Nós | Crítica

Muito se falou na época do lançamento de corra! (2017) se o filme e Jordan Peele iam ser uma coisa no estilo um sucesso só. Veio o hype gigante, as indicações ao Oscar e aí as expectativas para esse novo filme do diretor eram mega altas. 2019 chegou e vieram as primeiras exibições de Nós (Us, 2019), e ficou claro que Peele não é um homem de um sucesso só não. Com seu novo filme, o diretor se supera novamente e entrega um longa audacioso, apavorante e extremamente tenso!

Nós consegue construir um sentimento de expectativa que paira no ar desde que as primeiras cenas do filme acontecem. Nós faz um filme que abusa da criação de pequenos momentos contemplativos para antecipar a verdadeira ação que vem por aí. Em Nós, o maior triunfo é mostrar a batalha enfrentada pelos personagens que acaba por ser longa e dura, mas que ao mesmo, também acaba por ser super atrativa para quem assiste. Assim, Nós parece capturar o espectador como um imã numa porta de geladeira.

Lupita Nyong'o, Winston Duke, and Evan Alex in Us (2019)
Nós – Crítica | Foto: Universal Pictures

O roteiro do filme, escrito por Peele, trabalha naquilo que o diretor fez de melhor em corra!, criar uma história que varia entre a realidade e o fantasioso de uma forma completamente interessante e curiosa. Aqui em Nós, vemos uma família sair de férias juntos, e isso é uma das coisas mais normais que existem não é mesmo? E o texto de Peele, consegue trazer situações comuns e transformá-las em eventos únicos e faz isso ao mesmo tempo, que consegue nos deixar em estado de alerta quase o tempo todo, com a certeza que alguma coisa está errada.

Então, logo no começo de Nós, vemos a apresentação dos personagens, que acaba por ser uma peça fundamental para o desenvolvimento do longa, mesmo que o roteiro pareça caminhar de uma forma lenta e sem muitas empolgações, mas tudo isso, é feito de caso pensado, para preparar e ambientar o espectador no grande choque que vem logo em seguida.

A chegada de uma família na porta dos Wilson, enfim mostra a marca do diretor no longa. Com uma fotografia escura e que brinca literalmente com um jogo de sombras, Peele enfim, abre pra o espectador a caixa de Pandora e deixa o caos dominar Nós!

E é aqui que vemos a união de boas atuações com uma boa direção. Lupita Nyong’o que já se destacava no começo como a mãe preocupada Adelaide, se transforma totalmente quando vemos a figura rouca, misteriosa e apavorante de Red chegar, e faz esse momento de encontro, um dos ápices maiores que Nós nos entrega.

Durante a cena da sala, onde as duas personagens estão juntas, temos um sentimento empolgante e de orgulho em ver uma atriz do calibre e talento de Nyong’o atuar. Somos entregues para uma atuação fantástica, cheia de camadas e dentro de camadas, onde literalmente vemos a atriz roubar todo o filme para si. Nós é Lupita Nyong’o.

Lupita Nyong'o, Winston Duke, Evan Alex, and Shahadi Wright Joseph in Us (2019)
Nós – Crítica | Foto: Universal Pictures

Claro, o restante do elenco também se garante, e muito em seus papéis. Winston Duke, como Gabe, um típico pai de família americano é uma daquelas coisas que nos divertem em tela. As crianças Shahadi Wright Joseph e Evan Alex idem. E assim, Nós nos entrega um filme de ritmo alucinante, onde vemos o quarteto trabalhar seus personagens com suas contrapartidas do mal de uma forma impressionante. Aqui, o grupo de atores faz um trabalho teatral e empolgante, onde tudo que é desenvolvido de um lado é duplicado é e refletido do outro lado de uma forma precisa e mecânica. Nós acaba por ser um gigantesco espelho que banha o espectador com talento. E também, não podemos esquecer de Elisabeth Moss, genial e que finalmente ganha um papel nos cinemas a altura de seu talento.

Assim, Nós faz um jogo de sombras e xadrez como ninguém e entrega um filme que os protagonistas precisam lutar contra inimigos inteligentes, astutos e que pensam quatro, cinco jogadas lá na frente. Nós acerta, e muito, ao não se apoiar em figuras como vampiros, lobisomens e ou outras ameaças malucas e que se garante na disputa contra, talvez, o pior tipo de adversários que existem: nós mesmos.

Nota do Crítico:

Nós em cartaz nos cinemas

Miguel Morales

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