Ilha dos Cachorros | Crítica

Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs, 2018) em sua essência é realmente um filme de Wes Anderson, uma obra visualmente linda e milimetricamente encantadora!

Com um ar cartunesco e uma animação que lembra massinha de modelagem, Ilha dos Cachorros é como se fosse um grande conto de fadas japonês onde cachorros falam, cachorros sofrem e cachorros se apaixonam. E como se não faltasse também salvam o mundo, um latido de cada de vez.

Jeff Goldblum, Bill Murray, Bob Balaban, Edward Norton, Bryan Cranston, and Koyu Rankin in Isle of Dogs (2018)
Foto: 20th Century FOX

O filme conta com uma história que tem tons de comédia misturados com drama e chega até a emocionar em algumas partes, mesmo que no final, o diretor poderia ter dado uma melhor escovada na história, onde uma bela enxugada e uma boa aparada nas pontas e em alguns momentos só fariam bem para o filme.

Aqui, o roteiro também é escrito por Anderson que conta a história em vários atos e que vai para lá e para cá em flashbacks desnecessários que às vezes só servem para dramatizar alguma coisa que já sabemos sobre os personagens ou sobre a trama em si. Mesmo com menos de duas horas de duração, Ilha dos Cachorros acaba cansando em alguns momentos que fazem do longa parecer um gigante filme de 5 horas.

Mas Anderson, acerta em fazer um filme com uma veia artística deslumbrante e com uma técnica caprichada e mesmo que a produção tenha um ar infantilizado por ter como protagonistas cachorros animados, o longa não deixa de ter também um tom extremamente político e super dentro da realidade que vivemos com o combate daquilo que é diferente do que pode ser considerado comum.

Na trama, acompanhamos o jovem Atari Kobayashi (voz de Koyu Rankin) que mora na cidade japonesa de Megasaki junto com seu parceiro, o cachorro Spots (voz de Liev Schreibere seu tio, o corrupto prefeito Kobayashi (voz de Kunichi Nomura). Quando a cidade aprova uma lei que proíbe os animais de morarem com os adultos, Atari vê seu companheiro ser enviado para a Ilha do Lixo, sem data para voltar. Assim, ele parte para regatar o animal e se vê numa misteriosa trama de conspiração política na medida que se junta aos outros cachorros da ilha para encontrar seu fiel amigo.

O filme trabalha muito bem seus simbolismos, a cultura japonesa e em sua história consegue passar uma mensagem de aceitação e tolerância bastante importante. Ilha dos Cachorros mesmo sendo um filme leve, acerta em transmitir tudo isso sem perder o ar sereno e tranquilo.

Foto: 20th Century Fox

O diretor se preocupa com os detalhes, com as posições quadradas sempre vistas nos planos-sequência de seus outros filme e aqui mantêm, em todo momento, a câmera nos mesmos locais e mesmo quando focadas em seus personagens sempre é possível notar uma proporção super bem calculada.

Em Ilha dos Cachorros, todas as cenas e frames desde das passagens em japonês até mesmo os momentos na ilha do lixo, gritam (ou seriam latem?) Wes Anderson. E isso fica claro, logo nos primeiros 10 minutos, que a produção é um filme autoral de um diretor que sabe se impôr e marcar seu estilo. Um dos pontos que vale a pena destacar também sobre o filme é a dublagem original, onde cada personagem tem sua voz marcante e única que seus atores sabem dosar bem com a personalidade do seu animal. No filme os cachorros, são dublados por conhecidas vozes dos cinemas que vão desde Bill Murray (o cachorro Boss), passando por Jeff Goldblum (o cão Duke) até Scarlett Johansson (a cachorra Nuttmeg). 

Em resumo, se você ama cachorros, certamente Ilha dos Cachorros é um daqueles filmes que irá te deixar empolgado e animado afinal, ele tem cachorro falantes para todo o lado e que interagem de uma forma bem engraçada entre si. Criativamente cativante e com visual realmente único, o longa é uma obra Wes Anderson de raiz, onde o diretor consegue mostrar novamente que seu complexo perfeccionismo é um de seus maiores trunfos.

Nota do Crítico:

Ilha dos Cachorros chega nos cinemas nacionais com previsão de estreia para 19 de julho

Miguel Morales

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