Não Se Aceitam Devoluções | Crítica

A adaptação nacional do filme mexicano No se aceptan Devoluciones (2013) consegue deixar mais brasileiro as questões que o filme aborda mas peca num roteiro um pouco irregular. O grande destaque de Não se Aceitam Devoluções (2018) fica com o ator Leandro Hassum que claro acerta com o seu timing para humor e molda o filme com um tom cômico fantástico.

Foto: Fox FIlm Do Brasil

No longa, conhecemos Juca (Hassum) um cara solteiro que curte a vida mas que um dia vê uma ex-namorada bater sua porta e deixar um bebê com ele, dizendo ser sua filha. Quando ele percebe que Brenda (a carismática Laura Ramos) não irá voltar, ele parte para os EUA, sem falar nada do idioma, para devolver a criança para a mãe. Com a tentativa frustada de local a mulher, o personagem se apega com a criança e então vê sua vida mudada ao resolver criar o bebê ele mesmo.

Como falamos, o filme não muda muito a essência do filme original, temos as mesmas viradas no roteiro como por exemplo o fato do personagem não falar inglês, conseguir um emprego de dublê que paga muito bem, a filha se chamar Emma (a empenhada Manuela Kfouri em seu primeiro papel) e as mesmas situações das versões mexicanas e francesas como, a cena do filme de ação, a batalha pela custodia da criança e a “piada” com o versinho sobre o personagem ser invencível.

Parece que aqui os produtores fizeram o check-list de quais cenas eles precisavam ter no filme e quais não, ficando um pouco dura a edição do longa e focada em poucos cenários mesmo com a porta dupla de tamanhos diferentes fazendo presença no filme. Com cenas gravadas no Brasil e nos EUA o filme até consegue mostrar uma amplitude de locais mesmo no final tudo fique meio parecendo que se passa no mesmo país.

Foto: FOX Film Do Brasil

O acerto de Não se Aceitam Devoluções é a construção de Juca como um típico brasileiro que quer dar um jeitinho em tudo. O filme fica mais aceitável em termos de comédia para o público nacional, e isso leva também a sua irregularidade no seu roteiro. O tempo todo ele flerta com a parte da comédia e deixa plantado em um ou duas cenas o lado dramático da história para depois nos seus 10 minutos finais carregar no drama deixando o expectador confuso sobre qual é o do filme.

Não se Aceitam Devoluções tem seus méritos e entrega uma produção espirituoso mas que fica totalmente nas mãos da habilidade cômica de Hassum. O longa acaba por não desenvolver sua parte dramática na mesma intensidade que seu lado divertido e infelizmente os momentos de reflexões são deixados de lado em favor das cenas de humor. Mas no final, essa comédia, acaba sendo uma boa introdução para uma audiência brasileira dessa história tocante sobre a importância da família e do amor.

Nota do Crítico:

Não se Aceitam Devoluções em cartaz nos cinemas.

Miguel Morales

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