Suprema | Crítica

Talvez o maior mérito de Suprema (On the Basis of Sex, 2018) nem esteja nas atuações de seus atores principais, Felicity Jones e Armie Hammer, ou nas caracterizações de época, com figurinos e locações caprichados e sim, de fazer um filme que retrata uma sociedade, de um tempo não tão longe assim, com visões que podem soar estranhas, quando falamos atualmente em voz alta.

Felicity Jones in On the Basis of Sex (2018)
Suprema – Crítica | Foto: Diamond Filmes

Suprema conta parte da jornada da juíza Ruth Bader Ginsburg e sua luta em defesa dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero, onde o filme mostra como ela foi peça fundamental para mudar leis (sim, existam leis das mais surreais nos EUA!) que impediam mulheres de realizar diversas coisas por conta do sexo e apenas por serem mulheres.

Assim, Ginsburg e seu marido Martin (Hammer, um pouco de escanteio no filme) começam a lutar para criar uma mudança na mente das pessoas e também começar uma reforma no sistema americano onde algumas pessoas tentaram e falharam.

O roteiro Daniel Stiepleman parece faltar um pouco de sutileza para traçar esse caminho difícil a ser seguido. Já a direção de Mimi Leder, claro, se preocupa com os detalhes, como um close de um sapato, uma cena mais contemplativa, ou até mesmo um fio de cabelo fora do lugar.

Em Suprema, o filme parece afundar o espectador num mar de termos jurídicos, detalhes do sistema legislativo americano e as complexas relações de trabalho que envolviam as mulheres no mercado americano na época.

Para quem acompanha séries jurídicas, em Suprema talvez, o espectador consiga perceber uma certa semelhança entre a protagonista e outras personagens fictícias. Felicity Jones não é nenhuma Juliana Margulies (de The Good Wife) ou Viola Davis (de How To Get Away With Murder), mas dá conta do recado, como uma versão jovem da juíza Ginsburg.

Suprema mostra uma época retratada no filme em que Ginsburg é uma estudante de direito recém-chega na prestigiada Universidade de Direito de Harvard e depois se torna uma advogada recém-formada que luta por uma posição no competitivo mercado de advocacia dominado por homens, brancos e heterossexuais.

Felicity Jones, Justin Theroux, and Armie Hammer in On the Basis of Sex (2018)
Suprema – Crítica | Foto: Diamond Filmes

Assim, texto de Suprema, às vezes, soa muito muito auto-explicativo, didático e segura a trama de dar uma alavancada, avançar e desenvolver um pouco seus personagens (mesmo que baseados em pessoas reais!).

O elenco de apoio formado por Justin Theroux (sempre uma figura!), Sam Waterston e Kathy Bates (sempre boa, mas aqui, um pouco apagada), ajuda a contar a história, mas não chama atenção, em Suprema, Felicity Jones reina sozinha e suprema.

No final, como falamos, o maior mérito de Suprema, é em mostrar a trajetória de Ruth Ginsburg, que merece ser contada e enaltecida, afinal, de estudante de direito até Juíza da Suprema Corte, ela passou por inúmeros percalços ao longo dos anos, mas que a ajudaram a mudar o status quo para futuras gerações.

Nota do Crítico:

Suprema chega nos cinemas em 14 de março.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales