Com Amor, Simon | Crítica

“Todo mundo merece uma grande história de amor” e falando sobre Com Amor, Simon (Love, Simon, 2018) essa frase é aplicada ao máximo nessa deliciosa comédia romântica americana que antes de mais nada conta uma história sobre jovens vivendo num mundo cada vez mais tecnológico em busca de conhecerem a si próprios.

A produção poderia ser mais um das daqueles filmes teen com um budget apertado, com umas escolhas duvidosas de elenco mas Com amor, Simon chega trazendo um frescor para os filmes do gênero e se destaca por ter um bom e entrosado grupo de jovens atores e com uma ótima trilha sonora.

O diretor Greg Berlanti (produtor de quase todas as séries teen do canal americano The CW) acerta em representar bem a vivência no ensino médio com aquele turbilhão de emoções, as dúvidas e os anseios. Berlanti consegue deixar o o longa com um brilho próprio, o que faz dele, até agora, ser um dos filmes mais adoráveis do ano.

Foto: Fox Film

Vindo na avalanche de filmes que podem ser encaixar no tema “coming of age“, Com Amor, Simon, nos apresenta logo de cara para Simon Spier (o melhorado e completamente bem no papel, Nick Robinson) um jovem que como a maioria dos jovens em filmes do gênero vive aparentemente uma vida sem muitos problemas aparentes. Mas claro, como todo bom drama adolescente, Simon guarda para si uma informação importante: ele é gay e se sente inseguro para contar para sua família e amigos.

Graças a internet, o rapaz descobre que dos um dos colegas da escola também está passando pela mesma situação e de uma forma anônima os dois começam a criar uma relação on-line. E a melhor parte para quem assiste é acompanhar o personagem passar por várias situações para descobrir a identidade dessa pessoa que o roteiro acerta em criar uma conexão universal, feito para todo o tipo de público, independentemente de gênero e orientação. Assim os dois, mesmo sem se conhecerem pessoalmente acabam desenvolvendo um relacionamento bacana, onde eles descobrem ter gostos parecidos e curtirem as mesmas coisas, mesmo estando um na frente do computador longe do outro.

Com Amor, Simon serve também para passar uma mensagem poderosa sobre auto-conhecimento, aceitação, tolerância e para mostrar ao mundo que pessoas são diferentes e tem seus momentos de descoberta em períodos de tempo diferentes e que ninguém merece viver isolado, recluso e ser vítima de preconceito pelo seu peso, cor de pele, religião ou por gostar de uma pessoa do mesmo sexo.

Com um elenco entrosado e bastante a vontade formado principalmente pelo trio de amigos do protagonista interpretados pela carismática Katherine Langford e pelos quase novatos Alexandra ShippJorge Lendeborg Jr. vemos Simon e sua gangue enfrentarem a bola de neve que se forma a medida que ele parte em busca de conhecer a identidade de seu colega on-line. O filme cresce ao mostrar os desafios que o personagem precisa superar mesmo navegando em partes sozinho nessa jornada, com suas dúvidas, preocupações e ansiedades. Greg Berlanti acerta ao conseguir trazer todos esses sentimentos para a tela do cinema e faz uma direção bastante bem pensada com tomadas interessantes, que mesmo não sendo muito inovadoras, ajudam a contar a história.

Foto: FOX Film

O elenco além de ser bem escalado e ter química juntos também é uma das coisas positivas do filme e muito disso se dá muito pela forma que os personagens foram escritos. Afinal eles são jovens e são retratados no longa com questões e dilemas vistos dos jovens atuais e não são tratados como apenas garotos que ficam em seus celulares e resmungando. Em Com Amor, Simon temos dramas e tramas como primeiros amores, sexo e relações familiares com piadas que se encaixam e fluem bem ao longo do filme. O destaque cômico fica para o hilário e excêntrico Sr. Worth interpretado pelo sempre talentoso Tony Hale, o diretor da escola que representa tudo aquilo que deixa os jovens sem graça na presença de um adulto, alguém mais velho que quer se enturmar.

A atriz Jennifer Garner faz como Julia Roberts em Extraordinário (2017) e usa seu talento para encorpar um pouco de drama no filme onde ela tem algumas cenas mãe-filho bem trabalhadas com Robinson. Outro destaque acaba ficando com a atriz Natasha Rothwell como a professora de teatro, a senhora Albright que tem momentos completamente hilários e que funciona na dinâmica do filme mesmo em doses pequenas.

A ótima trilha sonora, vai de Jackson 5 até Panic! at the Disco e se destaca por encaixar em todo momento como uma luva fazendo Com Amor, Simon ter um charme próprio. O roteiro, não inova muito e usa um pouco de momentos clichês de filmes do gênero adolescente, como as clássicas cenas do jogo de futebol em um estádio e a rotina do clube de teatro. Aliado a isso, o longa também contém grandes cenas fantasiosas, como por exemplo uma passagem bastante especifica de uma sequência musical e usa outros artifícios que acabam parecendo ser um certo tipo de comodismo da produção para desenvolver um pouco da sua história com alguns dos personagens mais secundários. E no final parece mesmo que eles não tenham seus arcos bem trabalhados de propósito e que acabam ficando jogados, só estando orbitando na história principal, deixando claro que o foco não é com eles.

Tendo um bom humor e alguns diálogos rápidos mas que às vezes passam o sentimento de um texto um pouco arrogante, Com Amor, Simon acerta em mostrar os desafios em amadurecer e de como lidar com decepções em relacionamentos mas também celebra o lado positivo, feliz e mostra sua mensagem de uma forma inspiradora.

Nota do Crítico:

 

Com Amor, Simon chega com pré-estreias pagas em 22 de março e entra oficialmente em cartaz no dia 5 de abril.

Miguel Morales

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