Retrato de uma jovem em chamas | Crítica

Tendo tomado o Festival de Cannes de surpresa ao estrear no começo do ano e levar o prêmio de Melhor Roteiro por lá, o longa francês Retrato de Uma Jovem Em Chamas (Portrait de la jeune fille en feu, 2019) ganhou bastante notoriedade pelos cinéfilos que ao longo de 2019 só aguardavam o filme que ficou entre os mais bem avaliados pelos críticos.

Aqui no Brasil, a produção abriu o Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade, num ano marcado por turbulências em retaliação a proibições de conteúdo para o público LGBT. E realmente abrir o Festival com Retrato de Uma Jovem Em Chamas apenas mostra a importância do filme para o cinema.

Adèle Haenel in Portrait de la jeune fille en feu (2019)
Retrato de uma jovem em chamas | Crítica | Foto: Supo Mungam Films

Com direção de Céline Sciamma, que também assina o roteiro, o longa faz um explosivo, e ao mesmo tempo sutil, filme carregado com uma carga visual incrível para nos entregar um romance intenso e devastador.

Com uma fotografia incrivelmente sedutora, Retrato de uma Jovem em Chamas, nos conta a história de uma jovem Heloise (Adele Haenel) que é prometida em casamento para um rapaz que mora em outra cidade. Heloise recusa todos os pintores que são mandados para elaborar um quadro seu de presente para o futuro marido até que a chegada de Marianne (Nomie Merlant) muda as coisas. 

Marianne diz para a jovem que é sua nova dama de companhia, e assim usa os momentos com Heloise para decorar as feições e trejeitos da jovem, e depois passar, em memória, o que via ao longo do dia para o quadro que ela pinta as escondidas, e a noite. Assim, as duas criam uma dinâmica curiosa, quase como se fosse um jogo de gato e rato envolvente, sedutor e misterioso.

Noémie Merlant in Portrait de la jeune fille en feu (2019)
Retrato de uma jovem em chamas | Crítica | Foto: Supo Mungam Films

A cada olhar sutil, a cada respiração mais marcante, Heloise e Marianne desenvolvem um relacionamento silencioso, mas bastante íntimo e peculiar, e que apenas cresce ao longo do filme, como uma chama que cresce vívida e brilhante, onde as duas atrizes talentosas entregam atuações incrivelmente poderosas e marcantes.

Ao longa de suas 2 horas, Retrato de Uma Jovem em Chamas consegue jogar o espectador de cabeça dentro dessa história de uma maneira completamente imersiva e apaixonante na medida que as duas descobrem mais uma sobre a outra, e a verdade enfim, vem a tona, numa triste e melancólica, mas extremamente linda sequência. 

No final, de uma forma poética e sublime, Retrato de Uma Jovem em Chamas nos entrega um incrível retrato sobre intimidade, desejo, e no fim, o maior sentimento de todos, o amor.

Filme visto no Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade em Novembro de 2019.

Nota do Crítico:

Retrato de Uma Jovem em Chamas chega no circuito nacional em 9 de janeiro.

Miguel Morales

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