A Magia de Aruna | Crítica: Magia não faz milagres com o quanto é ruim essa série teen

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Ultimamente tem circulado on-line as justificativas das mais sem pé nem cabeça para se falar sobre produções para crianças, adolescentes, e principalmente para animação. E tudo bem, a produção quer se vender como uma produção para o público teen, seja lá animado ou em live-action. O problema é esconder seus problemas atrás dessa concepção. Mesmo que seja focado para a criança, não precisa ser ruim.

É basicamente isso que me veio em mente quando terminei os primeiros episódios da série A Magia de Aruna, a nova produção nacional da plataforma da Disney que chegou com 6 episódios para o primeiro ano.

Jamilly Mariano e Caio Manhete em cena de A Magia de Aruna.
Foto: Walt Disney Company Brasil/ All Rights Reserved.

Fica claro que A Magia de Aruna é definitivamente uma produção desenvolvida para o finado Disney Channel que migrou para a plataforma de streaming para dar um boom nos conteúdos nacionais por lá. Mas é isso, não é por que é para um público mais jovem, teen, que pode usar a desculpa de ser ruim.

E nem o elenco adulto foge disso. Para o elenco mirim, até dá para passarmos um pano, afinal é o começo da carreira para vários deles, seja da atriz Jamilly Mariano que interpreta a protagonista Mima (uma personagem tão sem graça, e sem sal) e do ator Caio Manhente que interpreta o melhor amigo dela, Ariel (um jovem curioso e inteligente, mas um chato), mas o mesmo não dá para dizer para o trio de atrizes que interpretam as irmãs Sanderson, quer dizer, as três bruxas da atração, Latifa (Erika Januza), Juno (Giovanna Ewbank) e Cloe (Cleo).

Januza se dá melhor com o que recebe, mas Cleo e Ewbank estão pavorosas. Seja nas atuações, na forma como compuseram essas personagens, seja no passado, quanto no presente. Era para elas terem segurado a atração. Afinal, são mais experientes nesse mercado e o trio deveria ter usado os anos de atuação para terem batido o pé contra o produto final aqui apresentado em A Magia de Aruna. Cadê os agentes delas? O time relações públicas?

E também não sei é tudo culpa do time adulto. Não sei também se é 100% culpa do texto da dupla Ana Pacheco e Maira Oliveira, ou se são escolhas criativas impostas pela direção de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put, mas o que fica claro é que tudo em A Magia de Aruna chega até ser um pouco vergonhoso de se assistir.

Talvez, também minha régua esteja lá em cima, e eu não seja mais público alvo que a atração quer mirar, mas tudo na atração pareceu um grande compilado de cenas ruins, momentos de querer tapar os olhos, e pensar: o que eu tô gastando meu tempo com isso, e tudo mais. Se por um lado a mitologia criada e contada aqui, junto com alguns mistérios apresentados no começo do seriado conseguem até instigar e nos fazer querer desesperadamente desviar a atenção e deixar de lado essas coisas e esse probleminhas aqui e ali, do outro, tenho certeza que não são suficiente também para nos fazer continuar com a série depois que a trama começa a andar.

A Magia de Aruna logo de cara apresenta para a jovem Mima (Mariano com um mega potencial), uma garota tímida que vive com os pais adotivos e luta para se encaixar. Como um peixe fora d’água, a garota frequenta a escola e passa por maus bocados com os colegas. Até descobre que poderes mágicos, começa a procurar respostas sobre seu passado, e também “acorda” três bruxas depois de 300 anos presas numa árvore numa cidade onde o sol não bate direito, a magia não existe mais, e o mundo vive em um chamado estado de penumbra. 

Pacheco e Oliveira apresentam nesse começo de A Magia de Aruna uma fórmulaica história de origem, o conto de herói clássico, no caso, aqui da nossa heroína que mistura passagens que já vimos seja em Percy Jackson, a franquia Harry Potter e até mesmo O Senhor dos Anéis.

A atração tenta mirar esse público, mas acaba mais por embolar tudo de uma forma sem brilho ou carisma. Assim, fica claro que em A Magia de Aruna tudo é uma grande mistureba do que já vimos, ao mesmo tempo que a série tenta e tenta buscar uma identidade própria que demora para aparecer e fazer sentido na história.

Erika Januza, Cleo e Giovanna Ewbank em cena de A Magia de Aruna.
Foto: Walt Disney Company Brasil/ All Rights Reserved.

E se A Magia de Aruna tem problemas com os mocinhos, na parte dos vilões, a situação também não é nada favorável. A empresária vilanesca da vez, e aqui interpretada por Suzana Pires é uma caricatura ambulante e vive de caras e bocas. Com seu terninho vermelho, e cabelo ah lá Edna Moda de Os Incríveis, Bruma, a CEO, da LexCorp, digo da Luminum, demora para colocar suas garras de fora, e o combate entre ela, e as jovens protagonistas acaba por ser semeado aos poucos na atração. Mas também nunca chega a empolgar.

É tudo muito raso para isso, e nunca parece ter a liberdade de ir a fundo da trama. Da parte dos “rebeldes” nômades que precisam achar uma forma de sobreviverem sem a luz, e que parecem fazer cosplay de Duna em pelo mundo moderno, até o próprio passado das bruxas e a organização misteriosa que evoluiu para a empresa farmacêutica, parece que o desenvolvimento da trama, e personagens foi deixado de lado.

Nem mesmo no momento que as três bruxas precisam se adaptar ao mundo moderno com celulares, GPS e assistentes pessoais por comando de voz (um feijão com arroz básico), a série acerta. E se as atuações não ajudam, e narrativamente A Magia de Aruna não empolga, pelo menos os efeitos especiais são um dos pontos positivos da atração e, surpreendentemente, estão bons para o tipo de produção que série oferece e gostaria de ser.

Parece que o seriado sofre com todas outras diversas limitações que são compensadas pelo filtro escuro, por conta da tal penumbra, e das magias feitas pelas bruxas que resolvem as coisas da maneira mais fácil possível. Invadir uma empresa multimilionária? Fácil. Treinar a magia em uma jovem? Também.

No final, fica claro que no papel A Magia de Aruna, parecia muito bem casar bem com o portfólio da Disney, e fazia sentido estar dentro do catálogo do streaming, mas quando vemos a execução, e o trabalho final que foi apresentado, é como se tivéssemos o Mago Merlin de A Espada Era Lei todo atrapalhado fazendo as coisas ganharem vida. Às vezes, é melhor nem começar a dar play aqui.

Confira o trailer:

Os 6 primeiros episódios de A Magia de Aruna estão disponíveis no Disney+.

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