A Filha do Rei do Pântano | Crítica: Daisy Ridley segura as pontas em drama sobre relação abusiva

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Desde que foi catapultada ao estrelado pela franquia Star Wars, a atriz Daisy Ridley tem sempre escolhido papéis diferentes dos que entregou com Rey, onde querendo ou não, a personagem da Jedi marcou profundamente sua carreira até então. E com A Filha do Rei Do Pântano (The Marsh King’s Daughter, 2023) não é diferente.

Aqui nesse novo longa, Ridley realmente é o que faz A Filha do Rei Do Pântano valer a pena, afinal, a atriz segura as pontas desse drama e nos entrega mais uma personagem interessante de acompanhar, e aqui faz uma, complexa e cheia de camadas e interessante de se acompanhar mais uma vez por conta do seu trabalho de atuação.

Claro, Ridley diga-se de passagem está muito bem, mas o longa é um filme de dupla, e a atriz tem ao seu lado o ator Ben Mendelsohn que também está bem, mas que aqui parece entregar mais do mesmo que sempre entrega normalmente nas produções que aparece.

E com A Filha do Rei Do Pântano apenas fica claro que o ator continuou a pegar papéis mais seguros, e aqui também não é diferente. Principalmente se formos analisar o ano bem irregular que Mendelsohn tem vivido até agora, marcado pelo suspense, também lançado nos cinemas com a atriz Shailene Woodley, chamado Sede Assassina, e claro com sua participação na série da Marvel Invasão Secreta lá no streaming.

E assim, ao contar essa história de um relacionamento abusivo, aqui pela ótica de pai e filha, esses dois garantem bons momentos, sem dúvidas, e são o grande chamariz para o projeto, mesmo que A Filha do Rei do Pântano, estruturalmente peque em conseguir contar essa história da melhor maneira possível. Talvez, o filme erre por conta do conjunto como um todo, do que pelas atuações desses dois protagonistas.

Daisy Ridley em cena de A Filha do Rei do Pântano.
Foto: Photo Credit: Philippe Bossé/STX/Diamond Films.

E são vários fatores que contribuem para isso. Um deles é a forma com que o longa acaba por entregar um drama, que tenta ser um suspense, mas que erra na forma de como trabalha a história, ao apresentar as peças, e as informações na tentativa de entregar um tipo de suspense que aqui acaba por ser extremamente fraco no que se propõe.

Claro, o filme até chega a empolgar, se o realmente espectador embarcar na trama, mas a forma como a narrativa é apresentada, particularmente, é o que deixa A Filha Do Rei Do Pântano ficar muito preso em sua própria história e na própria tentativa de fazer seus mistérios funcionarem.

Talvez por ser baseado num livro, o roteiro do trio Elle Smith, Mark L. Smith e Karen Dionne sofre para conseguir entregar momentos que realmente fisgue o espectador para querer acompanhar essa história, afinal, boa parte da narrativa é sustentada na relação de Helena (Ridley) com o pai Jacob (Mendelsohn) e que no final, só prolonga a narrativa na medida que o espectador fica na espera do embate entre os dois enquanto as lacunas são completadas com detalhes da trama, e da história desses personagens que já foram insinuados ou deixados claros que seriam contados e mostrados e que iriam acontecer com eles e na história de maneira geral.

A Filha do Rei Do Pântano apresenta os eventos do passado de Helena, agora uma jovem casada e mãe de uma garotinha (Joey Carson) que ficou conhecida por ser a filha do Rei do Pântano: o fruto de um relacionamento entre Jacob e sua mãe (Caren Pistorius), sequestrada e mantida em cativeiro por anos. 

Desde de criança, no começo do filme e depois nas cenas em flashbacks interpretada por uma excelente Brooklynn Prince, vemos que Helena e o pai tinham uma conexão com a vida na floresta, com a caça, e a natureza. E assim, o longa mostra a visão da jovem sobre os acontecimentos que viveu, e agora, anos depois ela descobre que seu pai fugiu da cadeia e a próxima parada naturalmente é dele querer se encontrar com ela. 

A Filha do Rei Do Pântano então trabalha com esse sentimento de paranoia na medida que, Helena, já adulta, e com outro nome e escondida há anos do pai precisa lidar com essa situação e agora consegue compreender esses eventos do seu passado que a moldaram como pessoa e quem ela quer ser daqui para frente, tanto para si, quanto para sua filha e marido.

O diretor Neil Burger (vindo do fraco Viajantes – Instinto e Desejo) usa a vastidão da floresta para colocar a região e os campos abertos para serem tanto uma ameaça a mais para a jornada de Helena quando ela retorna para o local que morou na infância, quanto também um aliado para a personagem na medida que vemos ela enfrentar seu passado, na mesma forma que precisa olhar para o futuro e conseguir decidir ela mesma se agora ela aceita, ou não, a presença de seu pai em sua vida. 

E diferente do longa Um Lugar Longe Daqui, que também foi estrelado por uma atriz em alta em Hollywood, e também lidava que uma jovem que morou anos na floresta, A Filha do Rei do Pântano não consegue criar uma história efetivamente tão interessante assim, de se parar e assistir por algumas horas.

Afinal, o longa cria um pouco de tensão do que pode acontecer, não só com a protagonista, mas com o pai, e com essa chegada dele na vida de Helena que se vê pega com as calças na mão quando tanto a polícia, quanto seu marido (Garrett Hedlund), e sua filha, não tinham noção desses eventos do seu passado.

E talvez essa seja uma das lacunas, e também das partes mais fracas que o longa tem. Tanto a forma como Hedlund dá vida para esse marido que fica totalmente jogado de escanteio enquanto a esposa resolve assumir as rédeas da situação, ao não confiar em ninguém para lidar com a chegada do seu pai novamente em suas vidas. 

Como falamos, A Filha do Rei do Pântano tem um bom trabalho de Ridley para a construção dessa personagem na medida em que ela começa a colocar em prática tudo que aprendeu na infância com o pai para conseguir vencer essa ameaça que representada pela volta dele que ela lutou tanto para superar. A atriz consegue mostrar uma dramaticidade bem grande ao retratar os conflitos internos que Helena vive, a dor de revisitar momentos do passado que para ela eram momentos alegres (por talvez serem os únicos que ela conhecia).

Assim, a presença de Mendelsohn, tanto no presente quanto no passado, ajuda o espectador a conseguir entender o motivo que o personagem acabe por ser tão fascinante para uma jovem criança, onde aqui também, como falamos, é extremamente bem atuada por Prince (em mais um bom papel no currículo dessa atriz mirim).

No final, A Filha do Rei do Pântano faz um filme que me deixou conflituoso ao refletir sobre, afinal, tem boas intenções, boas atuações, mas parece se perder nesse mar de cenas na floresta, em alguns diálogos ruins, e decisões narrativas questionáveis para o andar da história e para o trabalho que esses atores querem entregar com esses personagens.

Talvez seja um que vá bem quando o espectador tiver a oportunidade, e a opção de assistir, em casa? Eu acho que definitivamente seria mais um veria em casa.

Nota:

Onde assistir A Filha do Rei do Pântano?

A Filha do Rei do Pântano chega em 28 de setembro nos cinemas.

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