O Manicômio | Crítica

O Manicômio (Heilstätten, 2018) até se garante em entregar um filme com uma atmosfera tensa, em criar toda uma ambientação um pouco claustrofóbica e com cenas escuras feitas de uma forma que imitam gravações amadoras, onde a câmera chacoalha e estremece de uma forma bastante incômoda que pode deixar o espectador aflito por não saber direito o que acontece na sua trama.

Mas tudo isso não consegue mascarar o principal problema do longa que talvez fique com o roteiro dessa produção alemã.

Heilstätten (2018)
O Manicômio – Crítica | Foto: Paris Filmes

Escrito pela dupla Michael David Pate e Ecki Ziedrich, O Manicômio acaba por ser tão módico na sua proposta que o texto não consegue fazer com que o filme tenha uma chance válida de se destacar. Com passagens que tentam ser assustadoras, mas não acertam a mão em quase nenhum momento, o longa sofre com jump scares soltos, onde vários deles aparecem sem sentido ao longo da trama. A produção também é marcada, claro, por atuações nem um pouco convincentes e apenas deixam O Manicômio com um ar de filme b que parece ter vergonha de se assumir ruim.

Avisamos aqui, a produção tem seu mérito, talvez, em uma questão. O Manicômio, tem em sua história, uma surpresa, uma virada daquelas na história em um determinado momento. Uma não. Algumas. No filme, é como se estivéssemos por assistir uma reviravolta dentro de uma reviravolta. Claro, não vamos contar aqui o que (ou quando isso acontece), mas, reconhecemos que a produção, tem nesse aspecto, um fator a seu favor e que impede O Manicômio em não ser um filme completamente esquecível.

Na trama, acompanhamos um grupo de youtubers alemães que para aumentarem os acessos e suas visualizações resolvem encarrar o desafio de passar a noite em um prédio antigo que dizem ser mal-assombrado por pacientes que foram tratados pelos nazistas durante a 2a Guerra Mundial.

Assim, não esperem aqui personagens bem desenvolvidos, ou alguma coisa do tipo. Em O Manicômio, vemos logo de cara que todos eles guardam algum tipo de segredo ou um mistério, mas, ao longo do filme, tudo é passado tão batido e numa velocidade tão rápida que faz quem assista ter um trabalho em conseguir se identificar, ou pior, se importar com os problemas dos personagens. Na medida, então, que o grupo se espalha pelo local cercado pro câmeras, luzes de visão noturna (afinal, o desafio era visitar o local a noite e por que não é mesmo?) e sensores, a trama do filme coloca toda mitologia do local em evidência.

O Manicômio Crítica | Foto: Paris Filmes

Assim, o longa abusa de tomadas com a câmera colada no rosto dos personagens e bebe de outras fontes de filmes de terror e suspense como é o caso da franquia Jogos Mortais e do próprio A Bruxa de Blair (1999), onde mesmo assim, parece que o filme nunca ache sua identidade própria. Em O Manicômio, fica claro que os produtores quiseram apenas colocar um grupo dentro do local, onde eles precisam, então, achar um modo de sair de lá de qualquer modo, antes que as entidades que vivem por lá, continuam a os atacar.

O roteiro parece também não se importar muito em desenvolver os personagens, apenas cria uma dramatização simples que navega pela trama na medida que os jovens tentam sair do local. Pequenos segredos acabam sendo expostos ao longo do filme mesmo que a produção não se preocupe muito em fazer o espectador criar uma empatia com eles e como isso afeta a vida de seus personagens.

No final, O Manicômio, apenas nos deixe a assistir sua história passivamente, onde no máximo podemos torcer (ou não!) para os youtubers sairem do local e que façam logo, o upload do tão sonhado vídeo no canal de deles e o longa acabe. A graça fica, infelizmente, muito mais no que poderia ser do que realmente acontece.

Nota do Crítico:

O Manicômio chega aos cinemas no dia 3 de janeiro

Miguel Morales

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