a sério, mesmo que tenha dado para a atriz o aguardado Oscar em 2013, e parece abraçar a excentricidade de papeis mais comerciais e que aqui ela tira de letra.

Hathaway realmente rouba todas as cenas e está absolutamente diabólica e perversa como a Grande Rainha Bruxa nesse novo Convenção das Bruxas. O melhor de tudo que Hathaway cria sua própria versão, não imita Huston, e dá um ar meio caricato para personagem sem deixar o tom ameaçador de lado. Algumas pequenas homenagens estão presentes, como a revelação do vestido – tão icônica no primeiro filme – que aqui é mais contida e menos camp, e a máscara de látex com o rosto de demônio é substituída por uma boca e nariz criado em formato digital. Mas ei, Hathaway voa aqui. 

Para o novo Convenção das Bruxas, o diretor Robert Zemeckis diminui o tom do anterior, coloca mais cor, faz com que o filme fique mais infantil do que um drama propriamente dito. Esteticamente, Convenção das Bruxas é como se Wes Anderson criasse uma série de TV da história para o canal americano The CW, é tudo muito estilizado, colorido, com figurinos chamativos, e berrantes, o que ajuda a contar a história e inserir os personagens no contexto que o longa se apresenta.

Convenção das Bruxas 2020 Crítica
Convenção das Bruxas | Crítica
Foto: Warner Bros.

Mesmo com utilizando alguns arcos narrativos iguais ao filme antigo, Convenção das Bruxas garante e entrega bons momentos, principalmente ao trocar a Inglaterra nos anos 70 pelo Estado do Alabama, EUA em pleno anos 60. Confesso que ao longo do filme dei boas gargalhadas com as travessuras de um garotinho de 8 anos (Jahzir Bruno) com os amigos Bruno (Codie-Lei Eastick) e a ratinha Daisy (voz de Kristin Chenoweth) como as crianças humanas que viram ratos pelas mãos das bruxas. Ao ir passar um tempo no luxuoso Grand Orleans Imperial Island Hotel, o garoto e sua avó (Octavia Spencer) vão descobrir que as bruxas planejam um grande plano para acabar com todas as crianças do mundo. Assim, a luta do bem contra o mão vai trazer bastante dor de cabeça para o nervoso gerente do local, o Sr. Stringer (Stanley Tucci, jogado de lado).

Também super talentosa, e com bons momentos, principalmente no começo do longa, Spencer faz um contraposto incrível para a presença vibrante e chamativa de Hathaway. A atriz quase que se camufla ao longo do filme, mas toda vez que sua personagem abre a boca, seja ao precisar ajudar o neto, dar um conselho, ou ainda enfrentar a Grande Rainha Bruxa, a atriz rouba a cena e se mostra muito mais talentosa, e claramente entrega uma atuação muito mais condida para não ser maior que o longa em si. 

Convenção das Bruxas faz uma aventura divertida, e espirituosa, onde adapta a boa história de Roald Dahl que aqui é transportada para as telonas de uma forma feita para agradar uma boa parte do público, seja ele infantil ou adulto, com nomes conhecidos e bons efeitos visuais.

E você, agora sabe identificar uma bruxa? 

Avaliação: 3 de 5.

Convenção das Bruxas chega em 19 de novembro nos cinemas nacionais.  

O ArrobaNerd viu o filme em uma sessão para jornalistas feita pela Warner Brosque seguiu todas as regras e recomendações das equipes de segurança.

Recomendamos o leitor, se for encarrar a visita ao cinema, se proteger e seguir todas as recomendações de segurança contra o COVID-19 impostas pelas organizações de saúde.

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