Russian Doll | Crítica da 1ª Temporada

Russian Doll (Boneca Russa) é a nova série da Netflix, estrelada pela atriz Natasha Lyonne que chegou como não quer nada, mas, faz um primeiro ano bem sombrio, com uma trama bizarra de viagem no tempo, mas que não deixa de ser divertido, mesmo que extremamente macabro em vários aspectos.

A produção, acaba por ser, literalmente como uma boneca russa, onde, um episódio de cada vez, vamos por descobrir mais detalhes de como Nadia (Lyonne, num papel que caiu como uma luva para atriz que está ótima!), vive a morrer e voltar, sempre para a noite de seu aniversário.

Boneca Russa Crítica | Foto: Netflix

Russian Doll é um mix de O Feitiço do Tempo (1993) com A Morte Te Dá Parabéns (2017), um The Good Place (Netflix) sem papas na línguas, com drogas, sexo e uma trilha sonora escolhida à dedo, onde Nadia, morre e re-vive inúmeras vezes, e assim, precisa ao longo da temporada, tentar descobrir como isso foi acontecer com ela, e claro, o motivo, de justamente ser com ela.

A série, segue a cartilha clássica de produções do gênero, onde, temos a personagem, morrer e tentar se adaptar a essa condição de diversas formas. No episódio piloto, 1×01 – Nothing in This World Is Easy, vemos Nadia, morrer, tentar sobreviver, falhar, e voltar, inúmeras vezes, sempre no banheiro, com a porta luminosa, do apartamento de sua amiga, Maxine (Gretta Lee), que a recebe, sempre com a saudação “Olha, a aniversariante” e um cigarro suspeito.

Assim, de uma forma divertida, mesmo com um tom sério, acompanhamos Nadia, em diversas situações que acarretam em diferentes mortes, desde de ser atropelada por um taxi, cair da escada, ou morrer com explosão de gás, ou, até mesmo, tropeçar num porão ao andar pela rua.

Boneca Russa Crítica | Foto: Netflix

Russian Doll, tem um ritmo mega ágil, e Lyonne, segura as pontas, quase o tempo todo, onde a atriz, nos faz acompanhar seu olhar arregalado, e nos deixa intrigado ao querer saber, o que irá acontecer com Nadia na próxima cena. Assim, graças ao roteiro sem muitos rodeios, a série entrega uma fluidez para a trama impressionante. Russian Doll não perde tempo, apresenta e desenvolve seus personagens de uma forma bem interessante, onde conhecemos todos que participam daquela noite, desde de um convidado da festa, ou até mesmo o dono de uma loja de bairro que a personagem vai comprar um maço de cigarro. Ao longo das inúmeras idas de voltas da programadora de software, vemos um pouco mais da personagem e suas relações com o restante do elenco.

Russian Doll, tem uma viciante e instigante trama, com episódios de menos de 30 minutos, que se beneficia ao extremo do formato de maratona, onde queremos desesperadamente saber o que aconteceu com a personagem. Assim, como falamos, Russian Doll, é rápida, apresenta a situação complexa de Nadia, levanta grande parte das hipóteses possíveis, e já no 1×03 – A Warm Body, temos algum tipo de resposta, ou seriam mais perguntas?

A introdução de Alan (Charlie Barnett, bem e com uma atuação divertida ah lá Sheldon Cooper), na equação, cria como se fosse uma nova boneca para a interligada trama que Russian Doll apresenta. Assim, a entrada do personagem na história, nos entrega um divertido episódio, 1×04 – Alan’s Routine. O roteiro da produção é muito bem escrito, cheio de nuances, com pequenas conexões entre as situações de sua história, e que acerta ao deixar no ar, a grande pergunta que permeia a temporada como um todo: O QUE DIABOS ACONTECE AQUI?

A trama ganha um fôlego, durante os ótimos, 1×05 – Superiority Complex e 1×06- Reflection, em vemos Nadia e Alan, cada um com seus problemas para resolver, desvendarem esse mistério absurdo, onde, a cada episódio, a série nos apresenta cada vez mais detalhes e opções para a trama, que nos levam para o curioso e estranho final de temporada, o 1x08 – Ariadne. (sem spoilers!)

No final, Russian Doll, faz um tipo de comédia diferente do comum, que não deve agradar o grande público, mas, tem na boa atuação de Lyonne, um de seus maiores trunfos, onde a atriz consegue deixar sua personagem em OITNB de lado, em uma série que acerta em balancear seu lado mais sombrio, com um texto cômico, sem ser escrachado.

Vocês deveriam dar um chance, mesmo se ficar com a música Gotta Get Up na cabeça, depois de tanto vai e volta. Acaba por ser totalmente válido, prometemos.

Boneca Russa (Russian Doll) disponível na Netflix com 8 episódios.

Miguel Morales

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