Chorar de Rir | Crítica

Em Chorar de Rir (2019) a primeira reação, e talvez, a única possível, é de chorar de rir mesmo… de desespero. Aqui, nessa comédia nacional, um dos maiores (e poucos!) méritos da produção é conseguir reunir uma quantidade invejável de nomes da chamada nova safra do humor com outros mais veteranos.

Liderados pelo ator Leandro Hassum, que já perdeu a mão para a coisa há algumas outras produções atrás, Chorar De Rir tenta emplacar uma história um pouco mais robusta e elaborada, mas que peca em sempre cair nos velhos truques e macetes normalmente visto nessas produções do gênero.

Chorar de Rir : Foto
Chorar de Rir – Crítica | Foto: Warner Bros Pictures

Aqui, acompanhamos um mega humorista Nilo Perequê (Hassum, numa fase cômoda pelo visto) que começa a ter a famosa crise de meia idade e desejar mais para sua carreira. Assim, ele percebe que precisa focar mais no seu lado dramático (com mais prestígio, segundo ele) do que no cômico (caricato e pouco valorizado, também segundo ele).

O texto de Chorar de Rir então se apoia, como uma boa comédia, em figuras exageradas e situações sempre um tom acima, mas tenta misturar tudo isso, com um humor difícil de se engolir. Mesmo as autocríticas e a metalinguagem do roteiro, que são uma boa sacada, ficam perdidas em sequências de piadas ruins e mal elaboradas. É como diz um dos personagens ao longo do filme “Mas as piadas feitas uma atrás da outra para o espectador não perceber que são ruim” e isso não poderia descrever melhor essa comédia.

Chorar de Rir parece perceber todas as suas falhas e joga com elas bem seguro de si. Com um ritmo de esquete de TV, a produção caminha bem até sua metade, onde vemos Nilo tentar se levar a sério e produzir e dirigir a peça de teatro Hamlet. Mas aí, o roteiro apela e inventa um arco sobrenatural que invade o filme, e arrasta a trama pela busca de encontrar quem jogou um feitiço no comediante que o impede de falar sério, e assim, o impossibilita de percorrer um lado mais dramático.

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Chorar de Rir – Crítica | Foto: Warner Bros Pictures

Os personagens de apoio, figurinhas carimbadas da TV e da internet, aparecem de forma pontual e ajudam, de uma forma bem precária, a desenvolver a história. Os destaques ficam para a dupla de trambiqueiros interpretados por Natália Lage e Otávio Müller que tem um timing cômico divertido e uma boa química em tela, para atriz Carol Portes, que faz personagens em dose dupla, mesmo com efeitos especiais ruins, e claro, para o humorista Caito Mainier que funciona perfeitamente em pequenas doses.

Chorar de Rir nem pode ser chamado daquela tipo de comédia despretenciosa, pois fica claro, que o filme sabe muito bem jogar com as qualidades de seus atores que tentam a todo custo usar seus talentos cômicos para fazer essa comédia engrenar.

As surpresas e participações especiais (Serginho Malandro, Fabio Porchet e outros) dão um toque a mais, numa tentativa de deixar o filme com uma cara de descolada e “sei dar risada de mim mesmo”. Mas, no final, Chorar de Rir parece apenas ser uma tentativa de um bando de adultos tentando pagar de legalzão na internet e querendo virar meme.

Nota do Crítico:

Chorar de Rir está em cartaz nos cinemas.

Miguel Morales

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