Entre Irmãs | Crítica

Extremamente emocional, mas pesando um pouco em sua duração, Entre Irmãs (2017) é um filme forte, com duas mulheres extramente talentosas nos papéis principais, que nos leva as lágrimas em suas atuações generosas. Nanda Costa e Marjorie Estiano estão simplesmente brilhantes nesta produção dirigida por Breno Silveira baseada na obra A Costureira e o Cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles.

Em sua trama duas irmãs que entre brigas e muitas brincadeiras acabam se vendo obrigadas a se separarem quando o cangaceiro Carcará (Julio Machado) escolhe uma delas como sua companheira. Ali os dois sonhos se dividem e a família se destrói, pois a tia delas acaba morrendo de tristeza. Enquanto Luzia (Costa) aprende as duras o amor, Emilia (Estiano) tem o sonho da cidade grande realizado.

Costa está maravilhosa neste papel, completamente a vontade como Luzia, mesmo que em todas as suas cenas precise forçar o problema no braço de sua personagem, além de sempre manter-se forte perante qualquer adversidade e nos mantendo a seu lado em cada cena. Enquanto para mim Estiano deu uma derrapada no tom inicial de Emília, mas após perder irmã e tia conseguiu encontrar sua personagem e nos fazer torcer por sua busca de uma vida feliz e com um grande amor ao seu lado.

Quando a trama se divide entre o sertão e a cidade o que mais chama a atenção é o cuidado da produção em ambientar cada um dos locais, mesmo que estes não se conversem muito, deixando as conexões apenas para as irmãs e o ódio de Carcará pelo governo. O trabalho de reconstrução de Recife é primoroso e a entrada dos personagens de Letícia Colin, Rômulo Estrela e Claudio Jaborandy ressaltam os acontecimentos políticos e culturais da época.

Lindalva (Colin) é uma grande apaixonada e disposta a viver a vida e acaba sendo o elo para a felicidade de Emília; Degas fica escondendo quem realmente é deixando sua esposa infeliz em um casamento de fachada, ao contrário de Carcará que bate sua honra no peito e enfrenta o mundo com Luzia; e fica com Dr. Duarte o papel de manter Emilia nas rédeas entre a preocupação por seu sonho e a verdade sobre ser irmã da costureira cangaceira.

Silveira mantém o elenco em sintonia durante todas as cenas e faz todos darem sempre o melhor de si. Seu trabalho é intenso e tem o mesmo capricho de suas outras produções, como Gonzaga: De Pai para Filho e 2 Filhos de Francisco. Para mim o maior problema da produção é o seu desenrolar prolongado.

Suas passagens acontecem em uma crescente que acaba ultrapassando um pouco o desfecho, tornando-o extramente longo quando algumas saídas criativas poderiam ter cortado algumas passagens. O desencontro de Luzia e Emília se dá de forma rápida, mas após a morte da tia delas o longa se perde no tempo e por alguns momentos apenas arrasta a trama. Para nossa sorte a fotografia é algo fenomenal, nos acolhendo a cada cena, junto de sua trilha sonora certeira.

Entre Irmãs acaba parecendo ter sido desenhado para as telinhas da Globo em forma de minissérie após sua exibição no cinema, o que Silveira já fez em inúmeras produções anteriores, o que perde um pouco aquele brilhono cinema. O longa é intrigante, emocional, tem uma história forte e é realmente um épico sertanejo, mas pecou em ultrapassar 2 horas e 15 minutos de duração.

Nota do Crítico:

Entre Irmãs entra em cartaz nos cinemas brasileiro no dia 12 de outubro.