Ponto Cego | Crítica

Ponto Cego (Blindspotting, 2018) é um daqueles filmes escondidos na lista de programação, pelo menos aqui no Brasil, mas que mereciam toda a divulgação do mundo. Lá nos EUA, a produção estreou no Festival de Sundance desse ano, onde gerou muitos comentários positivos, tanto do público, quanto da crítica, isso tudo pelo tema que a produção aborda.

E uau! uau! Estiloso e com ritmo quase único, Ponto Cego coloca o dedo na ferida nas questões raciais nos EUA com atuações poderosas de Daveed Diggs e Rafael Casal. 

Uma das produções mais impressionantes do ano!

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Foto: Paris Filmes/ Lionsgate

Importante e atual é um filme que não pode se deixar passar ainda mais num momento político conturbado que o nosso país vive. Ponto Cego é literalmente um tapa na cara e um grito de socorro para o comportamento de uma sociedade cada vez mais tóxica.

A dupla Diggs e Casal, além de protagonizaram a produção, também assinam o roteiro que particularmente para nós, é um dos pontos mais altos de Ponto Cego. Com ritmo ágil e que não perde tempo, o drama explora as nuances das amizades entre Colin (Diggs) e Miles (Casal) de uma forma, às vezes divertida, outra hora brutal.

Na trama, Colin acaba por sair da prisão, está em condicional e definitivamente quer ser uma pessoa melhor e pensa no seu futuro. Já Miles, sempre com a pose de bad boy continua a arrumar confusões por ai. Os dois trabalham como entregadores e circulam pela cidade que moram e percebem a cada semáforo, a cada entrega realizada que o local que eles cresceram sofre com o processo de gentrificação. Isso significa que antes uma comunidade de baixa renda que vivia no bairro na qual dupla reside, agora sofre quando eles se vem cercados de novos moradores com uma condição financeira mais favorável, o que acaba por gerar conflitos tanto sociais quanto raciais e que são o pano de fundo para a história.

Com direção de Carlos López Estrada, que acerta a mão em diversas passagens, Ponto Cego sabe bem dosar a dramaticidade entre essa questão séria e importante que afeta os grandes centros urbanos com um tom mais descontraído entre os dois amigos. A produção também lida de uma forma muito bem feita com as questões raciais que tem ganhado notoriedade principalmente nos EUA. Na trama, quando Colin testemunha um policial branco matar um suspeito negro as coisas começam a mudar de figura e toda a pressão sobre denunciar ou não o oficial começa a tomar conta do jovem.

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Foto: Paris Filmes/Lionsgate

Com falas em estilo rap, e monólogos com frases que rimam entre si Ponto Cego é uma visão honesta sobre questões sociais importantes e conta com uma excelente química entre seus dois protagonistas. Algumas situações, claro, são criadas para efeito de narrativa e acabam por deixar o filme com um jeitão um pouco over e acima do tom mas nada impede do espectador se divertir, se conectar com os personagens do longa e sentir o que o roteiro quer passar.

No final, Ponto Cego fala sobre amizade, auto-identidade e faz um dos filmes com uma das mensagens mais poderosas do ano onde nós do ArrobaNerd já estamos na expectativa para a produção ser lembrada nas próximas premiações.

Uma produção merecedora dos mais diversos elogios.

Nota do Crítico:

Ponto Cego já em cartaz nos cinemas

Miguel Morales

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