Mistério no Mediterrâneo | Crítica

Sem mistérios que filme com Adam Sandler que preze já sabemos que não devemos esperar muita coisa, mas aqui, Mistério No Mediterrâneo (Murder Mystery, 2019), pelo menos cumpre seu papel em ser um filme divertido. 

Claro, poucas piadas colam e funcionam, a história tenta criar um certo mistério complexo com uma pobre trama de investigação tirada de um livro de Agatha Christie, e, tudo em Mistério No Mediterrâneo acaba por exagerado, e nada sutil, mas ao mesmo tempo, também, temos um longa cretinamente engraçado. 

Jennifer Aniston, Adam Sandler, and Dany Boon in Murder Mystery (2019)
Mistério no Mediterrâneo – Crítica | Foto: Netflix

Aqui, Sandler se une com Jennifer Aniston novamente, e que parece voltar para as comédias despretensiosas depois de tentar a chance em produções mais sérias. Assim, em Mistério No Mediterrâneo, a dupla estrela como o casal Spitz, onde os dois realmente roubam a cena como Nick (Sandler) um policial que tenta ser um detetive, mesmo depois de ter falhado diversas vezes no teste da Academia, e Audrey (Aniston) uma cabeleireira viciada em livros de mistério, e quer aproveitar mais momentos românticos com o marido, após mais de 15 anos casados. Juntos, então, eles partem em viagem para a Europa, mas as coisas parecem que não serão tão simples assim, quando encontram com um um lord inglês misterioso (Luke Evans, canastrão), no avião rumo ao velho continente

A grande trama de Mistério No Mediterrâneo acaba por envolver o simples casal numa trama de assassinato num iate luxuoso e cheio de personagens retirados dos livros que Audrey adora ler. E todos eles são as caricaturas de personagens que existem em Assassinato no Expresso do Oriente, seja um coronel de um país da África (John Kani), um marajá fajuto (Adeel Akhtar, hilário), um piloto de corrido italiano que não fala inglês (
Luis Gerardo Méndez), ou ainda uma atriz de cinema super famosa, e meio cabeça de vento (Gemma Arterton). Assim, todos eles são apresentados para o espectador de uma forma muito rápida, onde o texto deixa claro, que todos são suspeitos do crime que acontece no barco, e mata um bilionário excêntrico (Terence Stamp).

A parte divertida de Mistério No Mediterrâneo, talvez nem seja em descobrir a real identidade do assassino, apenas, de acompanhar os personagens de Sandler e Aniston passarem pelas pistas, na medida que o casal começa a investigar o assassinato por conta própria, logo após deles virarem os principais suspeitos para o detetive francês, o Inspetor De la Croix (Dany Boon), depois todos os outros personagens presentes na cena do crime apontam os “americanos” como o fator comum que se destacou naquela noite.

Mistério No Mediterrâneo é como jogar Detetive com um grupo de amigos, onde temos as risadas envolvidas, os caminhos sem volta, e a tentativa de reunir todas as peças, o que acaba, no final, ser a grande graça do filme, mesmo que o roteiro de James Vanderbilt se perca muitas vezes em tentar apresentar os detalhes do mistério, e ao longo do filme, se atrapalhar um pouco com a história, onde a quantidade gigante de personagens acabe por não dar um desenvolvimento adequado para todos eles, e claro, mostrar as possíveis motivações de todos eles para o crime.

Jennifer Aniston, Adam Sandler, and Dany Boon in Murder Mystery (2019)
Mistério no Mediterrâneo – Crítica | Foto: Netflix

Com cenas claramente improvisadas, diálogos absurdos e cretinos, e a resolução fácil no melhor estilo o “o mordomo é o culpado” fazem de Mistério No Mediterrâneo um filme clássico de Adam Sandler que tem achado na Netflix um parceiro ideal. Mistério No Mediterrâneo, sem mistério nenhum, acaba por ser uma opção descontraída para se assistir no serviço de streaming, onde a dupla Sandler e Aniston, chega a agradar aqueles que buscam uma diversão leve e sem nenhum comprometimento. Não precisa ser o Detetive Poirot para se deduzir isso.

Nota do Crítico:

Mistério No Mediterrâneo disponível na Netflix

Miguel Morales

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