Stranger Things 2 | Crítica da Temporada

Quando uma série cativa a temporada pode ter quantos episódios forem que prende do início ao fim e nos faz querer sempre mais e esse é o caso de Stranger Things. Em julho do ano passado a Netflix estreou a série sem muito alarde e em pouco tempo ela virou febre entre os assinantes, e não assinantes, do site, tudo por conta de seu ritmo, ambientação, homenagens, roteiro e um elenco mais do que cativante. Assim, Stranger Things 2, ou a 2ª temporada da série, não poderia retornar com os fãs com um pé atrás, mas torcendo por algo que os agradem, e olha, os irmãos Duffer simplesmente acertaram em cheio mais uma vez.

Todas as questões que ficaram em aberto na temporada passada foram rapidamente respondidas, como o destino de Onze, o que foi que Will vomitou no banheiro, até mesmo o motivo de Nancy estar com Steve e não com Jonathan. A série em sua 1ª temporada até que foi bem fechadinha e deixou claro a que veio, e em seu segundo ano, com um exército de Demogorgon e as crianças mais espertas e com Winona Ryder e David Harbour simplesmente incríveis em cena, Stranger Things 2 nos pegou de jeito.

ALERTA DE SPOILER: Este artigo contém informações sobre os principais acontecimentos do episódio. Continue a ler por sua conta e risco.

Seu arco inicial nos remete diretamente aos episódios mais leves da temporada passada, desenhando o que devemos esperar, mas ainda leve o suficiente para ótimos momentos, como Will, Mike, Lucas e Dustin tivesse grandes momentos, como as referências a Caça-Fantasmas, Star Wars e tudo mais. Aqui incluímos até a chegada da nova garota que abala o grupo, e Max, ou melhor, Mad Max, chega com tudo e seus cabelos ruivos, além de um ar petulante que logo a coloca forte diante deles.

Joyce e Hopper estão mais unidos do que nunca e Will é um bom elo, seja pelo drama que o garoto sofreu, seja por ele querer explicações e evitar que Onze seja caçada pelos homens do laboratório de Hawkins. A questão é que ambos estão mais fortes e mesmo quando Will demonstra problemas, eles não se desesperam, se unem para compreender o que está mudando no garoto e até o novato, Bob (Sean Astin) entra em ação, ficamos satisfeito com seus momentos com Joyce e os meninos e principalmente os conselhos para Will.

A virada para os episódios finais é intensa, pois Will começa a sofrer com o demônio sombrio dentro de si, que quer transformá-lo em parte de sua colmeia. Essa entidade, chamada Devorador de Mentes, é como um vírus que agora toma conta dos Demogorgon e Will é seu elo com os humanos, dando lhe força e sendo um espião para o lado de fora do Hawkins. A crescente dos episódios é intensa e o elenco segura tão bem as pontas que só queremos ver mais e mais…

Quando o drama se volta para o laboratório, descobrimos que eles não conseguem fechar mais a brecha que Onze começou a abrir na temporada anterior e novos monstros começam a querer sair do Mundo Invertido e vir para o mundo real. É aí que entra um episódio bem mais tranquilo, focado em Onze e como sua evolução é importante para a trama.

O sétimo episódio é inteiro dentro de sua vida, com ela achando a Oito, ou melhor Kali, depois de descobrir que seu nome é Jane e sua mãe fez de tudo para recuperá-la do laboratório, até ser pega e torturada a ponto de perder a própria mente. Ao lado de Kali ela ainda tenta buscar vingança, mas não é como eles e volta para Hawkins, mas não sem aprender a controlar mais seu poder, e gostei bastante do poder de Kali, que é colocar pensamentos e imagens nas mentes das pessoas.

Steve cresce muito bem na temporada ao compreender mais sobre o que as crianças passaram; Jonathan e Nancy, mesmo parecendo presos em uma trama sem sal envolvendo Barb, aos poucos conseguem se mostrar melhor ao destruir a reputação do laboratório; Billy é um personagem irritante e a forma como trata Max e a reviravolta dela no final é deliciosa.

A série termina bem sua temporada, nos conquistando e dando momentos sensacionais, misturando com outros nem tanto como as tramas de Barb, mas quando vemos Dustin, Lucas, Will, Mike, Onze e Max se divertindo no baile e com Jonathan, Steve e Nancy os ajudando, afinal eles passaram por tanto, é bem acolhedor.

Da parte técnica não há do que reclamar. Fotografia, escolha das homenagens e principalmente a trilha sonora é de nos deixar com o coração acelerado, seja pela nostalgia, seja pelas escolhas dos produtores. Tudo se encaixa bem e nos faz ficar encantados com todo o desenvolvimento de suas tramas.

Stranger Things 2 termina e só nos deixa mais ansioso pela 3ª temporada que já está confirmada. Netflix mais uma vez acertou em cheio em uma produção em ano em que Marvel  – Punho de Ferro foi meio decepcionante, e tivemos inúmeros cancelamentos de suas séries originais.

Dan Artimos

Sou formado em Sistemas de Informações, e amante de televisão. Trabalho, leio bastante, estudo, vou a cinemas, parques e corro (ultrapassada a meta pessoal dos 21km), e ainda assim vejo séries e escrevo sobre elas. Sim, nem eu sei como consigo fazer a organização de minha agenda no meio de tantas nerdices.