Corgi: Top Dog | Crítica

O trailer de Corgi: Top Dog (The Queen’s Corgi, 2019) é um daqueles que quando visto meio que contam basicamente a história toda que você precisa saber sobre o filme em poucos minutos, sabe? Na animação conhecemos o cachorro preferido da Rainha Elizabeth II que após alguns eventos deixa a residência real para conhecer mundo, até perceber que a vida lá fora não é tão fácil assim. Bem, é isso tudo que você precisa saber sobre o filme.

The Queen's Corgi (2019)
Corgi: Top Dog – Crítica | Foto: Imagem Filmes

Claro, não podemos negar aqui, que por mais que simples o filme seja, no final das contas, Corgi: Top Dog é divertido. A animação se garante com um roteiro cheio de referências para a cultura pop, mas acaba por ser, e fazer, também um filme um pouco esquecível. A proposta apresentada, e sua história, acaba por ser uma coisa que já vimos em outras animações, onde aqui, os personagens não são nada cativantes, talvez tirando o protagonista.

Para crianças, Corgi: Top Dog possa ser uma boa aposta, o filme tem animais falantes, se garante no seu visual bastante colorido, e cheio de momentos engraçadinhos, mas as piadas? Hum… o longa se apoia muito num texto mais adulto, e que talvez, para os mais novinhos, não seja uma boa ideia.

Por outro lado, longa é curto, tem 1h25, então manter a atenção dos pequenos ao longo do filme acaba por ser uma tarefa fácil e que a produção acaba por ganhar pontos. Em Corgi: Top Dog temos animais envolvidos em vários situações mirabolantes e que movimentam a história de uma forma que quase não temos um respiro ao longo da trama.

E falando em termos mais técnicos, a animação até que é bem feita, podemos ver com clareza os detalhes nos pêlos dos animais e outras texturas nos traços, tanto dos personagens adultos, quando nos ambientes que o filme apresenta. Em Corgi: Top Dog, o trabalho de animação não chega a ser ruim, mas claro que poderia ser muito melhor.

O roteiro tenta criar situações que mostram uma certa evolução para o personagem do cachorro protagonista, mas, o texto da dupla Rob Sprackling e Johnny Smith não tem a mesma sutileza de uma produção da Pixar/Disney. Inclusive muito da trama de Corgi: Top Dog parece ter sido tirada de outras animações do estúdio numa mistura de Toy Story (1995), sem os brinquedos, com O Rei Leão (1994), mas com cachorros no lugar de leões, onde temos aqui Rex parecer ser um combo entre o boneco caubói Woody e Simba, com o ego lá em cima no meio de seu título de nobreza canina, como o queridinho da rainha, e seus inúmeros cacarecos como canecas, bonés, e tudo mais, aquela coisa típica da Inglaterra e seu culto para a Família Real.

The Queen's Corgi (2019)
Corgi: Top Dog | Crítica Foto: Imagem Filmes

A chegada de Donald e Melaine Trump para uma visita oficial de Estado é o momento onde o filme abraça seu lado mais satírico, abusa de um humor com duplo sentido, e apela para o possível público adulto que deva ir assistir ao filme com seus filhos. A introdução dos personagens geram piadas muito mais elaboradas que as crianças talvez possam entender, onde todo o arco narrativo sobre da cachorrinha do casal americano que está louca para arranjar um parceiro muda toda a dinâmica do filme e para o personagem do cachorrinho Rex.

Corgi: Top Dog então expande o horizonte do espectador sobre a visão de Rex sobre o mundo, quando o animal, vítima de um plano mirabolante de um colega de quarto, vai parar num abrigo para cachorros em Londres. Assim, o mimado cachorrinho acaba por fazer novos amigos, e até mesmo conhecer um novo amor. Corgi: Top Dog faz inúmeras referências para outros filmes, principalmente clássicos dos anos 90, onde a dupla de roteiristas responsáveis por Gnomeu e Julieta (2011) e Gnomeu e Julieta: O Mistério do Jardim (2018) até que capricham nas passagens que são bem inspiradas, mesmo que não segurem todo o ritmo do filme.

No final, Corgi: Top Dog pode não ser a melhor animação lançada em 2019, e está longe de ser a jóia da coroa no mundo da animação, mas faz um longa que diverte na medida do possível, e isso já é o bastante.

Deus salve (o cachorro da) Rainha.

Nota do Crítico:

Corgi: Top Dog chega em 5 de setembro nos cinemas.

Miguel Morales

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