Passagem | Crítica: Triste e melancólico retorno de Jennifer Lawrence

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O longa Passagem (Causeway, 2022) nos entrega, definitivamente, o retorno de Jennifer Lawrence após um período sabático. Claro, a atriz fez o Não Olhe Para Cima em 2021, mas o longa era um projeto cheio de diversas estrelas de Hollywood e a personagem, por mais que com um destaque na trama, dividia a tela com outros nomes graúdos do mercado. Aqui, no longa da Apple TV+, Lawrence está no centro e na frente, é a protagonista e realmente mostra o motivo de ter pego a cidade dos artistas, a Tinseltown, para si lá na metade dos anos 2000 e ter levado para casa o cobiçado Oscar.

Passagem
Jennifer Lawrence em cena de Passagem
Foto: Courtesy of Apple. All rights reserved.

O que temos com Passagem é um filme estruturalmente simples, mas marcado por grandes atuações. E com um tema pesado, o que faz que o longa seja bastante triste, bem melancólico, para tratar da história dessa soldada, veterana de guerra, que retorna para casa depois de sofrer um acidente em uma missão no Afeganistão, Lawrence domina a tela de uma forma muito interessante. E apenas comprova que sua ascensão meteórica em Hollywood não foi à toda ou fogo de palha.

Como Lynsey, Lawrence se mostra mais do que apta para retornar para o circuito cinéfilo, e principalmente para o circuito de premiações. Passagem é um filme feito para deixar Lawrence brilhar. E aqui, claro, um bom ator sempre precisa ter alguém para ter o que trocar em tela, certo?.

Seu companheiro em Passagem, sempre por aí nos mais vários projetos, desde de badaladas séries de TV até os blockbusters da Marvel Studios, Brian Tyree Henry não deixa a peteca cair ao lado da colega. Os dois entregam momentos dos mais bonitos, mesmo que tristes, que o longa tem. Passagem é o primeiro trabalho da diretora Lila Neugebauer para os cinemas (nos EUA o longa teve um lançamento breve nas telonas antes de chegar no AppleTV+ globalmente), e aqui ela sabe capturar o sentimento carregado que a história apresenta, e desses personagens, tão complexos, tão humanos, tão ricos em suas próprias histórias e conflitos.

Um trabalho visual que deixa o espectador adentrar na vida e no que passa com esses personagens na medida que conhecemos mais da jovem Lynsey, e como ela se sente presa na cidade de Nova Orleans depois de precisar passar por uma fase de reabilitação intensa. E vemos também como ela desenvolve a amizade com o mecânico James (Henry) e todas as camadas que essa relação se desenvolve nas curtas, mas intensas, poucas 1h 30 que o longa tem. Passagem começa com Lynsey que vê seu retorno para casa como apenas um lugar de passagem, um provisório na medida que ela tenta convencer seu médico (Stephen McKinley Henderson) a liberar seu retorno para uma nova missão militar, onde ela precisa também reviver algumas questões do passado, ao viver novamente com a mãe (Linda Emond) depois de anos de ter deixado o local.

Passagem então se apresenta como uma reflexão devastadora sobre o que queremos fazer com nossas vidas, e que, às vezes, os obstáculos são tão complicados que nos travam de conseguir ir para frente. Apenas ficar em um limbo, parados imóveis, sem ir para lugar nenhum. E Lawrence consegue transmitir isso com uma força bastante impressionante.

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Brian Tyree Henry e Jennifer Lawrence em cena de Passagem
Foto: Courtesy of Apple. All rights reserved.

E na medida que descobrimos mais sobre a história de vida Lynsey, de James, e eles descobrem mais sobre os outros, Passagem vai por explorar questões de luto, o sentimento de esperança criado a partir de uma amizade e mostrar que esses personagens não estão sozinhos, agora que tem uns aos outros.

Lawrence e Henry tem conversas, seja no carro, nas piscinas que Lynsey limpa em um trabalho temporário, ou no simples ato de tomar um sorvete juntos numa tarde de verão, ou até mesmo nas varandas de suas casas, tão profundas, tão íntimas que a química entre eles é o que realmente deixa Passagem ser muito maior e melhor do que aparenta ser.

O longa entrega uma história triste, sem muitas reviravoltas, ou acontecimentos épicos, mas termina com uma dose de esperança para esses personagens muito bonita. É basicamente impossível não sair balançado ou afetado emocionalmente quando os créditos de Passagem começam depois que o filme termina. É deixar vários sentimentos passarem pela gente. E tudo isso, se dá ao texto do trio Ottessa Moshfegh, Luke Goebel e Elizabeth Sanders que é falado por dois atores dos mais talentosos possíveis hoje em Hollywood. No final, Passagem é um para sair emocionado. 

Avaliação: 4 de 5.

Passagem chega na AppleTV+ em 4 de novembro.

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