Disque Amiga Para Matar | Crítica da 1ª Temporada

Dead To Me, ou Disque Amiga para Matar como foi traduzida aqui no Brasil, pode se dizer ser uma das grandes surpresas da Netflix neste primeiro semestre. Com uma quantidade gigante de filmes e séries que chegam, quase, todos os dias na plataforma, algumas coisas realmente boas, e com um sentimento de novo, quando chegam, podem passar desapercebidas.

E aqui, Disque Amiga para Matar é uma delas, uma dramédia que se destaca por seu texto incrível, cheio de camadas, e claro, pelas performances matadoras de suas protagonistas, as talentosas Linda Cardellini e Christina Applegate, que dão completamente o tom da série. 

Christina Applegate in Dead to Me (2019)
Disque Amiga Para Matar – Crítica 1a temporada | Foto: Netflix

Disque Amiga para Matar sabe unir seu texto um pouco mórbido, com um humor diferente, ácido, mega sarcástico e quase único que dá para a série um charme totalmente próprio. E isso, se mostra na série logo de cara no episódio piloto e em 1×02 – Talvez eu tenha enloquecido, mas que se desenvolve ao longo dos seus episódios, onde produção começa com um evento totalmente dramático, a morte do marido de Jen (Applegate, ótima) e a ida da mesma numa grupo de apoio para viúvos, onde lá ela conhece a meio excêntrica e destrambelhada Judy (Cardelini). 

Assim, a produção chega a até ser meio despretensiosa no seu começo, onde só lá na frente, que Disque Amiga para Matar desenvolve um pouco mais seus arcos, e a trama move bem mais rapidamente dentro dos seus curtos episódios. E, logo após o excelente 1×05 – Tenho de me afastar, onde a série caminha para seu final de temporada, a produção ganha uma veia mais dramática, e ao mesmo tempo, completamente viciante, e mais perigosa para todos os personagens. Disque Amiga para Matar é como colocar uma panela no fogo, no começo, as coisas estão calmas, para em instantes, tudo virar uma explosão com a água quente borbulhante. 

Linda Cardellini in Dead to Me (2019)
Disque Amiga Para Matar – Crítica 1a temporada | Foto: Netflix

E com tudo isso, o texto de Liz Feldman é entregue com cuidado enorme com os detalhes, feito de uma forma bem polida e que faz pequenos e ótimos insights sobre morte, luto, o processo de superação, e ainda amizade e companheirismo. Tudo em Disque Amiga para Matar, mesmo que não seja sutil, acaba por ser muito bem trabalhado. O maior destaque da série fica em mostrar que nada é o que parece ser, onde o time de roteiristas jogam as pistas à todo momento do que pode acontecer, para logo em seguida, mostrarem, a mesma cena, de um ângulo completamente diferente. Assim, a série parece que expande a visão do espectador sobre a história, aos poucos e ao longo dos episódios, sobre determinados fatos e eventos, onde, sempre parece, nos deixar querendo saber mais, o que irá acontecer, ou como os personagens irão sair de certas encasacadas. 

Linda Cardellini e Christina Applegate fazem a melhor nova dupla na Netflix desde que Gracie & Frankie estreou no serviço de streaming em 2015. As duas entregam personagens complexos, cheio de camadas e que se desenvolvem ao longo da temporada que ganha um fôlego gigante nos seus episódios finais. O elenco masculino, também ajuda e muito a contar essa maluca história, onde James Marsden faz um personagem detestavelmente feito para ser odiado, juntamente com Brandon Scott que chega mais no final da temporada, como um detetive com um passado misterioso.

No final, Disque Amiga para Matar faz aquela produção para os amantes de um bom e afiado texto que é entregue nas mãos de duas competentes atrizes, numa série que não pode passar debaixo do radar. Disque Amiga para Matar é uma linha direta para a temporada de premiações, agora em Setembro, sem cair na caixa postal.

Disque Amiga para Matar já disponível na Netflix.

Miguel Morales

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